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Caminhos para a redação nota 10

O Correio ouviu quatro estudantes sobre o que eles gostariam de escrever no texto obrigatório do Exame Nacional do Ensino Médio, neste domingo. Veja como professores orientam esses alunos a desenvolverem os assuntos sugeridos

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postado em 06/11/2014 10:39

Manoela Alcântara

Estudante do Galois, João Fiuza acredita que a crise energética do país pode ser o tema da redação no Enem (Breno Fortes/CB/D.A Press - 5/11/14) 
Estudante do Galois, João Fiuza acredita que a crise energética do país pode ser o tema da redação no Enem

A redação é uma das principais preocupações de quem faz a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ela vale mil pontos e é determinante na classificação do candidato. Com o tempo contado para escrever o máximo de 30 linhas, o participante deve estar preparado para falar sobre assuntos de ordem social, política ou cultural, em um texto dissertativo-argumentativo. No ano passado, o tema foi Os efeitos da implantação da lei seca no Brasil. Este ano, diversos episódios, como as manifestações de 2013, a falta de água em São Paulo, discriminação racial, entre outros, podem ser abordados.


Aplicada no segundo dia do exame — no próximo domingo — , a redação divide espaço com as provas de linguagens, códigos e suas tecnologias e matemática. O concorrente a uma vaga no ensino superior terá 5 horas e 30 minutos para concluir todas as questões objetivas e escrever o texto. Por isso, é preciso estar preparado. Os argumentos e uma proposta de intervenção voltada para o lado social podem garantir uma boa nota.


O Correio ouviu quatro estudantes do ensino médio para saber sobre o que eles gostariam de escrever na redação. Os alunos falaram sobre favelização, escassez de água, crise energética e representatividade da mulher na sociedade brasileira. Quatro professores deram sugestões de como eles poderiam fazer boas redações com os temas. Os modelos podem servir de base para quem fará o exame.

 

Itens imprescindíveis

Cinco critérios utilizados para
avaliação na redação do Enem:

» Ter pleno domínio da língua portuguesa, sobretudo da forma escrita.
» Compreender o tema proposto na redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o texto. É importante respeitar os limites estruturais do texto dissertativo.
» Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um
ponto de vista.
» Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.
» Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

 

Fique atento
1º dia — 8 de novembro
Ciências humanas e da natureza e suas tecnologias
2º dia — 9 de novembro
Linguagens, redação e matemática e suas tecnologias

 

Possíveis assuntos

Participante
Rebeca do Valle Azambuja, 17 anos, estudante do 3º ano
do Sigma

Curso de interesse: psicologia
Tema sugerido: favelização
“A favelização é um problema presente em muitas cidades do Brasil. O governo não investe na estrutura necessária para evitar o problema. Como temos que propor uma intervenção, seria um bom tema para tratar a área social. Para treinar a redação, escrevi sobre diversos temas. Nessa reta final, vou somente me informar, mas não escreverei mais textos.”

Professor
 Eli Guimarães atua na área de redação e português do Sigma

“O participante do Enem precisa saber claramente que construirá um texto com forte tradição de estrutura, linguagem, de recursos argumentativos. A introdução da redação deve situar o leitor sobre o tema. No caso da favelização, é preciso falar sobre o processo de urbanização desordenado que gera o fenômeno. Situar o leitor diante desse recorte e esclarecer logo no começo o que é a favelização.


Num segundo momento, o candidato deve apresentar quais são as causas da favelização. Depois, as consequências. No desenvolvimento do texto, deve tratar a causa e o efeito. É importante ainda mostrar ao leitor como a favelização é tratada pelo poder público, como os agentes governamenatais agem em relação as favelas. Isso pode ser feito do ponto de vista da educação, da segurança, do lazer, das opções culturais. A pessoa pode usar os conhecimentos em geografia, história e sociologia para fazer isso.


Por fim, indicaria conclusões dentro do eixo argumentativo. Mostrar como a segurança, a saúde, a educação, o lazer e a área cultural são tratadas e sugerir propostas de intervenção. Indicar o que a favela precisa e planejar uma ação política no sentido de levar recurso, bem-estar, de fazer uma ocupação positiva da favela, não só com policiais.”

Participante
João Fiuza, 17 anos, estudante do 3º ano do Galois

Curso de interesse: psicologia ou engenharia de produção
Tema sugerido: crise energética
“A crise energética no país é um bom tema a ser abordado. Gostaria de escrever sobre ele, pois teria muito a dizer. Poderia começar com a usina hidrelétrica de Cantareira, em São Paulo, que está muito abaixo do limite. Para me preparar, fiz uma redação por semana no início do ano e depois aumentei o ritmo. Nesta reta final, me manterei antenado, mas não escreverei mais nada. Só vou ler jornais e assistir filmes mesmo.”

Professor
Coordenador de língua portuguesa e redação do Galois, Rafael Riemma

“A introdução pode começar com uma estrutura sobre a crise no sistema energético causada pela escassez de chuvas e pela má gestão de recursos hídricos. Isso já abre uma possibilidade de abordar o tema. A principal fonte de energia no país é a hidrelétrica. Vamos começar atacando este ponto. Pode-se dizer que um país com o tamanho do Brasil não pode ficar na dependência de chuva para atender a população. Por isso, é importante investir na gestão de recursos hídricos. Falar sobre a má gestão tanto no aspecto cultural quanto comportamental.


No segundo parágrafo, o participante pode defender que, diante desse cenário, é importante trabalhar a conscientização da população por meio de campanhas educativas, benefícios fiscais, orientação sobre a duração de banhos, entre outros. Além disso, dizer que o governo precisa investir em fontes de energias alternativas, como a eólica e a oriunda da biomassa.


A argumentação não pode ficar presa ao texto motivador. O estudante tem que expandir. Neste momento, pode citar outros países onde a tecnologia que sugeriu foi bem sucedida. A proposta de intervenção, que já começou no desenvolvimento, deve propor um trabalho de parceria entre população e governo em relação ao consumo ecológico, sustentável da água. Propostas de solução solidária. Todo problema do Enem é social.”


Participante
Alexandre Ruwer, 17 anos, estudante do 3º ano no Alub
Curso de interesse:
engenharia civil
Tema sugerido: escassez
da água
“Acredito que o tema provável para a redação seja a escassez de água. A redação deve ser coerente e coesa. No começo do ano, meu texto não era bom, mas a prática me ajudou a melhorar. Nesta reta final, ainda vou ler jornais, revistas, me manter atualizado e ainda fazer alguns textos.”

Professora
Nallia Rocha, docente na área de redação da Rede Alub

“Para fazer uma boa dissertação sobre esse tema, é preciso iniciar o texto mostrando onde são os maiores focos e porque isso está acontecendo. Apontar que a utilização da água hoje é maior do que a reposição e dar uma dica de intervenção para solucionar o problema. O participante do Enem deve falar sobre a falta de conscientização do uso da água pela população. A consciência e a mudança de comportamento poderiam evitar que a situação se agravasse tanto. A reutilização da água da chuva, por exemplo, seria um ponto.


Para contextualizar, vale a pena falar sobre o problema de São Paulo, mas também lembrar que a crise atual do Sudeste atinge o Nordeste há anos. Esse é um tema antigo, então, quanto mais argumentos melhor. Mas é preciso ter cuidado para não esgotar o assunto e acabar sem ter o que escrever no argumento final. Não pode colocar a culpa só na falta de chuva, é preciso saber como reaproveitar. O participante pode utilizar bibliografias de algo que leu no jornal ou de pesquisadores, mas é preciso ter muita certeza, pois se errar algum dado ou inventar alguma coisa pode ser penalizado.
Uma das maiores notas da redação é da competência 5, sobre a intervenção. Não vale só apresentar um problema, é preciso dar uma solução para ele. O candidato pode falar sobre distribuição, companhas de prevenção, programas de reutilização da água, sempre lembrando de respeitar os direitos humanos.”

Participante
Lukas Lorenz de Andrade, 18 anos, estudante do 3º ano
no Pódion

Curso de interesse :
engenharias
Tema sugerido: representatividade da mulher na sociedade brasileira, a questão do feminismo.
“Gostaria de falar sobre a Lei Maria da Penha, os vagões rosas, a discriminação. É um assunto importante e que pode cair no Enem. Para me preparar para a prova, assisti a muitos documentários, fiz textos e participei de debates para enriquecer meus argumentos
na redação.”

Professora
Sharlene Leite, professora de gramática e de redação do Pódion

“Para esse tema, ele tem que começar mostrando que no Brasil já houve um avanço em relação à representação da mulher. No entanto, ainda há muito a ser melhorado nas questões de condições igualitárias, de cidadania e de respeito social. Iniciaria o texto assim. Ainda na introdução, é interessante apresentar uma solução genérica para o problema, como a ampliação de políticas afirmativas.


No desenvolvimento, o estudante pode argumentar a situação salarial da mulher, que ainda é inferior à de homens com os mesmos cargos no país. A mulher avançou no direito de trabalhar, de votar, mas há um paradoxo em diversas questões. Temos uma presidente mulher, mas pouca representatividade em outros cargos importantes. Essa relação paradoxal precisa estar bem clara.


Para finalizar, citaria que o Brasil ainda é um país arcaico na situação de violência contra a mulher. Ainda que exista a Lei Maria de Penha, as mulheres ainda são tidas como objeto sexual, como mostrou a pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Essa pesquisa é bem interessante de ser citada. Ainda temos a necessidade de separar as mulheres em vagões no metrô para que elas não sofram assédio.


Na solução, gosto sempre de sugerir que pelos menos três agentes sociais sejam utilizados. Os agentes são o Estado, o indivíduo social, a mídia, a família, a escola. Quanto mais envolvidos melhor. O participante pode sugerir projetos de igualdade de gênero nas escolas, de publicidade feitas pelo governo para conscientizar a população. Campanhas para incentivar denúncias e de responsabilidade da iniciativa privada em manter salários iguais entre pessoas de gêneros diferentes para o mesmo cargo dentro da empresa.”

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