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Vazamento preocupa no DF

A denúncia de um candidato do Piauí de que o tema da redação foi antecipado horas antes do início das provas do Exame Nacional do Ensino Médio deixou apreensivos alunos e professores da cidade. As investigações estão sob responsabilidade da Polícia Federal

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postado em 14/11/2014 10:52

Daniela Garcia /Correio Braziliense , Manoela Alcântara

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press
A suspeita de que o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2014 vazou antes da realização da prova, no último domingo, provocou apreensão entre os mais de 6,2 milhões de participantes da edição deste ano. Ontem, a Polícia Federal (PF) abriu inquérito para investigar a denúncia do candidato Jomásio Barros, 17 anos, do município de Picos (PI). O jovem relatou ter recebido pelo celular, via redes sociais, uma foto com cópia da proposta da dissertação, às 10h47 daquele dia (11h47 de Brasília) antes do horário oficial de início do exame, às 13h.

O celular do adolescente foi apreendido pela PF para ser periciado sobre a veracidade da foto. Em Brasília, o assunto repercutiu entre professores de cursos preparatórios, candidatos e especialistas em educação. O diretor do Pódion, colégio preparatório para vestibular e de ensino médio, Ismael Xavier, considera que pode ser uma montagem. “O Enem é um avanço enorme para a educação. Chegar ao nível de uma seleção que inclua quase 9 milhões de pessoas é democratizar o acesso ao ensino superior. Porém, o vazamento precisa ser investigado”, afirma.

Para ele, caso a investigação conclua que as imagens foram repassadas por meio do Whatsapp, o cancelamento de todo o certame deve ser a última opção. “Existem medidas menos prejudiciais. As pessoas que receberam as mensagens podem ser rastreadas e eliminadas. É um investimento muito grande, tanto psicológico quanto financeiro”, completa.

As estudantes do 3º ano do ensino médio Daiane Silva Ribeiro, 17 anos, e Júlia Pereira Dias, 18, se sentem injustiçadas. Elas acreditam que, se o caso for verdade, os beneficiados com a informação podem ter uma nota muito superior à dos outros candidatos. “Se a pessoa vai para a prova sabendo o tema, ela tem mais facilidade para estruturar o texto. Acho injusto”, diz Daiane. Júlia endossa a opinião da amiga: “Saber o tema influencia em toda a estratégia de prova. Nosso maior problema é o tempo. Se eles chegaram lá com o texto estruturado, tiveram um período maior para resolver as questões de matemática, por exemplo”, supõe a candidata.

De acordo com o ministro da Educação, Henrique Paim, o governo federal está seguro de que o processo está sendo muito bem conduzido. “A PF já está identificando o que ocorreu e, em breve, vamos ter o resultado dessa investigação”, declarou. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Aloísio Teixeira (Inep), autarquia responsável pelo Enem, informou, por meio de nota, que garantirá isonomia entre os participantes. “Desde o início do exame, outras denúncias foram recebidas e, quando apuradas, todas se mostraram infundadas”, informa o Inep.

Jomásio postou no Facebook a imagem da redação às 15h41 da tarde de domingo, enquanto a prova ainda estava sendo aplicada em todo o Brasil. Ele questionou a confiabilidade do Enem na postagem: “E agora???????? Como um exame a nível nacional pode ser totalmente seguro e confiável se o tema da proposta de redação já tinha chegado até em mim....”, escreveu o candidato.

De acordo com matéria do Bom Dia Brasil da TV Globo, pelo menos outros seis alunos do Piauí também receberam a foto da suposta prova com o tema “Publicidade infantil em questão no Brasil”.

Investimento

No maior Enem da história, o governo gastou R$ 52 por participante ou R$ 453,5 milhões no total para aplicar a avaliação aos 8,7 milhões de inscritos em 2014. Com a abstenção de 28,6% em todo o país, 6,2 milhões de candidatos fizeram o teste no último fim de semana.
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