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Quase 5 mil escolas tiraram menos de 500 na redação do Enem 2013

Para professora de português, baixo desempenho na redação se deve à falta de leitura e ao déficit no ensino da disciplina

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postado em 22/12/2014 19:58 / atualizado em 22/12/2014 20:07

Ana Paula Lisboa

Pouco mais de um terço dos colégios (33,87%) tiveram nota inferior a 500 pontos na média de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2013. São 4,9 mil entre 14,7 mil instituições de ensino. Com a nota abaixo de 500 na dissertação, elas são classificadas no nível 1 (o mais baixo na prova) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

A professora de português e escritora Lucília Garcez especula que um dos motivos do baixo desempenho dos jovens nas prova escrita seja a deficiência do ensino de redação. “O ensino da disciplina ainda é inadequado. O processo de escrita envolve releituras, reestruturações, revisões: você não entrega um texto sem ler. Esse é o processo normal de escrita, mas nas escolas não é assim. Os professores mandam escrever, o aluno e entrega a primeira versão, o texto é corrido e fim”, critica. “Na prova, faltou o aluno reler, revisar e reestruturar.”

Marcelo Dischinger/Divulgação
Cada brasileiro lê, em média, quatro livros por ano. Tirando os livros didáticos, o número cai para um. Em países desenvolvidos, a média chega a 15. Segundo a ex-professora da Universidade de Brasília, isso prejudica fortemente o domínio do português. “Para dominar a língua, é preciso usá-la na fala, na leitura e na escrita. No quesito leitura, estamos muito mal, e é na leitura que você adquire o domínio da escrita”, observa.

A falta de estímulo também aparece. “Com raras exceções, os professores também não são leitores. A sociedade não é leitora e não gera um ambiente favorável. Para completar, os livros são caros e 75% dos brasileiros nunca entrou numa biblioteca. Somos um país novo, e a era da imagem chegou antes de o Brasil ter se tornado uma nação leitora. Tudo isso contribui para um baixo desempenho na redação.”

Públicas x Particulares
Questionada sobre a diferença de desempenho entre colégios privados e os mantidos pelo Governo, Lucília Garcez defendeu que a disparidade se deve ao envolvimento dos pais. “Os pais das escolas particulares são mais exigentes, afinal estão pagando e querem qualidade. A escola quer garantir matrículas e precisa mostrar resultados. No entanto, nas escolas públicas os pais acham que não estão pagando e não cobram tanto. Também não há competitividade nos colégios públicos”, finaliza.

Lucília Garcez é graduada em letras pela Universidade Federal de Sergipe, com mestrado em literatura pela Universidade de Brasília (UnB) e doutorado em linguística aplicada e estudos da linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

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