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Ciência

Eficiência energética

Trabalho desenvolvido por estudantes brasileiros indica que, além de serem mais econômicas, as lâmpadas LED causam menos danos ao meio ambiente, por não conterem mercúrio

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postado em 18/04/2012 08:00 / atualizado em 17/09/2012 12:05

Celina Aquino

Belo Horizonte — O que era a solução para o setor energético brasileiro virou problema. Apesar de ser mais econômica, a lâmpada fluorescente não tem sido devidamente descartada e, por isso, apresenta um risco ao meio ambiente. O alerta é feito por alunos do curso de ciências biológicas do Centro Universitário UNA, em Belo Horizonte, que apostam na tecnologia LED (diodo emissor de luz) para eliminar o risco de contaminação e gerar economia ainda maior de eletricidade.


A lâmpada fluorescente veio para substituir a incandescente, que ainda é bastante usada, principalmente em residências, por fornecer uma luz mais aconchegante e ser mais barata. Depois do apagão de 2001, quando houve racionamento de energia em todo o país, o governo passou a incentivar o uso da fluorescente, na tentativa de diminuir o consumo de energia elétrica. Também foi anunciado recentemente que a fabricação da incandescente será interrompida. A decisão preocupa os grupo de estudantes, que condenam as lâmpadas fluorescentes em pesquisa apresentada em sala de aula. “O número vai aumentar e muita gente vai descartá-las de forma incorreta, pois desconhece que essas lâmpadas contêm mercúrio, que causa dano à saúde”, diz Vivian Jordania da Silva, uma das autoras do projeto que propõe a instalação de LED em todas as unidades do centro universitário.


Cada lâmpada fluorescente contém 21mg de mercúrio, substância que ajuda a tornar a luz visível. Pode parecer pouco, mas essa quantidade do metal tóxico, se não for descartada de maneira correta, pode contaminar o ar, o solo e a água. O analista de sustentabilidade do UNA, Herbert Lima, explica que o mercúrio é bioacumulador. “Os animais vão absorvendo o metal e, com o passar do tempo, o acúmulo no organismo pode causar danos.” Quando inalado ou ingerido,ele é capaz de afetar o funcionamento normal dos pulmões, do sistema nervoso central, dos rins e do fígado.


A lâmpada fluorescente só polui o meio ambiente se estiver quebrada, o que faz com que o mercúrio escape em forma de vapor. A informação seria animadora se não fosse comum ver o vidro jogado de qualquer maneira no lixo, podendo ser facilmente rompido em um transporte inadequado. Estima-se que, de 100 milhões de lâmpadas fluorescentes consumidas anualmente no Brasil, 70 milhões sejam descartadas de maneira incorreta. “As pessoas jogam essas lâmpadas no lixo comum. Elas acabam quebradas em caçambas ou aterros sanitários e contaminam o solo, o lençol freático, o ar e os alimentos”, pontua Vivian.


Implementada em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos é clara: fabricantes, importadores,distribuidores e comerciantes de lâmpadas fluorescentes são obrigados a recolhê-las depois que são usadas pelo consumidor para dar a destinação adequada, independentemente do serviço público de limpeza urbana. A regra, chamada de logística reversa, prevê a disponibilidade de postos de coleta de resíduos sólidos para toda a população. Mas isso não é o que ocorre na prática. “Infelizmente, para você dar a destinação correta, tem que pagar, o que dificulta muito o descarte. Ninguém quer ter gasto a mais”, observa a universitária. De acordo com Vivian, representantes do setor alegam que o custo de recolher e dar o fim adequado ao material é muito alto.


Alguns empresários enxergaram a oportunidade de ganhar dinheiro recolhendo lâmpadas fluorescentes, mas o levantamento dos estudantes mostra que, ao menos em Belo Horizonte, o preço não é nada acessível. Além do transporte, o consumidor tem que pagar pela quantidade de material que será recolhido em casa. Cada lâmpada inteira custa R$ 0,50 e a lâmpada quebrada vale, em média, R$ 2,50 o quilo. O grupo sugere, portanto, que o poder público de cada cidade fique responsável pelo recolhimento do material, como já ocorre em São Paulo. Na capital paulista, pontos de entrega voluntária recebem, além de lâmpadas, pilhas e baterias.


Com a pesquisa, os universitários querem provar que a melhor alternativa para substituir a fluorescente é a lâmpada LED, ainda pouco usada no país. A primeira vantagem é ela não conter mercúrio, o que elimina o risco de poluição do meio ambiente. Pelo mesmo motivo, as LED podem ser descartadas  com o vidro comum e não precisam de tratamento especial antes da reciclagem. Quando se compara a durabilidade, a nova tecnologia também desponta como a melhor opção. As fluorescentes funcionam por cerca de 30 mil horas, enquanto as LED podem durar 45 mil horas.

O que ainda dificulta a popularização das lâmpadas LED é o preço. Uma unidade chega a custar R$ 100. Até o ano passado, não havia nenhuma empresa no Brasil que fabricasse o produto, que era importado principalmente da China e dos Estados Unidos. Apesar de ainda não ter a tecnologia para produzir todos os componentes das LED, que continuam a ser trazidos de outros países, a boa notícia é que elas algumas peças começam a ser produzidas aqui. “Isso aumenta o incentivo para o brasileiro comprá-las”, ressalta o analista de sustentabilidade do UNA.

Apesar de reconhecer que o gasto com a implantação da lâmpada LED é mais alto que o da fluorescente, a universitária Vivian da Silva não tem dúvida de que a nova tecnologia deve ser mais usada. “Você vai ter um custo inicial alto, mas, com o tempo de uso, consegue economizar na conta de luz e ter retorno do seu investimento. A LED consome bem menos energia”, diz.

O engenheiro de soluções energéticas da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) Leonardo Resende Rivetti defende que o consumidor mude a lógica. “É preciso analisar quanto custa utilizar o equipamento, e não o valor dele. Assim, a pessoa vai tomar uma decisão consciente.” Segundo Rivetti, o valor de uma lâmpada LED já baixou bastante desde que chegou ao Brasil, quando custava cerca de R$ 300. Ele afirma que a nova tecnologia consome, sim, menos energia e está se mostrando economicamente atrativa, por ser mais durável.

Memória

Tragédia
no Japão


A maior catástrofe envolvendo mercúrio ocorreu em 1953 na cidade de Minamata, no Japão. A população foi contaminada pelo metal pesado, que se acumulou em peixes. Mais de 900 japoneses morreram e muitas crianças que nasceram depois do desastre ficaram com graves sequelas. Ao que tudo indica, a culpa foi de uma fábrica de carbureto de cálcio, que lançava resíduos no mar. A tragédia foi tão marcante que a síndrome causada pelo mercúrio é chamada de doença de Minamata, cujos principais sintomas são febre alta e convulsões, uma vez que afeta o sistema nervoso central.

 

 

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