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O toca-discos dos adolescentes

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postado em 11/09/2012 13:11 / atualizado em 11/09/2012 13:21

A indústria da música foi uma das primeiras a sofrer transformações profundas com a internet por conta de uma ação: a possibilidade de baixar canções pela internet, seja ilegalmente —  por torrent ou outros programas de compartilhamento —  ou de acordo com a lei (pelo iTunes e outras lojas). Entretanto, esse ato pode se tornar coisa do passado — não por conta de restrições de direitos autorais, mas simplesmente porque o hábito de fazer download de canções pode ser substituído por sites de streaming — ou até mesmo pelo YouTube.

A tendência, assim como na época do Napster, começa pelos jovens. Segundo o estudo Music 360, divulgado pela Nielsen em agosto, o YouTube é o meio mais utilizado por adolescentes norte-americanos para escutar música. A pesquisa, que entrevistou 3 mil pessoas nos Estados Unidos, revelou que 64% dos jovens utilizam a página, comprada pelo Google em 2006, como forma primária para ouvir canções — seguido de rádio (56%), iTunes (53%) e CDs (50%). O meio digital também é predominante na hora de comprar: 36% deles dizem ter adquirido um disco físico no último ano, enquanto 51% pagaram para baixar músicas.

Para o professor Paulo Bastos Martins, do Departamento de Midialogia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), as mudanças que a internet causou na indústria da música e no modo como consumimos outras mídias são naturais. “A internet é só um meio, e todos nós temos que nos adaptar a ele. A partir do momento que você enxerga a rede dessa maneira, tudo fica mais simples. Acho que estamos encarando todas essas transformações como um mito”, defende.

O estudante Raul Alexandre Gomes Costa, 16 anos, usa o YouTube não só para ouvir músicas, mas também para descobri-las. “Eu prefiro escutar por lá primeiro, para saber se ela é legal”, conta. Ele diz preferir o site de vídeos do Google pela variedade de opções. “Você sabe que, se procurar uma canção lá, vai achar”, opina. Ele também diz que sempre utiliza a página para mostrar uma música que conheceu para um amigo.

Alternativas
Quando o assunto é direitos autorais e propriedade intelectual, a polêmica permanece. Para o pianista e maestro Renato Zanuto, mesmo antes do meio digital nunca houve uma fiscalização adequada. “Com a internet, ela é praticamente impossível. Mas, no caso do YouTube, há pagamento de direitos autorais para os vídeos oficiais”, comenta. O maestro lembra que o mercado mudou de uma forma que não há como voltar atrás. “A maior vantagem está na divulgação do trabalho por esses canais para alavancar a venda de shows, principal fonte de renda de músicos e produtores.”

A gravadora Trama, que tem Elis Regina entre seu rol de artistas, começou desde cedo a se adaptar às novas formas de consumo da música. “Creio que as gravadoras, como conhecemos, não existem mais e adotaram uma postura diferente ao perceber que não são vendedoras de suportes físicos, como CDs, DVDs e vinis”, ressalta o filho da cantora e presidente da Trama Entretenimento, João Marcello Bôscoli. Em 2008, a empresa passou a oferecer álbuns em seu site gratuitamente para download e conta ainda com a TV Trama, mostrando o que acontece nos estúdios, e com a comunidade Trama Virtual.

Bôscoli acredita, inclusive, que plataformas como o YouTube ajudam as gravadoras, pois divulgam as músicas e há remuneração. “Recebemos dinheiro do site baseado em nossos views”, argumenta, lembrando ainda que a Trama se sustenta pela publicidade, assim como rádios e TVs abertas. E a gravadora não para por aí. “Nosso novo projeto será lançado este mês em parceria com o YouTube: o primeiro canal de música diário em live streaming, duas horas por dia”, anuncia.


"Com a internet, a fiscalização é praticamente impossível. Mas, no caso do YouTube, há pagamento de direitos autorais"
Renato Zanuto, pianista e maestro

Playlist instantânea

Além de sites de vídeos, páginas que oferecem acesso por streaming - sem precisar de download - são as opções. Entretanto, alguns preferem o bom e velho disco de vinil 

Os downloads de música não estão sendo substituídos apenas pelo YouTube, mas também por serviços de streaming (sites de distribuição multimídia). Muitos deles, oferecem também suas próprias versões para smartphones, diminuindo ainda mais a necessidade de baixar.

Para o tecnólogo em web, áudio e vídeo Ângelo Roosevelt, isso acontece porque a internet está em quase todos os lugares, oferecida por wi-fi sem custo em shoppings, bares e lojas. “Isso favorece para que o jovem crie sua playlist nas nuvens e ouça músicas, inclusive com clipes, em seus celulares”, detalha. Para Ângelo, esse comportamento ainda deve crescer com a vinda da internet 4G para o Brasil.

A estudante de publicidade Ana Paula Campos, 23 anos, por exemplo, é adepta ao GrooveShark. “Eu uso porque eu posso deixar listas de músicas prontas e ouvi-las a hora que quiser, com qualidade de download”, defende. Já o estudante de engenharia civil Igor Felipe Silva, 22 anos, prefere o SoundCloud, onde escuta, compartilha e comenta as músicas. “Gosto muito do acervo de eletrônicas e também ouço algumas independentes, como as de bandas de amigos meus que usam o site para mostrar seu trabalho”, aponta.

E não são apenas os músicos que utilizam a rede para difundir os sons que produzem. Nick Ellis, 42 anos, é RP do site TechTudo, CEO e sócio da Digital Drops (digitaldrops.com.br) e tem em seu perfil do Twitter a seguinte descrição: “Hm homem com uma missão: tocar e postar 366 Músicas, uma por dia do ano” — lembrando que estamos em ano bissexto. Ou seja, até hoje, terça, ele já pôs 255 músicas na web.

“Comecei como uma bincadeira, uma terapia, fazendo cover de músicas de outras pessoas, muitas vezes com a ajuda de amigos em outros instrumentos”, conta. Nick prefere usar um canal no YouTube para postar as músicas, e usa o Tumblr e outras mídias sociais para fazer divulgação. Os vídeos já tem quase 313 mil acessos. “Acho muito legal as possibilidades que a internet oferece, para divulgar e procurar novas músicas, mas confesso que na hora de escutar sou mais old school e prefiro meus CDs ou pelo menos fazer download e ouvir no iPod.”

Mesmo com a facilidade de ouvir músicas pela internet, ainda tem gente que não abre mão de maneiras mais clássicas de escutar um som, como o disco de vinil. É o caso de Júlia Hammes, 23 anos, diretora de marketing da empresa pinguimap.com. “Tenho esse hábito desde pequena, pois minha irmã mais velha escutava vinis da turma do balão mágico, sítio do pica-pau amarelo, trem da alegria e outros”, conta. Hoje, Júlia e a família têm cerca de 150 discos, sendo 50 só dela, mais a vitrola que ganhou aos 17 anos.

Para a diretora de marketing, a maior vantagem do vinil é a definição do som, mais natural, e o fato de poder aproveitar a experiência com os amigos. “Levamos os discos pra casa um do outro e vamos às compras juntos”, diz. A paixão, entretanto, não faz com que Júlia abandone a internet. Ela explica que não se encontra tudo em vinil — mesmo quando encontra, às vezes o preço não cabe no orçamento — e que gosta da facilidade de poder levar as músicas do computador para outros dispositivos. “A internet fez o que com o vinil seria impossível: expandiu os espaços para a música dentro do nosso cotidiano, mas nunca conseguiu reproduzir a mesma qualidade e não tem a carga histórica que alguns discos tem.”

Apple de olho
Outra empresa que estuda entrar no mercado de música por streaming é a Apple. Segundo o Wall Street Journal, a empresa de Tim Cook entrou em contato com gravadoras, visando licenciar conteúdo para um serviço que pudesse competir com o Pandora, forte nos Estados Unidos. O serviço estaria disponível em computadores e celulares. A fabricante do iPhone e do iPad já vende músicas pela loja iTunes e, em 2010, tentou expandir os negócios na área com a mal sucedida rede social Ping.

 

 

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