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Cinema de muitos

Para driblar as dificuldades no Distrito Federal, diretores, criadores e empresas unem-se em coletivos de produção. Correio destaca cinco grupos de realizadores

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postado em 12/09/2012 08:00 / atualizado em 11/09/2012 13:11

Essencialmente, o cinema é uma arte feita em equipe. No Brasil, alguns realizadores têm estendido essa premissa para além da criação de um filme, unindo forças em torno de grupos de profissionais cinematográficos. Em outros estados brasileiros, esses coletivos de cinema têm sido responsáveis pelo aparecimento de experiências importantes de linguagem, caso do laboratório empreendido pelos mineiros da Teia. No Ceará, o Alumbramento (Estrada para Ythaca, Os monstros) encarou narrativas feitas com muito pouco dinheiro. No DF, a reunião de esforços assume diferentes identidades e modos de produção. O Correio rastreou algumas dessas ações.

Lema social
A principal característica do coletivo Muruá é o envolvimento com ativismo social. Formado há cinco anos, o grupo de quatro integrantes é guiado por um lema: “É possível conciliar nossas ideologias com o trabalho que a gente desempenha. É a comunicação como ferramenta de transformação”, declara Alan Schvarsberg, um dos participantes. Não existem hierarquias no trabalho do grupo. As decisões em torno da administração dos serviços são feitas de forma coletiva. “Não agregamos pessoas de fora do coletivo sem o desenvolvimento da proposta horizontal. Trabalhamos com ativismo social. Nossa visão é de profissional independente. Não temos funcionários. Não tem essa coisa de empresa. É um coletivo”, descreve Antônio Francisco.

Muruá
» Ditadura da especulação (co-produção), de José Furtado
» Brasília, rizoma da cultura popular (documentário em produção), de Alan Schvarsberg
» Maio, nosso maio (animação), de Farid Abdelnour
» Roda mundo, de Antônio Francisco
» Rua Cinema Nosso (mostra de cinema)

Força dupla No dia da entrevista com os integrantes dos coletivos Projeto Nome e Kinólatras, o foyer da Sala Villa-Lobos ganhou ares de grande evento, tamanha era a quantidade de integrantes dos grupos. Os dois coletivos funcionam como vasos comunicantes interligados por projetos audiovisuais. Além de completarem rodízio em uma produção ou outra, os participantes também se revezam entre as funções de uma mesma produção. Sem patrocínio, as criações do Projeto Nome são bancadas por mensalidade pagas por cada um. “Nós nos reunimos uma vez por mês no Espaço Cultural da 508 Sul e recolhemos as contribuições. É a única parte burocrática do grupo”, explica Rodrigo Huagha. No caso dos Kinólatras, as atividades não são agendadas. “Nós nos organizamos de forma bem orgânica, não tem periodicidade. Temos uma ideia e vamos conversar”, explica o cineasta Gustavo Serrate. 

Projeto Nome e Kinólatras
» Infrator, de Gustavo Serrate e Rodrigo Huagha
» Bastar, de Gustavo Serrate
» Kinólatras (2012), de Gustavo Serrate, Rodrigo Huagha e Tiago Belotti
» Sinuca, pôquer e algumas joias para barba (longa-metragem), de Erdman Correia
» Projeto nome (longa-metragem), direção coletiva 

Casa de criação A sede do coletivo Caza Filmes não é uma residência, mas uma sala comercial de um shopping center no Lago Norte. No dia a dia, trabalham os cineastas Viça Saraiva e Érico Cazarré, mas a sede acolhe projetos audiovisuais de diversos realizadores em sistema de parceria. Não raro, os criadores se revezam para desempenhar outras funções nos filmes tocados pelo coletivo. “Quem traz um filme para cá tem de estar disposto a falar e a ouvir. Alguns projetos ficaram diferentes ao longo do tempo, mas dificilmente saem do mesmo tamanho”, filosofa Cazarré. O ator Juliano Cazarré, no ar como o Adauto, de Avenida Brasil, enxerga, no coletivo, a possibilidade de trabalhar com os irmãos, Érico e Marieta. Ao lado do primeiro, ele dirigiu e atuou no curta Véi enquanto finaliza a animação Roza, com a irmã. “Sempre tive esse sonho de trabalhar com a família. Acabei trilhando um caminho sozinho, mas sempre achei que daria para conciliar trabalhos com eles”, declarou. 

Caza Filmes
» A arte de andar pelas ruas de Brasília, de Rafaela Camelo
» Expedição Abrolhos, de Érico Cazarré e Márcio Miranda
» Elemento de fixação, de Murilo Seabra
» Véi, dos irmãos Cazarré
» A caroneira, de Otávio Chamorro e Tiago Vaz
» Zé do Pedal, acima da terra e abaixo do céu, de Viça Saraiva e Márcio Garapa
» O menino e o mendigo, de Renata Diniz (pré-produção)
» Atrás do muro, Murilo Seabra (em finalização)

Ceilândia livre O coletivo de cinema de Ceilândia nasceu da completa falta de representação da cidade de 400 mil habitantes no audiovisual. A gestão dessa história de resistência, no entanto, é bastante relaxada. “Partimos da premissa de que cada um pode fazer o que quer. O coletivo é um ponto convergente, um catalisador. Existe liberdade para assinar como coletivo ou individualmente”, descreve o cineasta Adirley Queiróz (foto), um dos membros mais ativos. “As discussões agregam muito. Não teria tanta invenção no universo que eu quero representar sem o coletivo”, reconhece Queiróz. Atualmente, os integrantes estudam a inclusão da produção de material crítico de cinema escrito por seus integrantes.

Ceicine
» Rap, o canto da Ceilândia, de Adirley Queiroz
» Dias de greve, de Adirley Queiroz
» Fora de campo, de Adirley Queiroz e Thiago Mendonça
» A cidade é uma só?, de Adirley Queiroz

Célula produtora A Casa 30 é a reunião de cinco empresas: TMTA Comunicação, Pavirada Filmes, Start Filmes, Quartinho Direções Artísticas e Menina dos Olhos. Pela sede do grupo, uma casa de dois andares de número 30, localizada na Asa Norte, circulam pelo menos 21 pessoas diariamente entre sócios, funcionários e estagiários. O maior cômodo abriga uma área de trabalho em comum e as subdivisões entre as empresas preenchem o espaço. “Casa 30 é um selo da reunião das empresas. Um guarda-chuva para projetos audiovisuais, publicidade, design e direção artísticas ”, explica um dos sócios, Cléber Machado. A parte administrativa é tocada como em um condomínio. “Toda primeira segunda-feira do mês nos reunimos para discutir as questões administrativas e os próximos projetos”, explica Maíra Carvalho, uma das sócias responsável pelo núcleo Quartinho. A última investida da Casa foi a inclusão de um núcleo educativo (Menina dos Olhos) e a realização do Curso de Cinema para Crianças.

Casa 30
» Colher de chá, de J. Procópio
» Bibinha, a luta continua, de Adriana de Andrade
» O último cine Drive-in, de Iberê Carvalho (pré-produção)
» Maria Lenk — A essência do espírito olímpico, de Iberê Carvalho
» Lançamento do DVD Cinema para crianças, com filmes produzidos pelo coletivo;
» Festa contraplano (realizada durante o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro)
» O fim e os meios, de Murilo Salles (coprodução)
» A turma da Camber e a fantástica história do Patinho Feio, de Denilson Félix (coprodução)

 

 

 

 

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