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Tecnologia

Um avanço sutil

O iPhone 5 pode decepcionar aqueles que esperavam por grandes inovações. Para especialistas, a maior preocupação da Apple foi melhorar aspectos do modelo anterior

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postado em 14/09/2012 12:38 / atualizado em 14/09/2012 12:41

Roberta Machado

Depois de revolucionar o mercado dos smartphones, a Apple tem nas costas a responsabilidade de presentear o público com produtos que sigam o seu slogan: “Pense diferente”. Dessa forma, os fãs da companhia sempre esperam que a próxima versão de um produto seja repleta de novidades. Atender a compradores tão exigentes parece ter ficado difícil depois da morte do fundador e ídolo da empresa, Steve Jobs, há quase um ano. O primeiro smartphone da Apple criado desde então foi anunciado na quarta-feira em um show que teve clima de reprise. Especialistas e fãs atestam a qualidade do iPhone 5, mas confirmam a decepção com o lançamento sem novidades bombásticas.

Das mudanças anunciadas pelo atual presidente da empresa, Tim Cook, muitas já eram faladas há meses pela internet. Inclusive a maior de todas, a tela mais longa, de 4 polegadas, a primeira a sair do padrão dos outros iPhones. Essa foi a maneira encontrada pela Apple de não perder a corrida para outras empresas que atacam com formatos de até 5,5 polegadas. O diferencial é que o telefone da maçã só cresceu para cima, mantendo a largura do aparelho, considerada confortável para manuseá-lo com uma só mão.

Também confirmando os boatos, o telefone ficou 20% mais leve, graças à espessura 18% menor, o que mereceu elogios do chefe de Marketing da Apple, Phil Schiller. “É uma joia absoluta. O software e o trabalho de engenharia empregados neste produto são os maiores desafios que nossa equipe já assumiu”, afirmou, durante o lançamento, em San Francisco. O aparelho pesa 112g e é anunciado como o mais fino smartphone do mundo. A cobertura de vidro traseira condenada pelo público também foi substituída por uma mais resistente, de alumínio.

Em resumo, a maioria das novidades são, na verdade, melhorias do modelo anterior. “A tendência por um bom tempo serão as inovações incrementais. Não se esqueça de que há uma guerra de patentes e um mercado há muito tempo saturado. Não há nesse momento condições para inovações disruptivas. Por que mudar um time que está ganhando?”, avalia Marcelo Zuffo, pesquisador do LSI – Laboratório de Sistemas Integráveis de Engenharia da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

Para o especialista, a Apple focou em corrigir críticas feitas aos modelos anteriores, como a lentidão de conexão e de processamento. O novo processador A6 tem quase o dobro da potência do anterior. “A Apple aprimorou o microprocessador, que é o coração do celular, mas não a memória. Há uma tendência de a memória ser menor, e os arquivos ficarem na nuvem. Assim, os celulares podem ser mais baratos, como deve ser o novo iPhone”, compara Zuffo. Estima-se que cada gigabyte adicional nos aparelhos da Apple custe US$ 2, enquanto ela cobra apenas US$ 25 pelo uso de 90GB da iCloud por um ano.

O serviço da nuvem fica mais acessível com a nova conexão 4G LTE do iPhone 5. O antigo 3G tinha capacidade de download de 10 Mbps, apenas 1/10 do potencial da nova geração. Com ela é possível, por exemplo, baixar arquivos com mais rapidez, ver vídeos em alta resolução em tempo real e acessar sites com um tempo de carregamento muito menor. O serviço já está em uso nos Estados Unidos e na Europa há dois anos, e era esperado no novo iPhone.

O problema é que nada disso estará disponível no Brasil. “A rede 4G só está prevista para o país a partir de 2013, e só nas cidades da Copa do Mundo. Aqui, o iPhone vai se conectar pela rede 3G mesmo”, explica o professor de engenharia elétrica da Universidade de Brasília (UnB) André Noll. “Não vale a pena. Porque, quando a rede chegar ao Brasil, daqui a um ano, haverá um celular mais moderno com a mesma transmissão”, acredita André.

Os fãs assumidos da Apple, no entanto, defendem o novo aparelho, mas admitem que não tiveram a fome por novidades saciada. “Realmente, a Apple não surpreendeu. Primeiro, porque vazaram muitas informações, e também porque não teve nenhuma ‘próxima grande coisa’, como o Steve Jobs sempre procurava fazer. A gente espera que ela inove, e não foi isso o que aconteceu”, lamenta William Neves, blogueiro do site Apple Addicted.

Desejos
Enquanto os rumores circulavam, o público imaginava tudo o que queria no novo sistema iOS 6, e ainda debatia desejos na internet, como uma assistente pessoal Siri que falasse português. “Eu queria que ele tivesse mais compartilhamento de widgets, que são as informações rápidas na tela. Também não entendi por que não veio com a tecnologia MSC, que usa o contato do telefone para fazer pagamentos, como o Galaxy e alguns Motorolas”, lista Neves. “Mas é um aparelho ótimo, não vejo necessidade de a Apple convencer ninguém”, ressalta o blogueiro, que deve trocar seu iPhone 4S pelo novo assim que puder.

Além do design, do processador e da conexão, o iPhone 5 também ostenta outras reformas baseadas no modelo antigo. As câmeras têm os mesmos 1,3MP e 8MP que as do 4S, mas com a função HD na lente frontal, um sistema de foco aprimorado e a função panorâmica. Há ainda ganha a opção de tirar fotos enquanto filma. Já o novo sistema iOS esbanja um aplicativo de mapas e mais funções para a assistente Siri, que agora dá sugestões de passeios e até mesmo posta no Facebook. Os acessórios também ganharam outras formas: o cabo ficou 80% menor, e o fone de ouvido, mais anatômico (veja quadro).

A pré-venda do iPhone5 começa hoje, e o aparelho chega às lojas de alguns países em uma semana. No Brasil, ele deve ser lançado até dezembro, bem a tempo do Natal. O preço varia de US$ 199 a US$ 399, mas ainda não há valores definidos para o país. Como nos Estados Unidos o smartphone não será vendido desbloqueado, os que não quiserem esperar podem procurar o aparelho no Canadá ou na Europa.
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