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Correio Braziliense

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Do serviço de casa às vendas no comércio

Pela primeira vez, segundo o IBGE, há mais mulheres empregadas no varejo do que em tarefas domésticas. Maior nível de escolaridade sustenta a ascensão no mercado

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postado em 26/09/2012 08:00 / atualizado em 25/09/2012 11:05

O mercado de trabalho brasileiro ganhou uma nova cara. E a face mais visível está entre as mulheres. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2011, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pela primeira vez, o trabalho doméstico deixou de ser a principal ocupação da mão de obra feminina. Agora, elas estão em maioria no comércio.

Nos últimos dois anos, a participação das domésticas no grupo de mulheres que estão empregadas caiu de 17% para 15,7%. Já o total das que tiram o sustento das vendas subiu de 16,5% para 17,6%. E essa mudança veio para ficar, na análise de Renato Meirelles, sócio-diretor do Instituto Data Popular. Primeiro, porque elas ampliaram o nível da educação. Segundo, caiu o fluxo migratório de camadas de baixa renda da Região Nordeste para trabalhar em casas de família. Terceiro, muita pessoas das novas gerações não querem repetir as profissões dos pais.

“A filha não quer ser empregada doméstica porque sente vergonha da mãe. Pelo contrário. Tem muito orgulho. A questão é que ela não enxerga possibilidade de crescimento pessoal. Então, estuda para ter emprego com plano de carreira”, explicou Meirelles. Segundo ele, o nível de escolaridade também tem sido importante para as mudanças. “Cada ano de estudo implica em aumento de 15% no salário médio”, assinalou. As mulheres já representam 51,5% da população brasileira (195,2 milhões de pessoas), segundo a Pnad.

Embora ainda pertençam ao grupo com maior dificuldade para encontrar trabalho, junto com negros, pardos e jovens, e de ganharam, em média, 70,4% dos salários pagos aos homens, elas começam a despontar em empregos de melhor qualidade e são, em muitos casos, o primeiro membro da família a entrar para a universidade. É o caso de Vanessa Rodrigues, 23 anos, que trabalha em lojas de artigos femininos, há cinco anos. “Comecei aos 17, como vendedora. Aos 18, fui promovida. Estou como gerente há três anos ”, contou. Ela é formada em Administração de Empresas, mas não parou de estudar. Ganhou uma bolsa integral para a faculdade engenharia civil e resolveu encarar o desafio. De uma família goiana de quatro filhos, é a mais velha. A mãe nunca trabalhou; o pai é funcionário de um restaurante.

Luciene Braga, 29, já passou por outros empregos antes de chegar a uma loja do Brasília Shopping. Divorciada, com um casal de filhos, precisa superar empecilhos todos os dias, para não faltar às aulas, também em uma faculdade de engenharia. “Estudo nos fins de semana, nas folgas, de madrugada. E ainda consigo bater as metas de venda. Tudo é possível com um pouco de esforço e de boa vontade. Escolhi Engenharia porque, das carreiras mais conceituadas, foi a que se encaixou na minha vocação”, ressaltou. Sua programação diária é apertada. Às 9 da manhã, deixa os filhos na escola e uma sobrinha os busca depois. Luciene é a mais nova de oito irmãos e o orgulho da família. “Só eu consegui estudar. Meus irmãos são caseiros em sítios de Minas. Um deles, servente, mora com minha mãe, de 69 anos, que sempre foi dona de casa”. O pai de Luciene é caminhoneiro aposentado.

Ana Paula Levay, 24, escolheu o comércio como a porta de entrada ao mercado de trabalho. “É o local mais fácil de encontrar emprego. Em outros lugares, exigem cursos diferentes e experiência”, justificou. Começou em uma loja pequena, por indicação de amigos. Há seis anos, foi para outra maior, que lhe deu tempo e possibilidade de entrar para a faculdade de fisioterapia. Para estudar, conta com o apoio da mãe, que já concluiu o nível superior, e do pai, comerciante. Mais velha de dois irmãos, Ana Paula sonha em ser radialista ou humorista. “Qualquer coisa ligada à TV. Estou fazendo cursos, conhecendo pessoas. Começo as aulas de locução no mês que vem”, contou.

Apesar de jovens, essas comerciárias sabem, de acordo com o local onde trabalham, manter um saudável clima de disputa, em busca de cumprimento das metas. Para trabalhar no comércio, segundo elas, não basta apenas ser bonita. É preciso consciência de que lidar com o público não é fácil. O cliente tem sempre razão. Por isso, dão algumas dicas: clareza nas informações e cortesia são fundamentais. Bom humor, alto astral, agilidade, desenvoltura, vestuário apropriado e tom de voz na altura certa são ingredientes importantes para cativar o cliente e conseguir aquela venda que faz a diferença. 

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