SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Um cérebro evoluído há 520 milhões de anos

Fóssil de artrópode descoberto na China tem estruturas neurológicas semelhantes às de bichos que vivem hoje. O desenvolvimento na antiguidade pode justificar a predominância desses animais na Terra

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 15/10/2012 17:31 / atualizado em 15/10/2012 17:57

Xiaoya M-Nature/Divulgação - 13/2/04
O cérebro é,sem dúvida, a estrutura central da evolução dos animais. Foi ele que possibilitou a conquista do ambiente terrestre, o início do sedentarismo dos seres humanos e da formação de estruturas sociais em inúmeras espécies, desde macacos a  baleias. Por essa razão, entender a evolução do órgão é uma das mais importantes etapas para se compreender a própria evolução da vida. Cientistas da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, divulgaram nesta semana mais uma importante peça desse quebra-cabeça. Em artigo publicado na revista Nature, eles afirmam que o cérebro dos animais ganhou os contornos de modernidade bem antes do que se imaginava, há mais de 520 milhões de anos.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores utilizaram como base um fóssil do artrópode Fuxianhuia protensa, encontrado em um sítio arqueológico do norte da China. Segundo os cientistas, os detalhes da rocha mostram um cérebro anatomicamente complicado. “Acreditamos se tratar de um cérebro devido suas dimensões e posição. Aparentemente, ele semostra comparável como de um crustáceo moderno, como um camarão”, explica Gregory Edgecombe, do Museu de História Natural de Londres, principal autor da pesquisa. Segundo ele, as afinidades não são apenas superficiais. “Existe uma semelhança impressionante na anatomia neurológica do artrópode com os insetos modernos e alguns tipos de crustáceo. Isso indica que o cérebro do artrópode evoluiu para permitir que ele tivesse uma boa estrutura de visão”, completa.

Dessa forma, o animal, ao conquistar o ambiente terrestre, teria desenvolvido mais cedo do que esperado uma visão poderosa para padrões evolutivos do período. Essa visão, teria sido o pontapé inicial para os artrópodes se tornarem o grupo mais diverso do planeta atualmente eles representam 84% dos animais existentes na Terra. O grupo inclui insetos, como gafanhotos e abelhas; aracnídeos, como aranhas, acne de pele e alguns tipos de ácaro; e crustáceos, como lagostas e caranguejos. Também estão compreendidos os quilópodes e diplópodes, representados, por exemplo, por centopeias e piolhos de cobra. Ao todo, existem cerca de 1 milhão de espécies desses animais.

“Elo perdido”

A expectativas dos especialista é de que a espécie Fuxianhuia protensa, descrita pela primeira vez no artigo desta semana da Nature seja o “elo perdido” na evolução dos artrópodes. O cérebro do animal fossilizado é composto por três segmentos, unidos na entrada do que seria a boca do bicho, extinto há milhões de anos. Há ainda traços de tecidos neurais no lugar onde os cientistas acreditam que estariam localizados os olhos. “Ficamos surpresos com um animal com cérebro tão evoluído tão cedo na história dos seres multicelulares”, observou, em comunicado, o neurobiólogo Nicholas Strausfeld, da Universidade do Arizona e um dos coautores da pesquisa.

Nos próximos anos, os pesquisadores precisarão se debruçar sobre uma série de questões que foram abertas a partir do estudo divulgado. Será preciso desvendar, por exemplo, o caminho evolutivo que a espécie seguiu para desenvolver o cérebro tão complexo ecomoos animais contribuíram para a formação dos mais de 1 milhão de espécies modernas de artrópodes. Outro ponto importante que precisará ser elucidado é como e quando surgiram e desapareceram os Fuxianhuia protensa, o primeiro “gênio” que se tem notícia na história dos seres vivos.

A tarefa não será nem um pouco fácil, garante o especialista Graham Budd. “Certos tipos de tecidos como ossos e casca são muito mais propensos a serem preservados no registro fóssil do que outros devido à natureza de sua mineralização”, explica o cientista do Departamento de Ciências daTerra da Universidade Uppsala, na Suécia. Tecidos moles,como músculos, são em grande parte proteicos e, portanto, passível de decomposição, sendo menos propensos a resistirem à oxidação, à limpeza, a danos mecânicos e a todas as outras vicissitudes que conspiram para fazer o trabalho de um paleontólogo difícil”, completa. Assim, encontrar outros fósseis do ser ou de outros parentes que ajudem a recontar a história de crescimento dos cérebro é uma tarefa dificílima.

Marcas da história

Os fósseis são restos de seres vivos ou vestígios de atividades biológicas, como ovos e pegadas, preservados em diversos materiais, especialmente em rochas, no gelo, no piche, âmbar, solos, caverna. Preservam-se como moldes do corpo ou partes do próprio ser vivo. A totalidade dos fósseis e sua colocação nas formações rochosas e camadas sedimentares são conhecidas como registro fóssil. A palavra fóssil deriva do termo latino fossilis, que significa desenterrado ou extraído da terra.

520
MILHÕES DE ANOS
Idade do fóssil
encontrado

84%
dos animais existentes no
planeta são artrópodes

 

 

 

 

Tags:

publicidade

publicidade