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Informática

Pequenos e valentes

Apple apresenta hoje a versão menor do iPad. A intenção é disputar o mercado de tablets de até sete polegadas, mais utilizados para leitura, como o Kindle, da Amazon, que planeja a estreia no Brasil

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postado em 23/10/2012 09:49 / atualizado em 23/10/2012 09:51

Hoje, em evento nos Estados Unidos, a Apple deve mostrar ao mundo o especulado iPad míni, que, segundo os rumores, é uma versão menor do tablet produzido pela maçã, com 7 polegadas. A jogada da empresa de Cupertino é simples: entrar no mercado de tablets pequenos, algo desprezado por Steve Jobs, mas cujo potencial foi comprovado com sobras após os sucessos do Nexus 7, do Google, e do Kindle Fire, da Amazon, ambos com surpreendentes índices de venda após seu lançamento.

Os dois não têm o mesmo apelo visual do desejado tablet da Apple, mas encontraram uma estratégia igualmente eficaz para atrair o consumidor: apelar para o bolso. Kindle Fire e Nexus são vendidos na faixa dos US$ 200, quase a metade do preço da versão mais barata do iPad. E o crescimento da participação da concorrência explica porque a maçã têm interesse em fabricar uma versão com 7 polegadas de seu tablet. Segundo pesquisa realizada pelo Pew Internet & American Life Project, a fatia do Android saltou de 15% para 48% de 2011 para 2012 — destes, 21% são Kindle Fire.

Além do preço mais baixo que o iPad, o Kindle Fire se aproveita de uma carta que o Google não tem: a extensa oferta de conteúdo da Amazon, a maior loja on-line do mundo. Rodando uma versão modificada do Android com aplicativos e navegador próprios, a empresa usa seu acervo à venda como base do modelo de negócios. O custo de produção do Fire é maior do que seu preço, mas a Amazon recupera o prejuízo com a venda de filmes, séries, serviços de nuvem e, principalmente, e-books.

A Amazon, por sinal, já prepara sua chegada ao Brasil. A previsão para o início das operações da empresa de Jeff Bezos no Brasil era em setembro deste ano, mas a estreia acabou adiada para 2013. A principal dificuldade está em fechar contratos com editoras nacionais, que temem a conhecida política agressiva de negociações da empresa norte-americana. Em agosto, a companhia conseguiu adquirir o endereço www.amazon.com.br, que pertencia à uma empresa de tecnologia do Pará.

Os entraves teriam feito a Amazon até considerar a compra da Saraiva. Segundo a agência Bloomberg, a empresa de Seattle estaria interessada na aquisição para diminuir os entraves com as editoras nacionais e aumentar sua base de operações no Brasil. Procurada pelo Correio, a Saraiva disse não comentar boatos e especulações.

Começo
Por enquanto, o mercado de e-books é incipiente no país. Segundo pesquisa feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), sob encomenda da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), o faturamento de livros digitais em 2011 foi de R$ 868.472,72, o equivalente a 0,01% do total arrecadado pelo setor no mesmo ano: cerca de R$ 4,83 bilhões. Foi a primeira vez que o estudo levou em conta o faturamento de e-books no Brasil.

Entretanto, os números não são muito precisos, pois a própria definição de livro digital ainda é debatida por setores do mercado. “Fica difícil de mensurar, pois alguns acreditam que um pdf, um formato amplamente trabalhado por editores, não é digital. Para mim, o livro só não é digital quando está impresso no papel”, pondera Susanna Florissi, diretora da CBL e coordenadora da Comissão do Livro Digital, que orienta o órgão sobre as novidades e tendências do formato.

Apesar do começo lento dos e-books no Brasil, Susanna acredita que a transição do papel para o formato digital é inevitável. “Em grandes feiras do mercado literário, como a de Frankfurt, você vê o conteúdo sendo distribuído nas mais diversas plataformas: nuvem, tablets. Há também várias formas de se vender o conteúdo, como distribuir apenas um capítulo. E no Brasil, onde há praticamente dois celulares por habitante, é uma ótima forma para distribuir conteúdo.”
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