Em surto, operário invade escola na Asa Norte

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postado em 26/10/2012 09:07 / atualizado em 26/10/2012 08:09

Amandda Souza

Viola Junior
Um homem invadiu a Escola Classe da 316 Norte na manhã de ontem, por volta das 7h30, horário em que os portões ficam abertos para a chegada dos alunos. Benedito Lopes da Costa, 47 anos, operário em uma obra de edifício na quadra, entrou correndo no colégio, em meio às crianças, e se escondeu em uma das salas de aula, onde estavam uma professora e um pai. Ele gritava que alguém o perseguia a fim de matá-lo. Após ficar cerca de cinco minutos na sala, ele se dirigiu ao banheiro dos professores, onde se trancou. Ninguém foi ameaçado e as crianças não perceberam o ocorrido, pois se reuniam no pátio. Meia hora depois, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram chamados e o homem foi levado para o Hospital Regional da Asa Norte (Hran). A Secretaria de Saúde informou que Benedito deu entrada no Hran com quadro de “distúrbio psiquiátrico por abuso de bebida alcoólica”. Na unidade de saúde, ele passou por processo de desintoxicação e recebeu alta médica.

Apesar de ser rodeada por câmeras, a escola, que atende cerca de 220 crianças de 6 a 10 anos por dia, não conta com um policial ou um segurança para vigiar o fluxo na entrada ou na saída. A responsabilidade de contratar uma empresa terceirizada para exercer o serviço é da Secretaria de Educação do Distrito Federal. O Correio entrou em contato com a pasta, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

No momento da invasão, Benedito alucinava, dizendo que era perseguido e, por isso, trancou-se em uma das salas do colégio com uma docente e um pai. A auxiliar de educação Luzia Souza, 52 anos, que costuma ficar em uma mesa próximo ao portão de entrada, havia deixado o posto para acionar o sinal sonoro de início das aulas. “Quando voltei, o vi saindo da sala, nervoso e suado, mas bem vestido, de bermuda, camiseta e tênis. Ele disse que morava no Gama. Já houve uma pessoa que assaltou a escola há um ano, mas ninguém nunca entrou desse jeito. Apesar do susto, o homem não ofereceu perigo”, diz Luzia. A auxiliar, muitas vezes, é quem fica na porta, mas este não é seu trabalho. “Não temos como controlar quem entra porque já estamos aqui dentro e somos poucos. Se ele estivesse armado, eu também não poderia ter feito nada”, ressalta. Há, ainda, outra funcionária que trabalha com a auxiliar, mas ela estava de folga ontem.

Medo
A professora do 4º ano Lucielda Carvalho, 45 anos, foi quem ficou trancada com o pai de um aluno e com Benedito. “Eu estava entregando o boletim do aluno ao pai, quando ele entrou, fechou a porta e disse que alguém iria matá-lo. Nessa hora, me lembrei do que aconteceu no Rio de Janeiro, no ano passado , quando várias crianças foram baleadas (11 delas morreram, no episódio que ficou conhecido como massacre de Realengo). Fiquei com muito medo de que ele estivesse armado. Ainda bem que ele não fez mal algum e abriu a porta rapidamente, mas seria muito melhor se tivesse um policial vigiando aqui e que essa situação não acontecesse”, afirma.

Segundo a diretora da Escola Classe 316 Norte, Andreza Fiorini Perez, o incidente demonstra a fragilidade do ambiente escolar. Foi ela quem conversou com o homem e tranquilizou a todos. “Na hora, eu vi que ele precisava de ajuda e nem pensei que poderia ser perigoso. Quando ele saiu da sala de aula e foi se trancar no banheiro dos professores, pedi que cada turma fosse, com calma, à sua sala e que os professores trancassem as portas. Infelizmente, não tem quem fique na segurança e só quando há uma emergência é que podemos contar com o Batalhão Escolar”, revela.

Para tentar resolver o problema da insegurança, Andreza, que assumiu o cargo no último mês, afirmou que agendará uma reunião com os integrantes da Associação de Pais e Mestres em novembro, a fim de discutir como deve ser contratado o serviço terceirizado de segurança. Ela também pedirá à Secretaria de Educação agilidade no processo. Segundo Andreza, o assunto já estava na pauta da escola. “Apesar disso, quem contrata é a secretaria, e não nós”, lembra. 
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