Informática

A reinvenção do Windows

Com uma grande mudança de visual na nova versão de seu sistema operacional, Microsoft quer unificar interface de computadores e dispositivos móveis para se manter importante no setor de tecnologia

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postado em 31/10/2012 08:00 / atualizado em 30/10/2012 10:27

São Paulo — Durante o lançamento do Windows 8 no Brasil, um técnico da empresa foi chamado duas vezes para resolver problemas. O rapaz do help desk, na primeira vez, foi verificar porque a transmissão com o telão foi cortada; na segunda, o computador perdeu a conexão com a internet. Os percalços enfrentados na apresentação são comuns — mas não deveriam acontecer num evento desse porte. Mas eles simbolizam alguns dos desafios que a empresa enfrentará com a nova versão do sistema operacional, apresentado na quinta-feira em 140 países.

Por trás das radicais mudanças que a Microsoft realizou em seu patrimônio mais precioso, está uma necessidade: a de se manter relevante em um mundo onde o equipamento que move o principal software da empresa, o computador, não é o produto mais cobiçado da indústria de tecnologia — e precisa disputar a atenção do consumidor com o smartphone mais novo ou o tablet mais moderno.

A mudança de rumo já era anunciada com o crescente aumento das vendas de smartphones e tablets, mas também foi impulsionada pelo declínio das vendas do Windows, que diminuiram 13% no segundo trimestre de 2012. A queda, somada a compra mal-sucedida de uma empresa de publicidade on-line, foi um dos fatores que causou o primeiro prejuizo na história da companhia desde que se tornou pública, em 1986: US$ 492 milhões.

Para reverter esse quadro, a Microsoft aposta em uma estratégia arriscada, mas ambiciosa. Apesar de também poder ser usado com o mouse, o sistema é otimizado para rodar tanto em tablets ou notebooks com telas touchscreen. Com o visual minimalista do novo sistema, ela quer apresentar a seu enorme contingente de usuários uma interface que funciona tanto em computadores quanto em smartphones em tablets. Embora ela não seja líder nos dispositivos móveis, ela ainda reina nos computadores — mais de um bilhão de pessoas usam Windows em seus PCs.

A ideia é claramente inspirada no conceito de ecossistema digital bolado por Steve Jobs e sua Apple, o que nos faz lembrar da velha rixa entre o Mac e o Windows, criados em cima dos mesmos conceitos visuais. Mas o objetivo da empresa fundada por Bill Gates tem um diferencial ousado, pois, ao contrário do iOS e do Mac OS X, o Windows 8 pretende estender um único visual a praticamente qualquer tipo de dispositivo.

“A total mobilidade dos usuários e suas aplicações não é mais uma tendência, já é realidade, seja no mercado de consumidores, seja nas empresas. Isso acentua a necessidade de utilização de um único sistema operacional que permeie diferentes dispositivos”, aponta Cristiano Zaroni, diretor da Frost & Sullivan na América Latina.

Essa intenção ficou evidente durante a apresentação do produto, na semana passada. “Quem nunca viveu o dilema de querer um tablet, mas precisar da produtividade do desktop? Nós imaginamos o Windows 8 exatamente para atender esse novo cenário. Não é necessário escolher entre criar e consumir, pois você pode fazer os dois”, argumentou a gerente-geral de Windows no Brasil, Priscyla Alves, indo direto no calcanhar de aquiles do iPad.
    
Para reaprender

Para fazer essa transição, a Microsoft se depara com o desafio de convencer seus usuários a reaprender a utilizar o Windows, algo que eles não precisam fazer desde 1995. Segundo a empresa, o sistema foi testado por mais de 1 bilhão de horas em suas diversas fases beta. “A conclusão é que ele é facilmente assimilável. A interface é nova, mas é atraente e amigável. Vemos isso como uma evolução, e os clientes vão querer aprender para se beneifciar da tecnologia”, aposta Michel Levy, presidente da Microsoft no Brasil.

A empresa quer uma transição rápida do Windows 7 para o 8, e decidiu apelar para o bolso do consumidor. Nos Estados Unidos, a atualização para o Windows 8, de qualquer sistema a partir do XP, é de US$ 40. No Brasil, a oferta é semelhante: R$ 69, e quem comprou um computador com Windows 7 entre 2 de junho e 31 de janeiro de 2013 pode fazer o upgrade por R$ 29. A oferta, claro, só é válida para quem tem sistemas originais, mas a empresa ofecerá uma opção para legalizar quem usa versões piratas, sem revelar o preço. O preço final do sistema também não foi divulgado, mas várias revendedoras no varejo listavam o sistema por R$ 269 durante sua pré-venda.

Cada um no seu quadrado

O Windows 8 tem forte integração com redes sociais e a nuvem, além de uma loja interna de aplicativos. Confira as novidades e conheça computadores que já vêm com o novo sistema 

São Paulo — No lugar da tela de login, uma imagem enorme que desbloqueia o computador por meio de um gesto personalizável. A tela inicial agora é um muro de tijolinhos coloridos, cuja cor, formato e disposição fica a gosto do usuário, e a famosa área de trabalho ficou relegada a segundo plano, mas ainda está lá para quem não se acostumou com a interface que a Microsoft decidiu adotar em todos os seus dispositivos. Por trás dos quadrados da nova interface do Windows 8, escondem-se as diversas mudanças feitas pela empresa para se adaptar às tendências do setor de tecnologia.

O Windows 8 será vendido em quatro versões: uma para consumidores; a Pro, para entusiastas e empresas de pequeno e médio porte; a Enterprise, para o mercado corporativo; e a RT, utilizada em dispositivos com processamento ARM, utilizados em tablets e smartphones. No lugar de ícones para pastas e manutenções do computador, muitas informações: redes sociais, feeds de notícias, aplicativos para jogos, vídeos e imagens.

O que mais se assemelha a barra de Iniciar é um menu lateral, com opções de pesquisa (que funcionam tanto para buscas no sistema quanto para aplicativos), configurações, para voltar ao menu inicial ou para compartilhar conteúdo em redes sociais. A integração com a nuvem é outro ponto forte do sistema — documentos e planilhas do Office são enviados automaticamente para o SkyDrive, o “Google Docs” da Microsoft.

“A interface é bem natural e intuitiva. É tudo o que as pessoas estavam esperando, com o conforto da área de trabalho”, aponta Priscyla Alves, gerente geral do Windows. Entretanto, a tela dos quadradinhos é obrigatória. Mesmo que você queira usar somente a área de trabalho tradicional no Windows 8, será necessário abrir a interface nova e acessar o desktop por meio de um quadrado.

Serviços
“A Microsoft está em plena transição de uma empresa de software para uma empresa de serviços”, afirmou o presidente da empresa no Brasil, Michel Levy. Seguindo o exemplo de Apple e Google (e até mesmo de um produto de outra divisão da Microsoft, a Xbox Live), o Windows 8 tem uma loja de aplicativos própria, que disponibilizará tanto apps pagos quanto gratuitos — o Skype, por exemplo, é um deles. A empresa não precisou qual o número exato de programas disponíveis.
A empresa afirmou que cerca de 60 modelos estarão nas lojas a partir das próximas quatro semanas. Mas o mais esperado, o tablet Surface, não estava no evento e ainda não tem previsão para chegar ao Brasil. Enquanto ele não vem, o Informática separou uma gama de desktops, notebooks, all-in-ones, híbridos e tablets que já vêm com o novo sistema da Microsoft.

 

PREÇO ERRADO

No primeiro dia de vendas da atualização do Windows 8, a Microsoft passou por problemas. No site oficial, o sistema era comercializado a
R$ 83,98, e não os R$ 69 anunciados no lançamento. Segundo a empresa, a diferença no valor foi causada por um erro e retirou o site do ar. Ela planeja uma solução para ressarcir quem comprou o upgrade pelo preço errado.

 

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