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Pesquisador recebe insígnia de membro da Academia de Ciências do Vaticano

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postado em 06/11/2012 17:06 / atualizado em 06/11/2012 17:12

O físico e pesquisador Vanderlei Salvador Bagnato foi eleito membro da Academia Pontifícia das Ciências do Vaticano e receberá das mãos do Papa Bento XVI a insígnia de membro da academia nesta quarta-feira, 7/11. Ele acredita que esta indicação será algo mais útil para o Brasil do que para si, pois vai "estarem contato com os debates de grande valor científico e verificar como é que nós brasileiros estamos inseridos ou temos que nos inserir neste contexto".

Vanderlei Bagnato concluiu o doutorado em física pelo Massachusetts Institute of Technology, em 1987. Atualmente é professor titular do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, em São Carlos, onde atua na área de física atômica. É membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia de Ciências para o Mundo em Desenvolvimento e coordena o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Óptica e Fotônica, um dos centros de pesquisa do programa de INCT’s do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Fundada no século XVII em Roma, a  Academia Pontifícia de Ciências foi transferida para os jardins do Vaticano em 1922. Atualmente, 36 países estão representados. Ela tem apenas 80 membros e um novo cientista só é admitido quando há algum falecimento. É uma academia supranacional, multirracial em sua composição e que não discrimina a religião na escolha dos membros.  Embora compreenda seis grandes áreas - ciência fundamental, ciência e tecnologia de problemas globais, ciência para os problemas do mundo em desenvolvimento, política científica, bioética e epistemologia -, valoriza e destaca a importância crescente dos estudos interdisciplinares.

A seguir, a entrevista do pesquisador Vanderlei Bagnato ao portal do CNPq:

Professor, o senhor acaba de ser eleito membro da Academia Pontifícia das Ciências do Vaticano. Qual a importância desta nomeação para o senhor e para a ciência no país?

Pertencer a uma Academia de Ciências, por onde passaram os maiores nomes da ciência mundial, já é por si só uma grande honra. Imagine você estar numa sala onde mais de um terço dos membros foram agraciados com o Nobel, é para mim um momento especial para aprender novas ideias e poder debatê-las. Eu vejo esta oportunidade como algo novo em minha vida. Conseguir estar em contato com os debates de grande valor científico e verificar como é que nós brasileiros estamos inseridos ou temos que nos inserir neste contexto, será algo mais útil para o Brasil do que para mim pessoalmente. Não vejo de forma alguma esta oportunidade como uma glorificação pessoal; pelo contrário, vejo com muita responsabilidade. Na minha vida eu sigo muito o provérbio que não basta não fazer o mal, é preciso fazer o bem, e esta é uma oportunidade ímpar para isto. Além de tudo isto, estar num lugar histórico como o Vaticano, que sempre foi importante e determinador de diversos rumos de nossa humanidade e, ainda, na presença de uma personalidade importante como o Santo Padre, é um grande privilégio.

Qual a importância desta nomeação para o senhor e para a ciência no país?
Eu ainda não sei direito o motivo de tal indicação. Eu sou um cientista que me insiro na média brasileira, trabalhando bastante em prol do desenvolvimento de ideias e provas de princípios. Acho que neste sentido muitos outros brasileiros estariam  talvez até melhor preparados que eu. Procuro fazer uma ciência que tenha responsabilidade social. Acredito muito no fato que a ciência tem que melhorar a vida do homem e não prejudicá-lo. Uma grande parte dos meus esforços científicos inclui avançar o conhecimento básico das coisas, mas não parar por aí. Procuramos (eu e minha equipe) usar este conhecimento para melhorar a saúde da população brasileira com novas técnicas, disponibilizar para a sociedade brasileira aquilo que há de melhor em tecnologia. Também me preocupo muito em tornar a ciência disponível para todos. Não acho que devemos ensinar ciências apenas para cientistas, mas para todo cidadão, para não deixá-lo ignorante com a vida ao seu redor. Tenho levado e trazido ciências para diversas partes do mundo como África e Paquistão, além de procurar desenvolver parcerias e colaborações com toda America Latina. Acho que todo este contexto é que chamou a atenção de algumas pessoas que acabaram me indicando, e o papa aprovou. Mas não tenho dúvida que um número enorme de cientistas brasileiros ocupariam com destaque este posto. Para a ciência do país eu não saberia dizer, mas para mim, foi uma agradável surpresa, que encaro com responsabilidade e espero cumprir com esforço e dedicação.

Além de sua pesquisa na área de física atômica e de biofotônica, faz mais de quinze anos que o senhor trabalha com Difusão de Ciências. O que o motiva?

Uma das grandes responsabilidades da ciência brasileira é com nossa sociedade. Apesar de trabalharmos intensamente para produzir o avanço do conhecimento, temos que estar em estado de alerta para usar estes conhecimentos para promover  soluções para os problemas de nossa sociedade. Nós estamos levando este propósito a sério tanto na área da saúde quanto na área educacional. Não se trata de parar de publicar ou gerar o novo; nosso propósito vai além disso. Aplicamos nossos conhecimentos para melhorar e disponibilizar para a sociedade brasileira aquilo que há de mais moderno em diagnóstico e tratamento de doenças. Nosso foco no câncer e no controle microbiológico tem gerado muita coisa boa em termos de produtos, fármacos e protocolos. Na área educacional temos um canal de TV, kits educativos, um Museu Itinerante que é levado a escolas, treinamento de professores, conferências nacionais e exposições públicas. Fazemos isto diretamente e também em parceria com as diversas empresas que estão ao nosso redor. Mas não basta fazer; é preciso tornar este conhecimento público da forma mais ampla possível. Desta forma, o nosso trabalho de difusão exposição mostra a todo cidadão aquilo que estamos fazendo. Na última semana tivemos a exposição “Semóptica: Ciência e Sociedade” no Shopping Iguatemi São Carlos, que recebeu cerca de 5.000 visitantes.

Qual a importância de aproximar o público leigo da ciência?

A ciência não é um bem dos cientistas. Se assim fosse, a sociedade não deveria pagar  uma conta tão alta. Ciência é para todos. Em especial, para nossos cidadãos que trabalham e pagam os seus impostos. Converter os impostos em bens, em empregos, em conhecimento e, mais importante, aplicá-lo com seriedade e compromisso, eu vejo como uma obrigação. A Ciência tira  a pessoa da ignorância. Quem vê uma demonstração cientifica jamais esquece ou deixa de acreditar. Este é nosso objetivo maior, tornar a ciência um bem público.

Quais outras atividades podem ser desenvolvidas para que a comunicação pública da ciência esteja ao alcance à população?

Estamos sempre diversificando as nossas atividades.  Recentemente, com o apoio do CNPq, estivemos mostrando ciências no interior do Amazonas. Foi um grande sucesso. Agora estaremos levando uma exposição cientifica para as margens do Rio Negro, de tal maneira que os alunos que vivem nas comunidades ribeirinhas poderão ver ciências, praticar ciências e apaixonar-se por ela. Vamos levar mais de 20 experimentos, kits , e filmes. Acho que será um grande sucesso. Isto também mostra a nossa  preocupação extrapolando as fronteiras do Estado de São Paulo. Queremos um Brasil digno para todos, e difundir ciências é importante neste contexto.

Assessoria de Comunicação Social do CNPq

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