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O adeus do Messenger

Microsoft anuncia o fim de seu popular programa de mensagens instantâneas. Usuários serão migrados para o Skype, adquirido no ano passado pela companhia. A decisão faz parte de uma ampla estratégia da empresa para se reposicionar no mercado

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postado em 08/11/2012 08:00 / atualizado em 07/11/2012 11:27

Max Milliano Melo

 

 
"O Skype é um serviço extraordinário, amado por milhões de pessoas em todo o mundo. Juntos, vamos criar o futuro das comunicações em tempo real Steve Ballmer, diretor executivo da Microsoft, na ocasião em anunciou a compra do Skype

Há pouco mais de uma semana, a Microsoft anunciou o lançamento do Windows 8, seu novo sistema operacional compatível com smartphones, computadores e tablets, numa clara tentativa de recuperar a liderança no setor de tecnologia. Ontem, outro importante passo no processo de renovação da empresa foi tomado: seu programa de mensagens instantâneas será desativado de vez. “Vamos aposentar o Messenger em todos os países no primeiro trimestre de 2013”, afirmou um comunicado da empresa, que migrará os usuários para o Skype, plataforma adquirida no ano passado por US$ 8,5 bilhões. No Brasil, o serviço que deixa de existir ano que vem é a terceira plataforma on-line mais popular, atrás apenas do Facebook e do Twitter.

O anúncio da aposentadoria do Messenger, esperada desde a compra do Skype, faz parte de uma revisão geral de produtos que a companhia vem conduzindo, com a eliminação dos menos rentáveis e lançamentos de outros mais competitivos. “O Skype é um serviço extraordinário, amado por milhões de pessoas em todo o mundo”, afirmou na época da aquisição o diretor executivo da Microsoft, Steve Ballmer. “Juntos, vamos criar o futuro das comunicações em tempo real”, completou.

No futuro, não há espaço para o programa nascido em 1999 como MSN e rebatizado de Windows Live Messenger em 2006. “Durante um bom tempo, o MSN dominou o mercado de mensageiros, mas os anos e, principalmente, o Facebook e o Google Talk acabaram deixando-o para trás”, analisa André Luiz Pereira, do site TecMundo. “Hoje em dia, o número de usuários dele é bem menor do que nos tempos áureos. Por isso, muitos já esperavam o dia em que a Microsoft iria dar o descanso merecido ao aplicativo, colocando um melhor no seu lugar.” A exceção será a China, onde o Skype é proibido e, por isso, o MSN continuará a funcionar.

Como em toda transição, os movimentos devem ser cuidados, apontam alguns especialistas. “A Microsoft pode perder mercado com essa transição”, alerta o engenheiro de telecomunicações Erick Vils, fundador da WebSoftware. “Tudo dependerá de como a transição será feita. Se ocorrer de maneira simples, talvez essa perda não seja grande, mas, se o usuário precisar fazer uma nova conta ou tenha problemas para migrar os contatos, talvez ele opte por usar o Gtalk ou o chat do Facebook”, completa. A integração dos dois serviços já começou ontem mesmo. Segundo a empresa, os usuários devem instalar a versão mais recente do Skype e fazer o login com a conta da Microsoft. Os contatos devem ser migrados automaticamente.

Soldado americano no Kuweit fala com familiares pelo Skype: serviço agora integrado ao Messenger (Joe Raedle/Getty Images/AFP) 
Soldado americano no Kuweit fala com familiares pelo Skype: serviço agora integrado ao Messenger

Windows 8
A estratégia se soma ao desenvolvimento do Windows 8, anunciado no fim de outubro, como uma das armas que a companhia fundada por Bill Gates pretende usar para reconquistar terreno no mercado da tecnologia. Nos últimos anos, a empresa assistiu ao crescimento de concorrentes, como Apple e Google, especialmente graças aos tablets e smart-phones. Com a nova versão, a Microsoft buscou atacar os pontos mais negativos de seus adversários. “Quem nunca viveu o dilema de querer um tablet, mas precisar da produtividade do desktop? Nós imaginamos o Windows 8 exatamente para atender esse novo cenário. Não é necessário escolher entre criar e consumir, pois você pode fazer os dois”, disse a gerente-geral de Windows no Brasil, Priscyla Alves, durante o lançamento do produto.

Assim, a empresa tenta conquistar os consumidores insatisfeitos com a baixa produtividade do iPad e outros tablets. Para operações simples, como navegar na internet ou utilizar aplicativos, esses equipamentos não desapontam, mas em atividades mais avançadas, como manipular programas de edição de imagem, trabalhar com várias janelas ou ações que exigem equipamentos potentes, é o velho computador — seja de mesa ou notebook — que o usuário procura. E nesse terreno a empresa reina soberana: mais de 1 bilhão de pessoas utilizam o Windows, mais do que qualquer outro sistema operacional. Com a versão 8, os usuários podem utilizar o mesmo sistema em tablets, smartphones e computadores.

“Acredito que, ao focar nessa experiência em várias plataformas, a Microsoft deve conseguir ganhar muito mercado”, opina Erick Vils, para quem a estratégia de mirar no ponto fraco da concorrência foi acertada. “O Windows 8 dará à Apple mais trabalho do que o Android dá hoje, porque, por mais que as pessoas tenham smartphones e tablets, elas continuam usando o PC em casa. E esse é um mercado em que a Microsoft sempre se saiu muito bem”, completa o especialista.

Desafio
Apesar de audaciosa, a empreitada não será simples. Um par de produtos, por mais poderosos que sejam, não deve conseguir desestabilizar poderosos concorrentes. Por isso, a Microsoft tem outras estratégias, como investir pesado em mercados menos disputados, como o da América Latina, em especial o Brasil. Hoje, a empresa e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) deverão anunciar a instalação no Rio de Janeiro de um Centro de Tecnologia Avançada (CTA), o quarto desse tipo em todo o mundo (leia mais nesta página).

Outro produto que precisará se reiventar para sobreviver é o Internet Explorer (IE). O navegador, que se firmou como o principal em todo o mundo em 1996, quando ultrapassou o NetScape, perdeu espaço rapidamente para o Chrome, do Google. Atualmente, os dois dividem a primeira colocação, com leve desvantagem para o IE, que tem 32,8% do mercado, contra 33,8% do browser do Google. No Brasil, os números são semelhantes: o Explorer é o preferido por 33% dos usuários, frente a 35% do Chrome.

Correndo atrás do prejuízo, a empresa também deve apostar em uma série de outros mercados. Em seu site de carreiras, a empresa oferece inúmeras vagas para o projeto Cloud TV. Esse detalhe revela a forte possibilidade de a empresa mirar no mercado de tevê pela internet e pelo celular, provavelmente um serviço semelhante à Apple TV, no qual programas ficam armazenados na nuvem e o usuário pode assisti-los em qualquer hora e local.

Outro mercado ainda mais difícil que a empresa pode se aventurar é o de smartphones. Uma reportagem do Wall Street Journal divulgada esta semana citou fontes segundo as quais a companhia pretende lançar, ainda no primeiro semestre do ano que vem, seu primeiro aparelho de telefone. O equipamento teria entre 7 e 8 polegadas e enfrentaria a guerra desenvolvida nos últimos anos entre o iPhone, da Apple, e o Galaxy, da Samsung. Para fazer frente aos concorrentes, ele seria equipado com o Windows 8.

Windows 8 à venda em loja da Microsoft no Japão: com o sistema, a empresa espera ganhar mercado de tablets (Kimihiro Hoshino/AFP - 29/10/12) 
Windows 8 à venda em loja da Microsoft no Japão: com o sistema, a empresa espera ganhar mercado de tablets

Valor da marca

A Microsoft perdeu nos últimos o posto de marca mais valiosa do mundo para a Apple, fabricante do iPhone e do iPad. Segundo a revista Forbes, a marca da maçã é avaliada hoje em US$ 87,1 bilhões, enquanto
a criação de Bill Gate’s vale S$ 54,7 bilhões. Atrás de ambas, está a Coca-Cola,
Centro de tecnologia no Brasil O Centro de Tecnologia Avançada (CTA) que deverá ser anunciado hoje pela Microsoft no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) começará superlativo. A expectativa é que os investimentos do novo projeto no Brasil girem em torno de R$ 200 milhões, bem mais do que os R$10 milhões iniciais injetados no Centro de Pesquisa e Tecnologia (CPT), que a empresa norte-americana inaugurou no início do ano em São Paulo.

Atualmente, apenas três países — Alemanha, Israel e Egito — têm centros avançados como o que o Rio de Janeiro passará a abrigar. Um casarão histórico na região portuária da cidade, área da capital fluminense que passa por um extenso processo de revitalização, será a sede do CTA.

As negociações para a instalação do centro no país levaram mais de um ano. A empresa teria escolhido o Brasil pela oferta de profissionais especializados e pelo interesse da Microsoft de investir em produtos com o perfil de consumo brasileiro e dos demais países da América Latina. Outras gigantes da tecnologia, como a IBM e a GE, já mantêm centros semelhantes no território nacional. Há especulações de que a próxima a inaugurar iniciativa semelhante seja a Intel. (MMM)

R$ 200
milhões

Valor que a Microsoft deve investir em seu CTA no Brasil. Anúncio previsto para hoje

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