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Informática

O circo dos aplicativos

Programas que pedem para o usuário lamber o aparelho ou que ajudam a descobrir se a melancia está madura são exemplos que invadem às lojas de smartphones. E, acreditem, alguns têm lá suas utilidades

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postado em 14/11/2012 08:00 / atualizado em 13/11/2012 10:39

Desde o primeiro telefone celular com câmera fotográfica embutida, tornou-se comum a ideia de que esses aparelhos são como canivetes digitais, principalmente, após a chegada dos smartphones. Eles mandam mensagens de texto, acessam e-mails, redes sociais… Mas, no mundo de utilidades disponíveis nas lojas de aplicativos de iPhones, Androids e outros sistemas mundo afora, há também uma infinidade de programas que vão do inusitado ao esquisito.

São apps que simulam o — prazeroso — estourar dos gomos de um plástico bolha, apitos de ultrassom para chamar a atenção de cachorros ou um simulador de chamadas para você se livrar daquela conversa desagradável. Podem ser também apps de localização, como, por exemplo, uma rede social para pessoas que estão utilizando o banheiro ou um jogo para iOS em que você deve lamber a tela do aparelho. Entre suas diversas “funções”, uma característica em comum: garantir as risadas.

Um dos campeões da estranheza é o aplicativo de iOS Melon Meter. O programa foi criado exclusivamente para saber se uma melancia está madura ou não. Funciona assim: você encosta a parte de baixo do iPhone na fruta e dá algumas batidas nela. Por meio do microfone, o celular detecta quando ela está pronta para o consumo. O argumento usado pela desenvolvedora é a economia: o programa ajudaria a não perder dinheiro comprando uma fruta verde.

O segredo por trás do aplicativo está em um som único emitido por melancias maduras. O criador do programa, o professor norte-americano de ciências e fundador da startup Let There Be Light Innovations, Zack Perkins, descobriu esse pequeno som ao gravar o barulho de 50 frutas. As mais maduras apresentam um padrão único que as distingue. “As melancias boas têm um som que dura mais tempo dentro delas. É difícil de detectar, pois sua duração é de milissegundos”, contou o desenvolvedor, em entrevista ao Correio.

Ele diz que a ideia de criar o aplicativo por sugestão de um amigo. “Minhas filhas estavam fazendo um trabalho de escola sobre como saber se a melancia está madura. Quando expliquei o projeto das crianças, ele me disse na hora que seria um ótimo aplicativo e gostei da ideia”, afirmou. Entretanto, foram dois anos para criar o algoritmo que permite o celular saber qual é o som das frutas maduras.

Por incrível que pareça, o aplicativo ganhou utilidade em locais que Perkins nem imaginava. “Estamos nos primeiros lugares da App Store de vários países do Oriente Médio, e recebemos centenas de e-mails de agradecimento, pois as pessoas desses países diziam que pagavam caro por melancias que não estavam nada boas. Foi bastante gratificante”, relembra. O desenvolvedor também conta que a ideia é expandir o método de detecção de som para outras frutas.

Localização
Muitos dos aplicativos inusitados seguem a fórmula do Foursquare, que mostra onde você esteve, mas com algumas variantes. A do app iJustMadeLove é a de dizer onde você fez sexo. Criado em 2009 e disponível para iOS, Android e Windows Phone, ele mostra os locais em um mapa. Além de procurar onde as pessoas fizeram check-in, você também pode dizer as posições do seu feito, dar uma nota ao seu desempenho. O site também diz se as relações foram heterossexuais ou homossexuais.

As atividades também podem ser marcadas e conferidas na web (no site ijustmadelove.com). Entretanto, cerca de 80% do tráfego vêm de dispositivos móveis. “Quando criamos a página, achamos que uma das melhores maneiras de aproveitar o serviço era pelo celular”, conta Cyprian Cieckiewicz, diretor-executivo e fundador da polonesa SharQ, responsável pelo aplicativo.

Segundo Cieckiewicz, a história que deu origem ao app é bem poética. “Certa noite, estava dirigindo para casa. Imaginei que, se estivesse no espaço, poderia olhar pequenos pontos brilhantes nos locais onde as pessoas estivessem fazendo amor. Pensei como seria legal ter um site que mostrasse esse fenômeno. Depois de uma hora, lembrei que poderia utilizar o Google Maps como uma plataforma para esse projeto”, relembra.
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