SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Tecnologia

O retorno dos gifs

Os arquivos de imagem em movimento tornam-se mais complexos e voltam a se popularizar na internet

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 15/11/2012 08:00 / atualizado em 14/11/2012 11:52

Max Milliano Melo

 

O catarinense Marcelo Cidral se inspirou em páginas estrangeiras para criar um bem-sucedido tumblr:   
O catarinense Marcelo Cidral se inspirou em páginas estrangeiras para criar um bem-sucedido tumblr: "A minha sacada foi conseguir adaptar a ideia à nossa realidade e cultura"

Em 1987, a CompuServe, primeira gigante dos serviços on-line, criou um tipo de arquivo denominado graphics interchange format (formato de intercâmbio gráfico, em inglês). Popularmente conhecida por gif, a novidade logo virou moda, por incluir, com eficiência, transparências e movimentos nas imagens, permitindo a realização de pequenos filmes digitais. Esses arquivos reinaram soberanos durante boa parte dos anos 1990, até se tornarem símbolo de cafonice e parecerem destinados ao esquecimento. Contudo, com o nascimento do Tumblr, a mais humorística das redes sociais, eles entraram em sua segunda “era de ouro”, e hoje fazem sucesso ilustrando sentimentos, emoções ou situações do cotidiano em algumas das mais visitadas páginas da web.

Um fator determinante para que os gifs voltassem à moda foi a evolução das máquinas e das conexões digitais. “Estamos vivendo o segundo reinado dos gifs. Depois de anos nas trevas, eles voltaram repaginados para alegrar a web: mais pesados, complexos, normalmente mostrando cenas de vídeos em loop e montagens nonsense, mas tudo bem simples de fazer”, explica Giovana Penatti, no YouPIX, principal portal brasileiro que ajuda os internautas a pensarem e digerirem o que ocorre no mundo virtual. “Qualquer um pode fazer gifs bacanas, e eles se tornaram uma forma de expressão na internet”, completa.

A especialista no mundo digital Rosana Hermann acredita que o formato faz sucesso exatamente por remeter a coisas positivas no imaginário popular. “Os gifs sempre fizeram e sempre farão sucesso porque eles são... animados. O termo animado já nos remete para coisas queridas e cheias de memória afetiva, como desenho animado. São infantis, mágicos e encantadores”, acredita a escritora, que lançou no ano passado o primeiro livro sobre o Twitter no Brasil, Um passarinho me contou (Panda Books).

Nem todos os tipos de gif, contudo, voltaram às graças dos internautas. “Existem dois tipos básicos: os de imagens fotográficas e os do tipo clipart. Esses últimos são detestáveis. Cafonas, feios, brilham demais, pulam demais, um horror. Pelo menos para quem é adulto”, opina Rosana. “Claro, tem gente que adora, mas não é esse o gif que ‘voltou’. O retorno é daquele que mostra pedaços de vídeos, reações, expressões”, completa a especialista. Apesar da divisão, muitas vezes os gifs do tipo clipart são usados de maneira irônica, como para ilustrar situações nonsense.

Novo patamar
O antigo formato pega carona na modernidade dos smartphones, garante a especialista. “Acho que duas coisas elevaram o gif animado a um novo patamar. Uma delas é o cinemagraph, que é realmente lindo, porque anima só uma parte da imagem, deixando o resto estático”, avalia, referindo-se ao popular aplicativo que permite ao usuários misturar foto e vídeo. “ A outra é o uso de gifs animados com reações, expressando sentimentos. O sucesso de tumblrs de reações, a exemplo do Como Eu Me Sinto Quando, mostra o quanto o gif está consagrado”, completa.

O site que Rosana cita é um dos principais casos de sucesso dessa nova fase dos gifs. Criado pelo estudante catarinense Marcelo Cidral, a página comoeumesintoquando.tumblr.com usa o formato para ilustrar aquilo que passa pela cabeça de muita gente em diversas situações do cotidiano. “Quem circula pelo ambiente do tumblr provavelmente já cruzou com posts criando um link entre um gif e uma situação. Já havia espaços dedicados a essa fórmula no exterior. A minha sacada foi conseguir trazer isso para o Brasil, adaptar à nossa realidade e cultura”, acredita Cidral.

Os posts de sua página sempre começam com a frase “como eu me sinto quando…”, que é seguida por um acontecimento comum a muita gente. Uma modelo engatinhando pela passarela, por exemplo, pode ilustrar o que sentem as mulheres após passarem a noite toda de salto alto. Em outra situação, a imagem de uma celebridade abrindo a boca com cara de espanto pode ilustrar o post “como eu me sinto quando… um estranho começa a me contar detalhes da vida pessoal dele”. O humor ácido da página caiu no gosto dos internautas. Dois meses depois de ser criada, a iniciativa somava 2,5 milhões de visitas, sendo o terceiro maior tumblr do mundo, segundo dados da empresa Quantcast. “Até hoje minha ficha não caiu direito, ainda mais pelo fato de o tumblr se manter relevante depois de sete meses”, ressalta Cidral, lembrando que, na rede, ideias vão da glória ao esquecimento em questão de dias.

Para Rosana Hermann, os arquivos sempre farão sucesso:  
Para Rosana Hermann, os arquivos sempre farão sucesso: "São infantis, mágicos e encantadores"

Redes sociais
Na era dos memes — frases, expressões ou imagens que são repetidos e adaptados pelos usuários na internet —, os gifs encontraram seu lugar de destaque, o que deve garantir um longo período de sucesso. “O gif é engraçado porque é, ao mesmo tempo, uma foto que se mexe e um vídeo que se repete sem o som. É só aquele pedacinho que vira meme, como o antigo ‘dramatic look’ do bichinho”, avalia Rosana Hermann, em referência ao popularíssimo vídeo de um roedor que parece olhar assustado para a câmera. “Por não ter áudio, você presta mais atenção no detalhe engraçado, no erro, na careta, no inesperado.”

Apesar do sucesso em blogs e tumblrs, o formato gera polêmica nas redes sociais. Twitter e Facebook ainda evitam o formato, por acharem que ele poluiria a timeline dos usuários. “Tem uma coisa ligada ao proibido que também atrai. O Twitter vive numa luta com os usuários. Proíbe, mas alguém vai lá e faz um patch e sobe gif animado no avatar. Agora, o Twitter cortou de vez, mas não vai tirar de quem já tem”, conta Rosana, em referência às artimanhas dos usuários que encontram maneiras de driblar as regras do microblog. “O Facebook ainda não admite o gif animado, mas já existem aplicativos que dão um bypass e o publicam. O Google Plus, por exemplo, aceita imagens com movimento. Ou seja, o gif animado é uma conquista do usuário”, diz a escritora.

 

 (Reprodução/Internet) 
 
Cenas com atores, de seriados de tevê e de comerciais são usados para fazer conexões engraçadas com situações do cotidiano: site que utiliza a fórmula teve 2,5 milhões de visitas em apenas dois meses 

Cenas com atores, de seriados de tevê e de comerciais são usados para fazer conexões engraçadas com situações do cotidiano: site que utiliza a fórmula teve 2,5 milhões de visitas em apenas dois meses

Cinco razões para o sucesso Nostalgia
» Como foram muito utilizados no início da internet para deixar as páginas mais dinâmicas, os gifs trazem um sentimento saudosista aos usuários

Rapidez
» Como o gif exibe uma cena bem curta, ele garante mais rapidez ao usuário. Em vez de precisar assistir a um vídeo inteiro para ver o momento engraçado, pode ir diretamente ao ponto

Repetição
» As cenas dos gifs se repetem eternamente, por isso, os arquivos engraçados criam uma espécie de humor
por repetição

Diversão
» Como são relativamente simples de fazer, eles se encaixam diretamente na cultura pop, podendo destacar cenas de filmes, clipes e outras peças
de sucesso

Beleza
» Ao contrário do que ocorria nos primórdios da internet, quando eles eram — segundo os padrões atuais — feios e
malfeitos, os gifs de hoje são bem produzidos

Fonte: YouPIX

Tags:

publicidade

publicidade