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Conciência Negra

Orgulho na pele e muitas ideias

Sob nova direção, a Secretaria de Igualdade Racial local pretende humanizar a assistência aos negros do DF

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postado em 20/11/2012 08:00 / atualizado em 19/11/2012 13:11

 
"O processo de escravização desumanizou o negro. Ser negro em um país de maioria negra é ruim. Nosso trabalho consiste também em elevar a autoestima da população" Viridiano Custódio de Brito, historiador e secretário de Promoção da Igualdade Racial do DF


Durante a semana, o DF vai se movimentar em torno do orgulho negro brasileiro. O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra é comemorado amanhã, mas as festividades, iniciadas ontem, vão se estender até domingo. Entre os shows em celebração à cultura afrodescendente, estão os das divas Vanessa da Mata, Renata Jambeiro e a brasiliense Ellen Oléria. Para encerrar, uma apresentação no Parque da Cidade do grupo Cidade Negra.

A Secretaria Especial da Promoção da Igualdade Racial (Sepir-DF) organizou boa parte dessas atividades. Liderada desde 25 de outubro por Viridiano Custódio de Brito, os novos ares trazidos ao órgão vêm em forma de projetos de ação. “Nos últimos dez anos, o racismo no Brasil diminuiu. Acho que a lei ajudou, a sociedade lutou, mas quando você vê os dados, o negro ainda é o mais pobre”, lamenta.

De acordo com estudos da Secretaria de Trabalho do DF, em setembro de 1992, 36,9% da população empregada era negra. Oito anos depois, o número subiu para 67,7%. Os negros não compõem o grupo de trabalhadores com os melhores salários. Na faixa da população que ganha de R$ 250 a R$ 1 mil, eles correspondem a 52,71%. Nos intervalos com valores mais altos, os não negros são maioria.
À frente da Sepir-DF, Brito não pretende partir do zero. Ele reconhece que a antecessora teve ações importantes para os negros brasilienses. Mas Brito entende que é preciso humanizar o atendimento ao negro nos hospitais, garantir atenção especial às doenças características da etnia, como a anemia falciforme, além de transformar o Dia Nacional da Consciência Negra em feriado distrital. “Em São Paulo e no Rio de Janeiro é assim. Por que não ter um feriado em um dia de homenagem às pessoas que ajudaram a construir esse país na capital federal?”, pondera.

Viridiano Brito adianta que planeja uma assessoria jurídica para a secretaria e a implantação do serviço Disk-Racismo, a fim de que a vítima de injúria racial possa denunciar diretamente ao órgão os agressores. Há menos de um mês no cargo, ele orientou os servidores para a realização do mapeando dos terreiros de umbanda e candomblé, e dos remanescentes de quilombos, com o intuito de valorizar a cultura negra e regularizar os terrenos. “O processo de escravização desumanizou o negro. Ser negro em um país de maioria negra é ruim. Nosso trabalho consiste também em elevar a autoestima da população.”

Polêmicas
Dentro do planejamento de ações da secretaria, também constam alguns projetos que vão provocar grandes discussões na sociedade. Após a aprovação da política de cotas para negros nas universidades, a próxima luta da Sepir-DF é conseguir o mesmo para os cargos no serviço público distrital. “Essa é uma questão polêmica, mas queremos ter esse debate com a sociedade. As cotas são meios de reparar os danos de 338 anos de escravidão no Brasil”, diz o secretário, formado em história na Upis e pós-graduado na Universidade de Brasília.

A questão da educação não foge aos olhos de Brito. Outra proposta da secretaria será o cumprimento da Lei nº 10.639, que determina o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas instituições de ensino fundamental e médio, particulares e públicas. Viridiano Brito diz ainda que à frente da Sepir-DF planeja realizar cursos de especialização para que os professores possam transmitir esse conteúdo aos alunos. “Mas a especialização demora. Queremos que os professores da área de humanas saiam da faculdade sabendo o conteúdo.” Dessa forma, a ideia acabará sendo estendida às universidades, que vão ser obrigadas a capacitar os docentes na fase de graduação.
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