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Estudo feito com participação de brasileiros traz as primeiras informações sobre Makemake, planeta-anão localizado no Sistema Solar e descoberto em 2005. Estudo do corpo celeste pode ajudar a compreender como a Terra se formou

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postado em 23/11/2012 08:00

Max Milliano Melo

 


Quando pensa no Sistema Solar, muita gente imagina apenas o Sol, a Terra, a Lua e mais sete planetas, além de Plutão, reposicionado na categoria de planeta-anão alguns anos atrás. O que poucos sabem é que essa região do espaço tem muitos mais moradores. Asteroides e outros planeta-anões convivem com mais de uma centena de luas, cometas e outros corpos menores. Uma pesquisa divulgada na edição de hoje da revista Nature, com ampla participação de brasileiros, traz novidades sobre um dos menos conhecidos habitantes da vizinhança espacial: Makemake.

O planeta-anão foi descoberto em 2005 por cientistas norte-americanos. Por isso, o estudo publicado hoje é importante, já que se trata do primeiro grande artigo sobre a atmosfera e o albedo (brilho), do corpo. “Ao contrário de Plutão, Makemake não parece ter uma atmosfera que se estenda por toda a superfície”, explica o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpa) André Milone, um dos autores da pesquisa. “Isso não significa, contudo, que ele não tenha algum tipo de atmosfera.”

Em planetas relativamente próximos de suas estrelas — como a Terra —, uma série de substâncias são aquecidas e tornam-se gasosas, formando a atmosfera. Quando a distância em relação ao Sol é muito grande, nem sempre a temperatura é alta o suficiente para manter a estrutura. “Assim, dependendo do seu ciclo, Makemake pode tê-la ou não”, conta Milone, explicando que, nos períodos em que o planeta-anão fica mais distante do Sol, sua atmosfera se torna uma camada de gelo na superfície.

Após analisar dados do astro, colhidos em abril, quando ele passou na frente de uma estrela, os pesquisadores elaboraram a hipótese de que algumas regiões, submetidas a temperaturas mais altas e a pressões mais baixas, poderiam desenvolver alguma forma de atmosfera, que existiria apenas em algumas épocas do ano. “A descoberta será muito útil para compreendermos os processo físicos a que estão sujeitos esses objetos”, explica Felipe Braga-Ribas, doutorando brasileiro no Observatório Nacional e no Observatório de Paris.

A ausência de uma atmosfera permanente seria uma das justificativas para o alto brilho de Makemake. Ele tem um albedo bem mais forte que o de Plutão, mas mais fraco que Éris, outro planeta-anão. “Ele tem gelo em sua superfície, que reflete a luz do Sol. Outros minerais em sua composição o deixariam com uma cor clara”, conta o especialista do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro, Júlio Camargo.

Mas se o planeta-anão é tão pequeno, frio e distante, por que estudá-lo? Segundo Camargo, olhar para ele é uma forma de compreender a origem da Terra. “Esses corpos mudaram pouco desde a formação do Sistema Solar”, explica o pesquisador. “Assim, podemos entender melhor o caminho percorrido durante a formação de outros planetas, incluindo a Terra”, completa.
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