Incentivo ao esporte

Contramão olímpica

Universidade Católica de Brasília extingue bolsa de alunos competidores a pouco mais de três anos dos Jogos de 2016, no Rio de Janeiro. Alguns beneficiários integram seleções nacionais

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postado em 28/11/2012 11:32 / atualizado em 28/11/2012 10:34

Vitor de Morais

m pleno ciclo olímpico visando aos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, o país cria incentivos para impulsionar o esporte, a fim de figurar entre as 10 nações nas próximas Olimpíadas. Programas como a Bolsa Pódio e a Bolsa Técnico, anunciados pelo Ministério do Esporte, em setembro, estão entre as iniciativas de destaque. Alguns atletas, no entanto, foram pegos de surpresa na última semana. Por e-mail, a Universidade Católica de Brasília (UCB), na contramão dessa tendência, avisou: a bolsa atleta será extinta a partir do próximo semestre.

Por meio da assessoria de imprensa, a reitoria não informou quantos alunos serão atingidos com a medida. Em matéria veiculada na página da instituição na internet em 2010, sob o título A UCB investe em atletas e coleciona títulos, a universidade informava destinar o benefício a 392 atletas. Inicialmente, a porcentagem do desconto na mensalidade variava de 10% a 80%. Posteriormente, o teto foi reduzido para 60%.

Ao assumir o cargo no ano passado, o atual reitor, Cícero Ivan Ferreira Gontijo, assumiu o compromisso de atuar na contenção de gastos. Para enxugar o orçamento, uma das soluções foi dissolver as bolsas. Um dos prejudicados foi Caio Sena, representante brasileiro nos Jogos de Londres na prova da marcha atlética. Na última semana, ele foi agraciado pela universidade com uma placa em homenagem à carreira e à maneira positiva como leva o nome da instituição país afora. No dia seguinte, recebeu o e-mail com a péssima notícia. “É vergonhoso e triste. No ano passado, 422 alunos e atletas recebiam a bolsa. E, agora, levamos um tapa na cara.”.

Procurado pelo Correio desde a tarde de segunda-feira, o reitor não se pronunciou. Nem mesmo os atletas conseguiram conversar com Cícero Gontijo para entender a decisão. “Tentei falar com ele, mas não tive sucesso. Ainda não sei o que farei”, lamenta Caio Sena. O marchador deve buscar outra faculdade para continuar a receber a bolsa.
Na noite da última segunda-feira, alguns alunos fizeram um protesto em frente ao bloco central do centro universitário. Durante a manifestação, o estudante do último semestre de administração Helder Alves assistia a uma aula. Bolsista desde 2008, o jogador de handebol não precisará mais do benefício no próximo semestre, mas lamenta a situação de companheiros de equipe. “Muita gente será prejudicada. O pessoal ficará sem condições de pagar a diferença da mensalidade. Para não ter de abandonar o esporte, alguns jogadores deixarão a Católica”, conta.
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