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Correio Braziliense

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Eles (quase) abandonaram a rede

Em protesto, adesão a uma causa, ou por simples desgaste, mais pessoas optam por deixar o Facebook. Mas há quem fique no vai e volta ou mude a forma de se relacionar na plataforma

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postado em 01/01/2013 12:31

Shirley Pacelli /

 

Matheus Rodrigues desativou  o perfil no Facebook durante um mês, mas voltou a utilizar, principalmente, para contatos profissionais: importante na divulgação de eventos (Cristina Horta/EM/D.A Press - 10/12/12) 
Matheus Rodrigues desativou o perfil no Facebook durante um mês, mas voltou a utilizar, principalmente, para contatos profissionais: importante na divulgação de eventos

“Vou entrar no Facebook rapidinho antes de dormir.” Duas horas depois, você se dá conta de que já é tarde, tem que acordar cedo para trabalhar e, provavelmente, vai se tornar um zumbi no dia seguinte. Acredite, você não é o único que faz planos com seu tempo livre e, quando vê, perdeu horas descendo a barra de rolagem da rede social com a esperança de achar algo interessante. Além da falta de privacidade — reclamação mais recorrente entre os usuários —, o fato de a plataforma tomar tempo demais, na maior parte das vezes com conteúdo inútil, são fatores que explicam por que tem se tornado cada vez mais comum o “facebookcídio”, a exclusão da conta.

Foi o que ocorreu com o músico Matheus Rodrigues, 29 anos. Ele desativou o perfil no site durante um mês. “Você chega no fim do dia e pensa: ‘Poderia ter ido dormir em vez de ficar 40 minutos on-line’. Fora que a rede permite muita xeretagem”, diz. O músico se cadastrou em meados de 2009 e, desde então, acessava o Facebook muitas vezes ao dia. Agora, só se conecta quando vai conferir o e-mail à noite e não passa mais que 20 minutos com a página aberta. Ele diz ter voltado porque tem vários amigos em outras cidades e, como é músico, a rede é boa ferramenta para divulgar seus eventos. “É como aquela frase: ‘O Facebook é igual a geladeira, você sabe que não tem nada novo, mas abre de 10 em 10 minutos’”, brinca.

Não ter um smartphone facilita o autocontrole no acesso à rede de relacionamentos. Normalmente, quem tem o aparelho verifica as notificações o dia inteiro. “Ele é um telefone muito ruim para a função principal de ligar. Prefiro jogar no videogame, tirar foto com câmera e navegar na internet pelo PC”, afirma Matheus, ao explicar o motivo de não ter um celular inteligente.

Já o profissional de comunicação Billy Lima saiu do Facebook por questões profissionais. Por trabalhar na área esportiva, recebia muitos pedidos de amizade e aceitava todos, independente de conhecer os usuários. Com o tempo, os “amigos” começaram a acusá-lo de torcer para o time A ou B. O incômodo foi tamanho que ele preferiu deletar sua conta, com cerca de 500 conexões.

Depois, Lima criou outro perfil em que adiciona só amigos, familiares e colegas de profissão. “Claro que você se sente aliviado, parece que deixou uma prisão. Tira um peso das costas saber que não terá pessoas inconvenientes para atormentá-lo.” De negativo na rede social, ele cita a exposição na web: “É um terreno onde todos se acham donos da verdade e que podem fazer juízo de valor de qualquer pessoa”, destaca.

Não uma, mas duas vezes, Janaina Ferreira Pinto, 28, técnica em saúde bucal, deletou seu perfil no Facebook. O motivo era sempre o mesmo: exposição em demasia. “Mas percebi, hoje em dia, que é uma ferramenta necessária de comunicação e pode ser usada sem nos expormos demais”, ressalva. Ela conta que depois que desativou a conta pela primeira vez simplesmente passou a não existir: “Dizem que nos medimos pelos outros. Acho que isso é uma verdade.”

Por duas vezes, Janaina Pinto deixou a rede social: exposição em demasia foi o principal motivo (Andre Katz/Divulgação) 
Por duas vezes, Janaina Pinto deixou a rede social: exposição em demasia foi o principal motivo

Reclamações
A ausência digital despertou reclamações dos amigos, porque ela perdeu o aniversário de um deles. Motivo? Os convites foram feitos unicamente pelo Facebook. “Só notaram a minha falta quando a festa já tinha começado. Justificaram dizendo que não me acharam no site”, conta.

Para Janaina, as pessoas se habituaram tanto com o vínculo digital que se esquecem da importância de um telefonema, uma visita e até uma carta de próprio punho. Um dos motivos que fazem com que a técnica sempre volte para a rede é a possibilidade de divulgar todo tipo de arte, além de compartilhar arquivos. “É uma espécie de sociedade alternativa na qual as pessoas comuns podem mostrar que são tão boas quanto os artistas que estão na mídia”, ressalta.

Janaina participa com várias garotas, de diferentes estados, do Dose Literária, site dedicado à literatura que tem os textos divulgados por uma fan page (http://on.fb.me/Vx0Nms). A página tem cerca de 1,7 mil curtidas.

 A técnica chegou a gastar cerca de quatro horas diárias olhando suas notificações, mas atualmente ocupa no máximo 40 minutos de seu tempo, e não mais diariamente. Ela conta que chegou a ter 700 amigos no site, mas foi desfazendo as amizades à medida que percebeu que eram apenas números. “Deixei as pessoas com quem tive ao menos um contato pessoal na vida”, esclarece.

Das redes sociais, só o perfil no Flickr permanece desde a criação. Alguns amigos de Janaina também cancelaram a conta no Facebook. Uma boa parte porque sofreu cyberbullying. A técnica afirma que apesar de vivermos em tempos diferentes dos nossos pais — a era digital — não podemos esquecer de ficar off-line por um tempo, para ver o mundo mais de perto. “É uma experiência que nenhuma rede pode proporcionar”, destaca.


“FACEBOOKCÍDIO”

 (QuitFacebookDay/Reprodução Internet) 

31 de maio de 2010

O Quit Facebook Day (quitfacebookday.com) foi organizado pelos canadenses Matthew Millan e Joseph Dee. Segundo eles, a rede havia alterado os padrões de privacidade para aumentar o compartilhamento de dados dos integrantes. Dessa forma, o Facebook aumentaria o seu banco de informações e criaria estratégias para os usuários ficarem mais tempo na página. A ideia era excluir a conta na data marcada. No entanto, o site alterou as configurações uma semana antes, acalmando os ânimos.

 (Facebook/Reprodução Internet) 

2 de novembro de 2012

Mais de 4,5 mil usuários prometeram cancelar suas contas no Facebook em apoio à causa dos índios guaranis-caiovás, que vivem em Mato Grosso do Sul e lutam pela demarcação de terras. A ideia surgiu depois da repercussão de uma carta aberta da tribo ao governo federal, na qual os indígenas comunicaram que decidiram morrer na terra onde os ancestrais viveram, o que poderia ser interpretado com suicídio coletivo. O apoio na rede social seria uma morte simbólica dos usuários do Facebook.

 (YouTube/Reprodução da Internet) 

Ame-o ou deixe-o

“Oi. Eu sou o Ross e estou há cinco meses e 17 dias limpo.” Com essa ideia, o protagonista do vídeo Você precisa sair do Facebook (http://migre.me/5PjcU) começa a sua saga de argumentos para convencê-lo desse suicídio virtual. Sem falar nada, apenas mostrando dezenas de dizeres em cartazes, ele reflete sobre a superficialidade das relações na web e a importância que se dá a elas na realidade. A antiga ordem “saia da frente da televisão” foi substituída por “saia do Facebook”. E você, diante de tantos apelos, vai aderir ao “facebookcídio”?

 

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