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Correio Braziliense

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São tantas tentações

Experimento que propõe ausência total da rede por 100 dias mostra que não é fácil resistir. Dependência vira caso para especialistas, que alertam: excesso pode gerar baixo nível de comunicação pessoal e perda da capacidade de foco

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postado em 01/01/2013 12:34

Cristiano de Abreu do Pro-Amiti: saber o que é dependência não é tarefa fácil (Arquivo pessoal) 
Cristiano de Abreu do Pro-Amiti: saber o que é dependência não é tarefa fácil

“Estou bem. Começando a me sentir limpo e com tempo de sobra para outras coisas.” Parece, mas o depoimento não foi ouvido em uma reunião dos Alcoólicos Anônimos ou pessoas tentando se livrar de qualquer outra dependência. Marcelo R. é uma das 100 pessoas que toparam participar de um desafio: 100 dias sem Facebook. Mais do que ideia de algum hater (odiador) da rede, o #100Face (100face.com.br) é um projeto de experimento social. O objetivo não é defender a permanência ou saída de ninguém da rede. O intuito é levantar questionamentos sobre o domínio que ferramentas privadas e mecânicas têm sobre os aspectos sociais mais comuns dessa geração.

O projeto foi criado em 22 de setembro do ano passado e terminou hoje. Dos 100 participantes, muitos já sucumbiram aos encantos da telinha azul. No blog do experimento, eles relatam o porquê. Entre as maiores tentações está a vontade de ver as fotos da festa mais recente e até carência de conversar com os amigos próximos que, de repente, sumiram. Alguns dão desculpas mais sérias: “Tive que voltar ao perfil para pegar conteúdos de disciplinas da faculdade”, disse um deles.

Na página, não há uma contabilidade com os eliminados/desistentes. Mas, de acordo com as declarações nos posts, mais de 15 já desistiram. Muitos deles não fizeram atualizações, o que faz concluir que mais pessoas podem ter abandonado o desafio. A ideia, segundo Felipe Teobaldo, idealizador do projeto, não é descobrir quanto tempo se consegue ficar sem o Facebook, mas do que você depende para ser feliz.

No blog, os organizadores afirmam que cada vez mais a identidade digital faz parte da construção da identidade social. Nesse ponto, os participantes do experimento tentariam descobrir o porquê da necessidade de consumir tantas informações sobre os círculos sociais on-line.

Há como saber se está viciado na internet? Segundo Cristiano Nabuco de Abreu, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Programa Integrado dos Transtornos do Impulso (Pro-Amiti), da Universidade de São Paulo, é preciso ir com calma. Antes de fazer a autoavaliação, é necessário analisar que se vive em uma época em que a tecnologia está muito presente. “O celular é tudo: despertador, câmera, PC e ainda permite que você ligue para alguém. Transformou-se em um portal pessoal”, exemplifica. Para ele, delimitar o que é dependência não é uma tarefa das mais fáceis. Um sinal seria quando a pessoa percebe que, prioritariamente, prefere utilizar a tecnologia para resolver tudo: da compra de um tênis a um convite de aniversário.

Multitarefa

Abreu explica que surgem vários problemas dessa conexão excessiva, como baixo nível de comunicação pessoal e perda da capacidade de foco, que alguns gostam de chamar de pessoa multitarefa. “É como meu pai dizia: o homem dos sete instrumentos não toca nenhum direito”, reflete. Ele conta que há duas correntes de pesquisa sobre essa geração de jovens conectados. A primeira diz que eles nunca foram tão rápidos e que houve um leve aumento do QI. A outra acredita que ser rápido não necessariamente os faz mais inteligentes. Além de dizer que essa juventude não consegue acumular conteúdo ao longo da vida — afinal todas as pesquisas estão a um clique.

O coordenador se inclina a favor dessa segunda visão. “Nossa geração mudou muito. Se não usarmos a tecnologia a nosso favor, ela nos engole. O problema é você, não a rede.” Para ele, essa geração está navegando à deriva, não existe uma massa crítica. Abreu lembra que um estudo do Ibope, divulgado em setembro de 2012, apontou que 70% dos brasileiros assistem o seu programa favorito com outra tela na mão. Outra pesquisa apontou que 10% dos usuários no mundo são viciados na internet e cerca de 20% seriam dependentes do celular. Isso em 2010, quando não havia o boom dos smartphones.

“Na sala de espera do meu consultório, todas as vezes que abro a porta para chamar os pacientes, eles estão entretidos com o iPhone”, conta. Ele explica que verificar o celular é normal, mas não a cada minuto. “Seria o mesmo que fazer ginástica o dia inteiro ou comer todo o tempo”, compara. Abreu aconselha a estabelecer um horário para o acesso às redes sociais e desabilitar as notificações do aplicativo do celular, que, normalmente, insistem em apitar a cada 30 segundos. Suspeita que está viciado? Faça um teste no Dependência de Internet (dependenciadeinternet.com.br). O site, coordenado por Abreu, reúne orientações sobre o tema.


A fila anda, mas demora
Se o Orkut já foi o queridinho entre os usuários no Brasil, no início do ano o Facebook conquistou de vez um espaço cativo no coração dos brasileiros. Grande parte dos especialistas da área afirma que ainda não surgiu uma rede capaz de destronar o Facebook — são todos sites de nicho. Entre os candidatos à posição ocupada hoje pelo site de Zuckerberg estão o Google +, o Socl (da Microsoft) e o Pinterest. A rede do Google ganhou o recurso de comunidades, ponto forte do quase esquecido Orkut. Pode ser que essa cartada atraia a atenção dos usuários não ativos entre os 250 milhões cadastrados.


Caminho do fim

Desativar e deletar a conta no Facebook são duas ações distintas. Na primeira delas, é possível retornar à rede com todos os amigos e linha do tempo intactos; a segunda opção extingue todo o rastro na rede social. Quer saber como excluir sua conta no Facebook? Siga os passos:

 (Fotos: Facebook/Reprodução Internet) 

1 - Acesse a página oficial do Facebook e digite nos campos indicados o seu nome de usuário e senha. Clique em entrar. Para aqueles que deixaram a opção Lembrar pré-selecionada, basta acessar o site que o processo é feito automaticamente.

 

2 - Em seguida, acesse as suas  Configurações da conta no canto superior direito da tela, onde há uma engrenagem. Recentemente, o Facebook adicionou uma outra ferramenta para ajustar as opções de privacidade.

 

3 -
Vá ao menu Geral. No entanto, antes de prosseguir,  clique sobre a opção Baixe uma cópia dos seus dados do Facebook. Esse recurso guardará no computador todas as suas fotos que foram compartilhadas na rede.

 

4 - Uma tela aparecerá pedindo para abrir o arquivo da cópia. Abra-o. Uma nova mensagem informará que você vai receber um e-mail com o link do becape. Espere recebê-lo e baixá-lo no PC antes de desativar sua conta, caso contrário você perde todos os dados.

 

5 - Feita a cópia, vá em Segurança ainda no menu de configurações. Clique em Desativar conta. Seu perfil não ficará disponível para pesquisas, mas algumas informações suas ainda permanecem visíveis até o cancelamento real.

 

6 - Aquela clássica mensagem “Tem certeza que quer desativar sua conta?” aparecerá em seguida. O Facebook ainda dá uma choradinha e mostra para você os perfis dos seus amigos que sentirão sua falta. Escolha o motivo de sua saída na lista oferecida.

 

7 - Decida se quer receber e-mails de marcações e convites dos amigos após o cancelamento da sua conta. Feito isso, é só confirmar a desativação com a senha. A conta foi desativada, mas caso queira voltar, o Facebook grava alguns de seus dados originais.

 

Exclusão permanente
» Para excluir de verdade, é preciso acessar o link: facebook.com/help/delete_account. O site solicitará a confirmação de senha e de palavras. Você perderá todos os dados na rede social.
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