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Ciência

Terreno promissor para os jovens

Brasil investe cada vez mais em tecnologia, desenvolvimento científico e novos talentos. Além do considerável aumento no número de bolsas de estudo, aportes financeiros cresceram nada menos que 298% em uma década

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postado em 10/01/2013 08:00 / atualizado em 09/01/2013 13:07

Celina Aquino

Belo Horizonte — Em poucas épocas, a ciência brasileira foi tão produtiva como agora. No últimos anos, o Brasil viu crescerem os investimentos, o número de trabalhos publicados e o reconhecimento de sua produção no cenário internacional. Para se ter uma ideia, o número de bolsas de estudo (no país e no exterior) saiu de 28.696 em 1990; elevou-se a 43.564 em 2000; e bateu o patamar de 90.089 em 2011, segundo indicadores do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Com esse cenário, a carreira de pesquisador se torna mais atraente a jovens talentos, que começam a se destacar em suas áreas, como os quatro cientistas retratados nesta reportagem, alguns dos nomes que podem fazer a diferença neste ano que se inicia.  

Os recursos destinados ao setor tiveram crescimento significativo: em 2000, do total de aportes públicos e privados em pesquisa, desenvolvimento, atividades científicas e técnicas correlatas, o Brasil apostou R$ 15,28 bilhões. Em 2005, o montante subiu para R$ 27,27 bilhões e, em 2010, segundo dados preliminares disponíveis no portal do MCTI, foram R$ 60,89 bilhões. Em uma década, o aumento foi de 298%.

Os números refletem uma realidade, corroborada na prática por quem vive nesse universo. Professora na Universidade Federal da Bahia (UFBA), a química Gisele Olímpio da Rocha observa que tem aumentado o interesse do Brasil em ser  reconhecido mundialmente pela pesquisa, o que reflete no montante direcionado ao setor. “Ainda ocorre de brasileiros irem para o exterior, e isso é muito salutar, mas estamos presenciando o caminho contrário. Pesquisadores estão vindo ao Brasil para trabalhar com pesquisa”, destaca ela. Exemplo disso é o Ciência sem Fronteiras, programa do MCTI e do Ministério da Educação (MEC) que prevê mais de 100 mil bolsas de estudo em quatro anos para promover intercâmbio, de forma que alunos de graduação e pós-graduação façam estágio no exterior, e para atrair pesquisadores do exterior que queiram se fixar no Brasil.

O químico Antonio Otavio de Toledo Patrocinio teve a oportunidade de trabalhar na indústria, mas optou por seguir a carreira acadêmica na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). “Aqui no Brasil, só há uma opção para quem atua com pesquisa, que é estar vinculado ao ensino superior”, diz o vencedor do Prêmio Green Talents, oferecido pelo governo alemão a autores de pesquisas ligadas à sustentabilidade.

A arquiteta gaúcha Ana Carolina Santos Pellegrini fez diferente: concluiu o doutorado enquanto trabalhava como professora em universidades particulares. Com a última tese, intitulada Quando o projeto é patrimônio: a modernidade póstuma em questão, ela venceu o Prêmio Capes 2011 na área de arquitetura e urbanismo, agora representando a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “A pesquisa é desenvolvida dentro de universidades públicas. Hoje, eu ganho quase 30% menos, mas estou na melhor universidade do Brasil”, pondera a recém-concursada.
 “Tenho plena consciência de que o Estado investiu em mim e é fundamental que eu dê retorno à população. De nada adianta estudar os genes se isso não for aplicado no dia a dia para tratar as pessoas”, afirma o médico Roberto José de Carvalho Filho, que estuda a influência genética em doenças hepáticas. O plano do professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) é seguir com a pesquisa enquanto ministra aulas e atende em consultório, mas ele sugere uma mudança na forma de avaliar o desempenho dos pesquisadores. Atualmente, leva-se em consideração exclusivamente o volume das publicações por ano, o que para ele não reflete a contribuição do cientista para a sociedade.

Agora, com o novo ano pela frente, os quatro desejam desenvolver estudos de alto nível e contribuir para o desenvolvimento do país. Procurado pela reportagem, o MCTI não informou quanto planeja disponibilizar para o setor neste ano.
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