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Tecnologia

Em extinção

Instituto de engenheiros de 150 países divulga os eletrônicos e os serviços que não agradam mais aos usuários. A cloud computing, nuvem de armazenamento de dados, é uma das apostas deste ano

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postado em 10/01/2013 08:00 / atualizado em 09/01/2013 13:07

Roberta Machado

 

O desktop é cada vez mais um artigo da antiguidade no mundo da informática: máquinas bem menores fazem o mesmo trabalho que ele (Carlos Moura/CB/D.A Press) 
O desktop é cada vez mais um artigo da antiguidade no mundo da informática: máquinas bem menores fazem o mesmo trabalho que ele

Com a virada do ano, é natural que alguns hábitos fiquem para trás, dando espaço a novas resoluções e conquistas. É hora de renovar o guarda-roupa, de mudar a dieta, de começar um novo esporte ou de procurar um emprego melhor. Mas também é uma oportunidade de aderir às facilidades eletrônicas que há algum tempo ganham espaço na rotina e no mercado, deixando alguns eletrônicos e ferramentas obsoletos no passado.

De acordo com um levantamento feito por especialistas de consumo do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE, em inglês), a chegada de 2013 promete facilitar o uso do computador, o pagamento de contas e até mesmo a direção de um automóvel. A entidade, que tem profissionais de 150 países, divulgou essa lista pela primeira vez neste ano, em que apontou algumas tecnologias que estão em pleno processo de substituição e outras que deixaram o mundo da ficção científica para virar realidade em projetos de empresas de eletrônica — alguns deles já estão no mercado, outros ainda devem levar alguns anos para chegar às prateleiras com preços acessíveis.

O ritmo dessa mudança, segundo o IEEE, depende dos próprios usuários. “Tecnologias que desaparecem são aquelas que não têm os recursos e a flexibilidade que os consumidores querem ver em produtos modernos. Se a tecnologia for útil, terá um rápido crescimento, e o preço diminuirá até que seja onipresente”, resume Tom Coughlin, membro do instituto. Um exemplo dessa revolução é o serviço de conexão de voz sobre IP (VoIP). Especialistas apostam que cada vez mais as facilidades dessa ferramenta devem manter o telefone fixo no gancho. “Telefones são ‘mortos-vivos’ em muitas partes do mundo devido à maior conveniência, aos recursos adicionais e à flexibilidade de celulares e telefones VoIP. Telefones fixos estão indo no caminho de telefones públicos, trata-se de uma entidade em extinção”, avalia Coughlin.

Já outras transições, como os carros inteligentes, devem seguir a passos lentos até serem mais aceitas pelos fabricantes e pelos bolsos dos brasileiros. “Uma transição muito longa foi a da TV digital, que começou há mais de 15 anos. Mas outras tecnologias, como as dos aparelhos sem fio ou de redes sociais, foram adotadas muito rapidamente”, compara Rafael de Sousa, professor de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília (UnB). Para 2013, o especialista aposta no sucesso do cloud computing, a chamada nuvem. “Não precisamos nos preocupar com arquivos, copiamos tudo para a rede. Mas isso também vai aumentar a necessidade de novas tecnologias de segurança”, pondera.

Visita virtual
A nuvem deve dispensar ainda a visita do suporte técnico. Na hora de configurar uma máquina ou de atualizar um programa, o internauta já conta com o espaço virtual para tornar o processo mais rápido e confiável. “A virtualização dos computadores permite o barateamento da tecnologia de informação e a supressão da necessidade do HD”, explica Karin Breitman, vice-presidente do Centro de Pesquisas da EMC Brasil e professora da PUC Rio. “A nuvem faz com que você passe todas as preocupações para o data center. Ela centraliza o suporte na mão de quem gerencia a nuvem. Isso diminui os requisitos do usuário, mas aumenta o desafio de qualidade necessária dos servidores.”

Serviços como esse existem há quase tanto tempo quanto a rede em si, mas ganham popularidade e se tornam mais acessíveis com o aumento do espaço na nuvem e das velocidades de conexão. Se antes os vídeos virtuais se resumiam a exibições de poucos minutos no YouTube, hoje o capítulo da novela e das temporadas inteiras de séries de sucesso podem ser vistos em streaming, sem comerciais ou downloads. Ouvir música sem comprar os álbuns também deixou de ser motivo de discussão de direitos autorais com os diversos servidores que oferecem milhares de títulos on-line.

Mas, entre o armazenamento de arquivos e o acesso à mídia, o item incorporado pela nuvem que mais deve marcar seu território na rede neste ano é o dinheiro. A popularização das compras on-line e dos smartphones criaram uma porta de entrada para transações feitas diretamente pela internet, mesmo que a compra não seja virtual. Por meio da Comunicação de Campo Próximo (NFC, em inglês), basta instalar um aplicativo no telefone, digitar a senha e o valor da compra é automaticamente passado para o aparelho da loja ou do restaurante.

Embora a troca do cartão pelo celular tenha sido anunciada há anos e já esteja em pleno uso em alguns países, especialistas apontam que ainda deve levar alguns anos para que brasileiros tenham o hábito de pagar o cafezinho com o simples toque de um celular. “Existe um esforço de substituir o cartão por algo virtual e discute-se muito o uso do smartphone, mas a decisão ainda não é consensual na área bancaria”, alerta Marcelo Zuffo, professor da Escola Politécnica da USP.

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