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Conjuntura

Inflação atormenta Dilma

Subida dos preços em seis das sete capitais assusta governo, que já teme a perda do poder aquisitivo da faixa mais pobre da população

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postado em 19/01/2013 08:00 / atualizado em 18/01/2013 13:05

Vânia Cristino

Educação foi um dos itens que contribuíram para o resultado do IPC-S. Mas, alimentação, habitação e despesas diversas também pesaram mais no bolso  (Iasminny Thábata/Esp. CB/D.A Press - 25/10/12 ) 
Educação foi um dos itens que contribuíram para o resultado do IPC-S. Mas, alimentação, habitação e despesas diversas também pesaram mais no bolso

A inflação no início do ano assusta o consumidor e ameaça tirar o sono do governo. Em seis das sete capitais, houve aumento dos preços de produtos e serviços que integram o Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Com a alta, os movimentos da equipe econômica, que busca saídas para conter a aceleração da carestia, inclusive procurando apoio na oposição, deverão se intensificar nos próximos dias. O grande temor é que o poder de compra da fatia mais pobre da população seja afetado e anule ganhos reais de salários acumulados nos últimos anos. O que poderia comprometer, inclusive, a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Independente dos temores do Planalto, a inflação avança, de acordo com os dados divulgados ontem pela FGV referentes à comparação da primeira com a segunda quadrissemana de janeiro. No período analisado , o IPC-S passou de 0,77% para 0,89%. O índice registrou aceleração de preços em Brasília (de 0,63% para 0,72%), Belo Horizonte (de 0,72% para 1,01%), Recife (de 1,01% para 1,11%), Rio de Janeiro (de 0,86% para 1,04%), Porto Alegre (de 0,43% para 0,60%) e São Paulo (de 0,78% para 0,87%). A única capital que registrou desaceleração da alta de preços foi Salvador, onde o recuo foi de 1,12% para 1,02%.

Segundo José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, a alta dos índices de preços ao consumidor já era esperada e acontece todo início de ano, com força no mês de janeiro. “É a inflação gregoriana”, brincou Lima Gonçalves, referindo-se às despesas fixas do calendário como as de educação, habitação e recreação. Ele disse esperar índices altos em torno de 0,80% para todos os indicadores de preços aos consumidores no mês. Nos últimos anos, só em janeiro de 2009, logo depois da crise, é que esses índices variaram em torno de 0,48%. Mas isso, segundo o economista, é a exceção e não a regra.

A pesquisa da Fundação Getulio Vargas comprova o que diz Lima Gonçalves. Os gastos com educação, leitura e recreação estão pesando no bolso neste início de ano. É o que revela a sondagem do IPC-S, realizada entre os dias 16 de dezembro de 2012 e 15 de janeiro de 2013, o índice apresentou variação de 0,89%, 0,12 ponto percentual acima da taxa registrada na última divulgação.

Nessa apuração, quatro das oito classes de despesas avaliadas apresentaram acréscimo em suas taxas de variação. Além de educação, leitura e recreação, também ficaram mais caros os itens alimentação, despesas diversas e habitação. Apresentaram desaceleração os itens, roupas, tarifa de táxi, salão de beleza e mensalidade de TV por assinatura.

Brasília
Em Brasília, as pressões acima da variação média ficaram por conta de despesas diversas (2,90%), alimentação (1,91%), além de educação, leitura e recreação (1,08%). Variação abaixo da média foram medidas nos grupos saúde e cuidados pessoais (0,42%), vestuário (0,38%), transportes (0,14%), habitação (0,02%) e comunicação (0,01%).

A alta dos índices de preços aos consumidores, que deverá se alongar pelo menos até fevereiro, tem fôlego curto. Segundo Lima Gonçalves, os IGPs, por exemplo, indicadores com forte vinculação aos preços no atacado, estão vindo mais fracos. É o caso do IGP-10, que apresentou alta de 0,42% em janeiro, abaixo da expectativa do mercado de 0,58%. Em dezembro, o IGP-10 foi de 0,63%. A taxa em 12 meses subiu de 7,42% (dezembro) para 7,79% (janeiro).

“Demora um pouco para a desaceleração no atacado bater nos índices de preços aos consumidores”, observou o economista. A inflação medida na segunda quadrissemana de janeiro pelo IPC da Fipe também acelerou para 0,96% em relação à taxa de 0,86% da primeira quadrissemana. Para isso, contribuiu a escalada da inflação dos alimentos, de 1,76% para 2,07% , além das despesas pessoais, de 1,87% para 2,02%. Por enquanto, o que há de concreto é o avanço inflacionário e o medo governamental de que ela se transforme na bola de neve que esfriará as chances de continuação do PT na presidência.

Em disparada
Custo de vida não dá trégua à população. Veja reajustes de preços nas principais capitais
do país:


Brasília    0,72%
Belo Horizonte    1,01%
Recife    1,11%
Rio de Janeiro    1,04%
Porto Alegre    0,60%
São Paulo    0,87%
Salvador    1,02%

Fonte: FGV - segunda prévia do mês

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