Tragédia em Santa Maria

Pais preocupados com a segurança nas escolas

Volta às aulas deixa em alerta as famílias, especialmente em relação ao preparo para situações de emergência, como incêndios

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postado em 30/01/2013 11:31


Professoras retiram crianças da escola Maple Bear, no Setor de Indústrias Gráficas, durante incêndio, em outubro. Maioria das instituições não têm planos de evacuação  (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 11/10/12 ) 
Professoras retiram crianças da escola Maple Bear, no Setor de Indústrias Gráficas, durante incêndio, em outubro. Maioria das instituições não têm planos de evacuação

O despreparo para lidar com incidentes como o que provocou a tragédia em Santa Maria (RS) não fica restrito à cena noturna. A falta de informação e de treinamento dos profissionais de instituições com atendimento ao público aumenta o risco de que o episódio ocorrido na boate Kiss repita-se a qualquer hora. A dor daqueles que perderam os filhos na casa gaúcha agora renova a preocupação dos pais brasilienses, principalmente nesta época de volta às aulas. Sem a certeza de que as escolas possuem estrutura para lidar com situações de emergência, muitos temem pela segurança das crianças.

Para o presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do Distrito Federal (Aspa), Luís Cláudio Megiorin, o perigo também bate à porta das escolas de Brasília, sejam elas públicas ou particulares. “Hoje em dia, essa não é uma preocupação das escolas. Não existem planos de evacuação e, quando existem, não são divulgados. Muitas instituições também não contam com saídas de emergência e equipamentos de segurança”, emenda, acrescentando que os pais já estão mais preocupados com as instalações das escolas.

Um acidente no ano passado por sorte não terminou em tragédia. Em 11 de outubro, um incêndio assustou alunos e profissionais da escola canadense Maple Bear, que comemorava antecipadamente o Dia das Crianças. No caso da instituição, localizada na Quadra 8 do Setor de Indústrias Gráficas (SIG), a existência de equipamentos de segurança e de saídas bem dimensionadas evitou o pior. Ninguém ficou ferido pelo fogo que tomou o ginásio do colégio.

Ainda assim, o incêndio deixou assustados pais, como o servidor público Emerson Willer, 35 anos, que manteve o filho Arthur na escola após o episódio, mas pretende cobrar providências da direção na volta às aulas, marcada para fevereiro. O garoto, de 5 anos, estava a caminho da escola quando ocorreu o incêndio. “Foi horrível. A escola teve sorte de não ter nenhuma criança no ginásio no momento do incidente”, lembra Willer. “De uma maneira geral, acho que a escola fez tudo o que podia. Agiram rápido, tinham os extintores, saídas. Mas não havia brigadista no local e eles tinham um pessoal terceirizado promovendo o evento, que não
deviam ter conhecimento dos procedimentos mínimos de segurança”, comenta.

Na época, a escola apresentou alvará de funcionamento e a assessoria destacou que “todo o material de combate a incêndio está em dia”.

Treinamento
O risco, no entanto, não fica restrito às instituições de ensino. Ele também está em restaurantes, cinemas e na rede pública de saúde (ver memória). Nos hospitais do Distrito Federal, não há brigadas de incêndio em atividade e os funcionários não recebem qualquer instrução ou treinamento quanto aos procedimentos de segurança para emergências como incêndios. De acordo com a Secretaria de Saúde do DF, desde o início do ano passado, circula na pasta um projeto para a contratação de equipe especializada no combate ao fogo, mas ainda não há data prevista para o encerramento do processo que colocaria brigadistas nos 16 hospitais regionais da rede.

Apesar dessa falha, o órgão assegura que mantém todas as unidades equipadas com extintores, hidrantes e demais equipamentos de proteção. Além disso, os hospitais passam por vistoria do Corpo de Bombeiros ao menos duas vezes ao ano. O Hospital de Base, por exemplo, recebeu uma visita da corporação em novembro de 2012, informa o governo.

Memória
Fogo no cinema

Maio de 2010
Três salas de cinema da Academia de Tênis, no Setor de Clubes Esportivos Sul, acabaram destruídas após incêndio provocado por uma cola aplicada no carpete. As chamas espalharam-se rapidamente, mas não houve feridos. O local estava fechado. A última vistoria no cinema tinha ocorrido um ano antes. Na ocasião, os bombeiros constataram 39 irregularidades. Uma liminar, porém, garantia o funcionamento das salas.

Agosto de 2011
O restaurante Oca da Tribo, na Quadra 2 do Setor de Clubes Sul, foi totalmente consumido por um incêndio em menos de meia hora, no início da tarde de 3 de agosto. O fogo começou em uma área de cerrado próxima ao estabelecimento e logo tomou toda a construção, feita de palha e madeira. Embora atendesse clientes havia sete anos, o local funcionava sem licença de funcionamento, segundo a administração de Brasília.

Outubro de 2012
O fogo acabou com a festa do Dia das Crianças da escola canadense Maple Bear, na manhã de 11 de outubro. O incêndio começou em uma pipoqueira instalada no ginásio especialmente para a comemoração. Brinquedos infláveis ajudaram a propagar o fogo, que foi contido em menos de meia hora. As chamas, no entanto, alcançaram uma gráfica vizinha à escola e só foram controladas após sete horas.

“Não existem planos de evacuação e, quando existem, não são divulgados. Muitas instituições também não contam com saídas de emergência e equipamentos de segurança”
Luís Cláudio Megiorin, presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do DF

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