Diversão do passado e do presente

Raridades como o primeiro videogame doméstico do mundo, lançado em 1972, e rádios fabricados na década de 30 contam a história da evolução tecnológica

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postado em 20/02/2013 08:00 / atualizado em 19/02/2013 11:23

Silas Scalioni


Cleidson Lima reúne um acervo com mais de 150 videogames e realiza anualmente um evento em Campo Grande: consoles de todas as gerações (Arquivo Pessoal) 
Cleidson Lima reúne um acervo com mais de 150 videogames e realiza anualmente um evento em Campo Grande: consoles de todas as gerações

É natural que os videogames preferidos dos 60 milhões de brasileiros, que têm um console em casa, segundo pesquisa Ibope, sejam os modelos atuais: PS2 é o mais popular, seguido do Xbox 360 e Playstation 3. Além dos campeões de vendas, há também muita procura pelo Nintendo Wii e por portáteis como o PS Vita e o Nintendo 3DS. No entanto, há jogadores que, embora acompanhem os lançamentos do mercado, não se desfazem dos antigos e acabam acumulando uma pequena coleção. Outros vão além e decidem resgatar a história dos consoles, transformando a casa em um verdadeiro museu. É o caso do jornalista Cleidson Lima, de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Com 40 anos de idade e há cinco como colecionador, ele reúne um acervo com mais de 150 videogames, entre consoles e portáteis de todas as épocas e gerações.

A coleção é de respeito. Entre os itens raros destaca-se o primeiro videogame doméstico do mundo: o Magnavox Odyssey, lançado em 1972, nos Estados Unidos. “Esse console foi criado pelo engenheiro Ralph Baer, hoje com 90 anos. Ele não tinha som, só gerava imagens em preto e branco, os jogos não passavam de riscos e quadradinhos e trazia folhas de plástico (overlays) que deveriam ser colocadas no tubo de imagem da TV para dar impressão de um ambiente gráfico. Mesmo com todas as limitações, esse equipamento foi o que inaugurou o mercado de videogames, que em 2012, 40 anos depois, movimentou US$ 68 bilhões em todo o mundo”, explica Cleidson Lima.

A coleção conta também com outros consoles bastante raros, como o Microvision, de 1979, primeiro videogame portátil a usar cartucho; o Atari Pong, de 1976, primeiro lançado pela Atari; o Fairchild Channel F, de 1976, primeiro a usar cartuchos; o Nintendo Virtual Boy, de 1995, considerado o primeiro 3D do mundo; o Vectrex, console que trazia imagens vetoriais e já vinha com o monitor acomplado; ou o quase desconhecido Action Max, de 1987, que precisava de um videocassete para rodar seus jogos em fitas.

Além das raridades, a coleção apresenta dezenas de consoles que foram campeões de vendas durante décadas e, hoje, estão na lembrança de muitos jogadores. Na lista, estão clássicos como o Telejogo Philco Ford, de 1977, primeiro videogame fabricado no Brasil; o Atari 2600 (1977); o Nintendinho 8 bits (1985); o Sega Master System (1985); e o Mega Drive (1988).

Manter os mais de 150 videogames não é tarefa fácil. De acordo com Cleidson Lima, umidade, calor e poeira são inimigos poderosos de qualquer eletrônico. Por isso, ele sempre faz um “rodízio” para jogar em cada um dos consoles e ter certeza de que ainda funcionam. “Se houver algum problema, encaminho logo para  um técnico em eletrônica da cidade, que se especializou em videogames antigos”, revela.

Museu
Para Cleidson Lima, a coleção não tem preço, e seu objetivo é criar o primeiro museu do videogame no país, para que crianças e jovens possam conhecer os ancestrais do Xbox Kinect, Wii U e PS Vita. Enquanto o sonho não se concretiza, uma vez por ano ele promove o Campo Grande Game Show, um evento gratuito, realizado em um shopping da cidade, no qual os visitantes têm a oportunidade de conhecer a coleção e de jogar clássicos dos anos de 1980 e 1990. Eles participam ainda de campeonatos de futebol digital, aprendem conceitos básicos de desenvolvimento de games em oficinas gratuitas, disputam corridas em simuladores e concursos de cosplayers.

A terceira edição do evento já começou e vai até 24 de fevereiro, no shopping Norte Sul Plaza, em Campo Grande. O colecionador pretende, este ano, criar o Museu do Videogame Itinerante e levá-lo a outros estados. “Recebemos centenas de pedidos de todo o Brasil, de pessoas que gostariam de ver uma coleção tão diversificada e também aprender mais sobre esse rico mercado de desenvolvimento de jogos eletrônicos”, enfatiza.

Paralelamente, Cleidson Lima prevê lançar ainda este ano o Almanaque do videogame – O guia do colecionador, um trabalho de pesquisa de três anos, que resultará em mais de 300 páginas de textos e fotos de consoles lançados no mundo inteiro nas últimas quatro décadas. Mesmo incompleto, o livro já tem mais de 400 consoles relacionados.


Os clássicos

 (Cleidson Lima/Divulgação) 

Magnavox Odyssey, lançado em 1972, nos Estados Unidos, foi o primeiro videogame doméstico do mundo

 (Cleidson Lima/Divulgação) 

Atari 2600, de 1977: um clássico na prateleira

 (Cleidson Lima/Divulgação) 

O Nintendo Virtual Boy, de 1995, foi considerado o primeiro videogame 3D do mundo

 (Cleidson Lima/Divulgação) 

Telejogo da Philco Ford: primeiro videogame feito no Brasil
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