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Tecnologia

Espera perto do fim

Aficionados por tecnologia poderão experimentar, ainda este ano, o Google Glass, aparelho que promete revolucionar a forma como as pessoas usam a internet. Concurso definirá um seleto grupo que poderá testar uma primeira versão do aparelho

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postado em 26/02/2013 08:00 / atualizado em 25/02/2013 11:17


O novo produto em uma das fotos divulgadas pelo Google: clara preocupação em criar um design que pareça elegante aos usuários  (Google/Divulgação ) 
O novo produto em uma das fotos divulgadas pelo Google: clara preocupação em criar um design que pareça elegante aos usuários
Sergey Brin, um dos fundadores da empresa norte-americana, durante evento em que o aparelho foi mostrado no ano passado: propagandas trazem poucas informações técnicas (Stephen Lam/Reuters - 27/6/12 ) 
Sergey Brin, um dos fundadores da empresa norte-americana, durante evento em que o aparelho foi mostrado no ano passado: propagandas trazem poucas informações técnicas


O futuro está mais perto. O tão esperado Google Glass, par de óculos-ciborgue da gigante da internet, finalmente parece tomar forma. A empresa surpreendeu a todos alguns dias atrás, ao divulgar um vídeo que mostra algumas das características do equipamento, além de anunciar um concurso que vai escolher um grupo de internautas que poderão adquiri-lo antes de sua chegada às lojas. Até agora, o misterioso gadget só havia passado pelas mãos de poucos desenvolvedores. A entrega do produto para usuários comuns dá início a uma fase de testes, na qual os óculos devem receber os ajustes finais. Quem não for agraciado pelo Google na competição virtual terá de esperar até o fim do ano, quando o equipamento deve passar a ser vendido a um preço estipulado em US$ 1,5 mil.

O projeto, que beira a ficção, foi mantido praticamente em segredo por um ano e meio. Em 2012, os fundadores da companhia chamaram a atenção do mundo ao mostrar o aparato na conferência realizada anualmente. Durante o evento, eles exibiram um vídeo gravado por meio do Google Glass enquanto o usuário pulava de paraquedas, além da visão registrada por ciclistas em movimento. Mas as novidades pararam por aí. Pouco foi explicado sobre as funções da minúscula tela translúcida em formato de cubo, e teve início o período de especulações.

Todos os boatos deram lugar à pura expectativa desde a quarta-feira passada. O vídeo divulgado pela empresa não é exatamente um manual de instruções do Glass, mas dá uma boa ideia do que ele é capaz. Com os óculos, um usuário pode não só gravar vídeos enquanto realiza qualquer atividade como também compartilhar as imagens com colegas em tempo real — tudo por meio de comandos de voz, sem precisar tirar o smartphone do bolso nem digitar. Basta dar a ordem “Ok, Glass”, ditar a mensagem e tudo vai para a internet via wi-fi ou conexão 3G ou 4G, transmitida diretamente de um Android ou de um iPhone. Os óculos ainda não têm sinal de celular, mas contam com GPS.

Onipresente

O canto superior direito da visão do usuário fica reservado para exibir informações como horas, mapas, horários de voo, mensagens e até mesmo vídeos de outros portadores do equipamento. Sobre a orelha, fica um pequeno controle manual que faz o usuário parecer um agente secreto. Qualquer experiência pode se tornar uma desculpa para uma busca na internet por um sistema intuitivo e quase telepático. O Google quer que o público continue interagindo com pessoas e fazendo tudo o que faz normalmente — no vídeo os usuários esquiam, dançam balé e até mesmo pulam de um trapézio —, mas sempre mantendo um olho no mundo virtual. É o conceito da computação onipresente.

Pelo que foi mostrado, o equipamento é capaz de identificar o que a pessoa está vendo e, a partir de um comando de voz, buscar na internet informações. “O grande desafio é o usuário entender como ele funciona e configurá-lo. Os óculos não podem mostrar para uma pessoa o mesmo que mostra para outra. Ele precisa apresentar apenas informações relevantes para quem acessa”, aponta Celso Fortes, consultor em comunicação digital e novas mídias. Fica a dúvida se o aparelho não será usado para a invasão de privacidade ou para bombardear pessoas com propagandas disfarçadas de informações. “Deve haver uma configuração para colocar o que você quer ver ou não, e até mesmo desconectar os óculos”, ressalta Celso.

Entre os pontos descritos na patente do equipamento estão um escâner de retina, um teclado holográfico e um giroscópio e acelerômetro, usados para localização. Mas ainda não é certo quais características estarão presentes nas primeiras versões do aparelho — o Google promete fazer atualizações no projeto todos os meses. “Sem dúvida, é um marco na tecnologia”, avalia o analista de suporte Daniel Santos. “Não acho que seja simplesmente um smartphone inserido num óculos. Parece que ele não manda e-mail ou mensagem de texto. É um plus do que é feito hoje. No Facebook, você escreve algo e coloca uma foto tirada com o celular, mas com o óculos vai ser mais instantâneo. Acho que será uma facilidade instintiva”, prevê.

Apesar da proximidade do lançamento, muitas perguntas não foram respondidas ainda. Não é garantido nem mesmo se o design que será vendido na provável loja exclusiva do Google será o mesmo que o apresentado ao público no vídeo. Desde que o Glass começou a ser desenvolvido, ele passou de um fundo de garrafa de 4kg para uma tira de plástico flexível que pode ser guardada no bolso. De acordo com o jornal The New York Times, a empresa está preocupada em tornar a ideia de usar no rosto um computador mais elegante, e está em negociações com a grife de óculos Warby Parker para tentar tornar o projeto mais atraente — o modelo esteve nas passarelas da semana de moda de Nova York, em setembro, e foi visto no rosto de celebridades como Sarah Jessica Parker. As imagens divulgadas pela empresa até agora incluem um par de lentes escuras que não deixa o acessório passar despercebido, mas ao menos dão uma certa discrição ao design.

Corrida


A divulgação de informações deu início a um verdadeiro concurso pelo bilhete dourado da internet, com milhares de fanboys submetendo tuítes para ter o direito de comprar o gadget primeiro. Os interessados precisam apenas dizer em 50 palavras o que fariam se tivessem os óculos e assinalar a mensagem com a hashtag #ifihadglass e com o endereço @projectglass. Também são aceitos vídeos de até 15 segundos e fotos. Depois, os escolhidos terão a chance de desembolsar cerca de R$ 3 mil pela edição Explorer do acessório, além de buscar a compra nos Estados Unidos — apenas norte-americanos podem participar da concorrência. A corrida pelo Google Glass termina depois de amanhã, e os ganhadores serão informados até o fim do próximo mês.

Principal criador do Facebook, Mark Zuckerberg já anunciou à imprensa dos Estados Unidos que “não pode esperar” para colocar as mãos no óculos tecnológicos. O interesse foi mostrado num evento em que Zuckerberg se encontrou com o cofundador do Google Sergey Brin, a quem fez várias perguntas sobre o projeto. “Como você olha para fora disso sem parecer estranho?”, questionou. Um grupo de três engenheiros da rede social já está na fila de espera para testar o hardware do Google. O editor da revista especializada The Verge teve a oportunidade de levar os óculos para um test-drive e se maravilhou com o sistema virtual. “A tela não atrapalha, você não se sente sobrecarregado por ela. Não é chocante. Não é estranho. É só essa coisa nova no seu campo de visão e, na verdade, é bem legal”, descreveu Joshua Topolsky.

Além de ter dificuldades com o comando de voz, ele confessou que se incomodou com os olhares atraídos pelo estranho aparelho. “ Você vê uma luz quando o dispositivo está gravando, mas eu tive a impressão de que a maioria das pessoas não tinha ideia do que estava vendo. O caixa (de uma loja) parecia querer perguntar o que eu tinha na minha cara, mas a pergunta nunca veio.”

"A tela não atrapalha, você não se sente sobrecarregado por ela. Não é chocante. Não é estranho. É só essa coisa nova no seu campo de visão e, na verdade, é bem legal"

Joshua Topolsky, editor da revista especializada The Verge, que experimentou o Google Glass

Para testar

Com o lançamento do Chromebook Pixel e a propaganda sobre o Google Glass, nasce o catálogo da loja física do Google. A ideia ainda não foi confirmada pela empresa, mas há fortes rumores na internet segundo os quais a companhia teria um lugar onde as pessoas poderiam experimentar os óculos e outros produtos antes de comprá-los, já que os designs inovadores da marca podem causar estranhamento no público.

» A novidade

 

As explicações sobre o Google Glass ainda são poucas, e muito do que se sabe sobre o equipamento vem dos vídeos e das fotos divulgados na internet: (Google/Divulgação) 
As explicações sobre o Google Glass ainda são poucas, e muito do que se sabe sobre o equipamento vem dos vídeos e das fotos divulgados na internet:

As explicações sobre o Google Glass ainda são poucas, e muito do que se sabe sobre o equipamento vem dos vídeos e das fotos divulgados na internet:

Design
A princípio, o óculos não teria lentes. O equipamento é formado por uma tira flexível de plástico que se apoia na parte de trás da cabeça do usuário e em um ponto de suporte no nariz. Sobre a orelha, um controle manual sensível ao toque deve ajudar a manipular as imagens que aparecem num cubo transparente com imagens LED, localizado no canto direito superior da visão da pessoa

Conexão
O acessório vai se conectar à internet via wi-fi ou pela rede 3G ou 4G do próprio smartphone do usuário, acessada via bluetooth. Isso indica que o produto não é um substituto para o celular, pois não deve ser equipado para se conectar sozinho ou fazer ligações. O sistema é compatível com o sistema Android e iOS e equipado com GPS

Foto e vídeo

Sobre a minitela fica uma câmera de configuração ainda não divulgada. Com base nos vídeos publicados pelo Google, as imagens registradas aparecem na tela transparente e podem ser enviadas em tempo real para outras pessoas por meio da internet. O aparelho também tira fotos e mostra filmagens feitas por outros usuários do Glass

Comando
Além dos botões laterais, os óculos tecnológicos vão funcionar por meio de controle de voz. O comando “OK, Glass” serve de alerta para o aparelho começar a gravar um vídeo ou buscar uma página na internet. Pessoas que testaram o sistema alertam que ele ainda tem dificuldades de reconhecer ordens, e ainda não foi esclarecido em que línguas ele vai funcionar
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