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Morador despreza área de lazer de condomínios

Pesquisa mostra que, quanto maior o poder aquisitivo, menor o uso de espaços

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postado em 11/03/2013 17:07

Piscinas com raia, salas de cinema, SPA com banheiras de ofurô, quadras de squash, áreas gourmet. Estes são apenas alguns dos itens de lazer coletivo oferecidos pelo mercado para os condomínios verticalizados voltados para a população de maior poder aquisitivo. Mas será que seus moradores usufruem de todos esses espaços e equipamentos? Uma pesquisa apresentada no Programa de Pós-Graduação de Arquitetura, Tecnologia e Cidade da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) revelou que a maioria das famílias não faz uso dos espaços comuns para lazer. O estudo de caso foi feito em três condomínios, localizados na área central de Guarulhos na Região Metropolitana de São Paulo, e seus resultados apontaram que, quanto maior a renda dos moradores, menor é o seu uso, embora seja exatamente onde os espaços livres de uso comum sejam amplos e diversificados.

“Os espaços coletivos mais utilizados são piscina e salão de festas. No entanto, a tendência atual nos grandes centros urbanos é oferecer um número grande de espaços livres e equipamentos para uso coletivo, em detrimento da área útil dos apartamentos. Acredito que as decisões de projeto para esses ambientes devam contribuir para a qualidade de vida dos moradores em plenitude”, afirma a arquiteta Gislaine Cristina Villela Araújo, que apresentou dissertação de mestrado sob orientação do professor Francisco Borges Filho e da professora Silvia Mikami Pina. Para Gislaine Araújo, a falta de tempo e o envolvimento com várias atividades podem ser causas para que as famílias não façam uso frequente desstes espaços. “Há também a opção por menor número de filhos e o envolvimento grande com o trabalho”, acredita.

Ainda que não utilizem frequentemente e o custo para a manutenção destes ambientes seja alto, os moradores afirmaram que o fato de existir os espaços comuns valoriza o imóvel. “Eles têm consciência de que os valores e benefícios implicam diretamente no montante de venda ou locação do apartamento e, por isso, acreditam que vale a pena ter uma área comum, ainda que obsoleta”, esclarece Gislaine. Por outro lado, o estudo mostrou que as famílias de menor renda em que o número e metragem dos espaços coletivos eram mais reduzidos, fazem uso mais intenso e frequente das áreas comuns e gostariam que o condomínio oferecesse um maior número de espaços livres e equipamentos de lazer por acreditarem ser importante para a qualidade de vida e facilitar o convívio com os vizinhos. Infelizmente, são os locais de pior qualidade e de área e atividades reduzidas.

A pesquisa realizada por Gislaine Araújo contemplou as respostas de um questionário de 64 famílias que residiam nos três condomínios estudados. A amostragem foi dividida em casos 1, 2 e 3, ou seja, de acordo com a faixa salarial dos moradores de cada condomínio. No caso 1 e 3, a renda correspondia entre R$ 3 mil e 6 mil e, no caso 2, a renda dos moradores, em sua maioria, era superior a R$ 6 mil. Além do questionário, a arquiteta também colheu depoimentos pessoais por meio de entrevistas e fez o levantamento e análise das plantas e documentação do condomínio. “Os resultados indicam que há programas e apropriações distintas dos ambientes comuns, de acordo com a faixa econômica dos moradores”, explica. Segundo Gislaine, as análises apontam ainda que as tendências de programas de necessidades e configurações espaciais de acordo com a intensidade, diversidade de público e da satisfação pelos moradores devem ser considerados em futuros projetos habitacionais com espaços livres comuns.

 

Fonte: Jornal da Unicamp

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