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Tecnologia

Aprendar a usar

As hashtags se popularizaram e hoje aparecem até mesmo para expressar o estado de humor dos internautas. A utilização apropriada da ferramenta, contudo, ajuda a fazer pesquisas e a participar de discussões on-line

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postado em 20/03/2013 19:00 / atualizado em 20/03/2013 13:13

Roberta Machado

Por muitos anos, os quatro traços sobrepostos não faziam muito mais do que ocupar espaço no teclado. Poucos sabiam o que fazer com a cerquilha, símbolo mais conhecido no Brasil como jogo da velha. Mas a diversificação meteórica da internet, a partir dos anos 2000, criou uma nova demanda por expressões e sinais que traduzissem funções exclusivas da rede, logo enchendo telas com estranhos arrobas, emoticons, e, claro, hashtags.

Hoje, o quadradinho comemora a posição de termo fundamental do “internetês”, e tem o uso tão extrapolado que sua definição continua a crescer. Entre os sites que estão se rendendo à ferramenta gráfica popularizada pelo Twitter estão o Pinterest, o Google+ e, em breve, até mesmo o Facebook. Artigo publicado no The Wall Street Journal revelou que a rede de Mark Zuckerberg estuda viabilizar o uso da hashtag, embora a data ou os termos da mudança ainda não estejam definidos. A notícia chega dias depois de o Facebook dar início a mais uma reforma no visual da rede.

O interesse da maior rede social do planeta pelo sistema de tags pode estar ligado ao popular uso do símbolo pelos usuários do Instagram, que foi comprado pelo site no ano passado. A ferramenta é amplamente usada pelos fotógrafos amadores, que indicam com o sinal da hashtag os temas e  os filtros usados nas imagens. Outro motivo que pode estar por trás da adoção do símbolo é a acirrada competição entre o Facebook e o Twitter. Estima-se que 10% dos tuítes contêm com palavras marcadas com #.

A ferramenta é fundamental no microblog para indicar quais assuntos estão em discussão, e ajuda que muitos cheguem aos estimados Trending Topics, lista dos temas mais populares. Depois que Zuckerberg anunciou seu desejo de transformar o Facebook no melhor “jornal personalizado”, é natural que ele  adote o sistema que ajudou o Twitter a se tornar a rede social mais popular na divulgação de notícias.

Por enquanto, quem publica alguma coisa com o símbolo # no Facebook não vai ver diferença alguma nos posts. Mas em outras redes sociais, o sinal cria um link automático para a busca da mesma expressão. É o que os especialistas chamam de tags de metadata, uma etiqueta para o próprio assunto em questão. “Quando se escreve uma mensagem no Twitter, o sistema rastreia a mensagem, olha se tem alguma coisa com o símbolo especial e cria um índice associando a hashtag àquela mensagem. A grande vantagem da hashtag é que ela entra na mensagem, não precisa criar um sistema de tagging independente”, explica Andre Santanche, professor do Instituto de Computação da Unicamp.

Basta um clique na hashtag e o usuário é apresentado a uma lista de fotos, tuítes, vídeos e perfis relacionados àquele tema. Dessa forma, o internauta pode encontrar pessoas que se interessem pelos mesmos assuntos que ele ou se informar melhor sobre um tópico. É uma espécie de fórum de discussão informal.

“A característica do Twitter é ter um fluxo de informação que passa pela timeline e some com rapidez. A hashtag é uma maneira dinâmica de dar sobrevida a um conteúdo”, resume Carlos d’Andréa, professor do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em comunicação digital. De acordo com o microblog, metade dos 52 anúncios veiculados no Super Bowl do ano passado apresentou hashtags promocionais que convidavam os espectadores a divulgar o produto nas redes sociais.

Variado
Foi em 2007 que um colaborador do Google, Chris Messina, propôs o uso do sinal para a criação de grupos no Twitter. “Messina encorajou o uso para melhorar a experiência do usuário, permitindo que os participantes adquirissem informação específica ou mesmo ‘espionassem’ um feed organizado”, explica Michael Cyger, editor do grupo Hashtags.org.

Em 2009, o microblog agregou o símbolo ao sistema de tags de metadata, estimulando ainda mais o uso da ferramenta. A adesão levou a um uso abusivo do sinal, que pouco tem a ver com a nova função. “Há modos diferentes de se apropriar da ferramenta, que são legítimos”, ressalta d’Andréa. Sem se preocupar com buscas, internautas marcam expressões com # mesmo em redes que ainda não contam com o sistema de tags. “São formas mais lúdicas, como  #prontofalei ou #partiu. Acho improvável que alguém clique na hashtag e comece a acompanhar aquele assunto”, exemplifica o especialista.

O uso do símbolo para o destaque de memes ou do estado de espírito do internauta não é proibido, mas é importante lembrar que nem tudo que vem depois da cerquilha vira link. A palavra não pode ter acentos ou pontuação, e um espaço marca o fim da expressão destacada. O exagero também é malvisto. O Twitter condena o uso de tags com o objetivo de agregar seguidores e recomenda tuítes com, no máximo, duas hashtags.
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