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Ciência » Brincando de anatomia Equipe da UFJF cria atlas interativo para estudantes. O acesso será livre para alunos de outras instituições

Publicação: 25/03/2013 15:00 Atualização: 25/03/2013 15:26

As professoras Alice Rezende e Vanessa Oliveira estão desenvolvendo o jogo Brincando e aprendendo anatomia, também virtual
As professoras Alice Rezende e Vanessa Oliveira estão desenvolvendo o jogo Brincando e aprendendo anatomia, também virtual
Belo Horizonte — O estudo da anatomia é imprescindível para médicos, fisioterapeutas, dentistas e outros profissionais da saúde, que precisam conhecer bem as estruturas e o funcionamento do corpo humano. A disciplina é comumente oferecida no início da graduação, momento em que muitos estudantes ainda não desenvolveram técnicas eficientes de apreensão da informação. Os estudantes se debruçam sobre livros, atlas, cadáveres e peças plásticas. Ainda assim, é notória a dificuldade de muitos deles no aprendizado e na identificação das estruturas, assim como na memorização da ampla nomenclatura da área.

No material, os alunos podem escolher qual dos 10 sistemas anatômicos ou suas subdivisões querem conhecer
No material, os alunos podem escolher qual dos 10 sistemas anatômicos ou suas subdivisões querem conhecer
Pensando nisso, os professores do Departamento de Anatomia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Alice Belleigoli Rezende, Vanessa Neves de Oliveira, José Otávio Guedes Junqueira e Henrique Guilherme de Castro Teixeira estabeleceram uma parceria com o Departamento de Ciência da Computação, por meio do professor Rodrigo Luiz de Souza da Silva, para a elaboração de um atlas eletrônico e interativo de anatomia humana.

Segundo Alice, a dificuldade com a disciplina se agravou com a redução da carga horária, proposta pelas novas diretrizes curriculares implantadas pelo Ministério da Educação. “Os professores tiveram dificuldade de selecionar, dentro do extenso conteúdo, quais estruturas deveriam ser priorizadas. Outro problema enfrentado pelo educador é a limitação das aulas práticas, por causa da precariedade das peças anatômicas e da baixa disponibilidade de cadáveres”, conta.

Na avaliação dos professores, diante dessas limitações, cabia a eles buscar meios que aprimorassem o ensino, transformando o conteúdo em algo mais atrativo e agradável. “É primordial encontrar estratégias pedagógicas que possam romper com a metodologia tradicional e, assim, minimizar as deficiências no ensino da disciplina, reduzindo os índices de reprovação e abandono”, avalia Vanessa.

Ferramenta
Os docentes defendem os recursos informatizados como estímulo ao estudo de maneira mais prática. “A dificuldade de reposição de peças anatômicas nos laboratórios e o número insuficiente de atlas de anatomia nas bibliotecas tornam necessária a produção de uma ferramenta alternativa de ensino, que facilite a aprendizagem e possibilite o acesso do aluno ao conhecimento dentro e fora do laboratório. O fato de o aluno não poder transportar as peças anatômicas reais para estudo em casa reforça também essa necessidade”, observa Henrique. De acordo com a professora Alice, os atlas convencionais nem sempre refletem os modelos originais que se encontram nas universidades, e muitos alunos sentem dificuldade para identificar as estruturas durante as provas.

As peças que pertencem ao laboratório do Instituto de Ciências Biológicas (ICB/UFJF) são fotografadas e digitalizadas. Em seguida, as imagens são recortadas e os contornos são definidos. Um grupo de programadores é responsável por configurar o atlas interativo. O aluno pode escolher um entre os 10 sistemas anatômicos e suas subdivisões, como aparelho respiratório, muscular e esquelético. Cada parte da estrutura, além de ser nomeada, é demarcada por alfinetes azuis ou vermelhos. Esses últimos conduzem a informações complementares.

Todas as imagens serão disponibilizadas on-line para o acesso dos estudantes em maio. O objetivo é atender os mais de mil alunos que passam pelo Departamento de Anatomia a cada semestre, além daqueles da rede pública e particular de ensino superior de todo o país, já que o acesso ao portal do atlas será livre.

Estratégia lúdica

 

Ainda visando promover o aprendizado, a equipe de professores da UFJF adotou uma estratégia lúdica. Desenvolveu o jogo Brincando e aprendendo anatomia, também virtual, em que os alunos precisam ser precisos e rápidos nas respostas. Assim como o atlas, o jogo é dividido em sistemas (esquelético, articular, muscular, nervoso, circulatório, respiratório, digestório, urinário, genital masculino e feminino) e regiões (crânio; gradil costa e coluna vertebral; membro superior; membro inferior). Os nomes das estruturas vão aparecer e o jogador deverá clicar na imagem correta.  Quanto mais veloz o aluno for nos acertos, maior a pontuação. São várias fases. Cada uma delas é desbloqueada pelo sucesso no nível anterior.

 

Para incentivar a participação, haverá um ranking dos participantes. O objetivo é que a competitividade estimule o regresso dos alunos ao jogo, que apresenta diferentes graus de dificuldade. Ele é constituído, dentro de cada sistema, de quatro níveis sucessivos de complexidade (identificação de ossos, estruturas ósseas, estruturas relacionadas, casos clínicos) que atenderão os alunos de disciplinas e cursos com diferentes graus de aprofundamento.

 

Apostamos no jogo como um material didático que simultaneamente facilita a memorização, desperta o interesse e a motivação do aluno pelo conteúdo e, ao mesmo tempo, diverte. Dessa forma, métodos inovadores de ensino que envolvam jogos e testes teóricos e práticos de forma interativa são promissores. Complementam o conteúdo teórico e prático, auxiliam no processo de aprendizagem e permitem uma maior interação entre conhecimento, professor e aluno”, conclui Vanessa.

 

 

 

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