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Empresas começam a liberar o uso de dispositivos pessoais no ambiente corporativo. De olho nesse novo mercado, fabricantes lançam seus gadgets e boas soluções de segurança da informação

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postado em 26/03/2013 19:00 / atualizado em 26/03/2013 12:01

Shirley Pacelli /

Quem nunca teve a sensação de que o seu notebook é bem mais rápido que aquele desktop utilizado no trabalho? Ou mesmo respondeu e-mails profissionais no próprio smartphone durante o trajeto até o serviço e atualizou status de redes sociais enquanto usava o computador da firma? A cada dia tem se tornado mais difícil estabelecer limites entre os equipamentos profissionais e os pessoais. Diante desse quadro, o novo lema das empresas é: “Traga seu próprio dispositivo”, conhecido como Byod (Bring your own device).

Duas fortes tendências tecnológicas empurram as empresas rumo ao Byod: o armazenamento na nuvem e o boom dos dispositivos móveis. Segundo pesquisa recente da IDC, os tablets representaram 16% do mercado de vendas tecnológicas no terceiro trimestre de 2012. A previsão é de que as pranchetas digitais dobrem essa marca neste ano. Nos Estados Unidos, um relatório da Cisco Horizons IBSG revelou que 95% das organizações já permitem que os funcionários utilizem dispositivos pessoais para fins profissionais. A pesquisa foi realizada com mais de 600 líderes dos mercados de tecnologia da informação.

Apesar de ser um sistema recente no Brasil, as empresas já avaliam a mudança como estratégia para os negócios, adaptando a estrutura tecnológica para inserção na rotina do trabalho. Na semana passada, a Dell anunciou o lançamento do tablet Latitude 10 e do ultrabook conversível XPS 12, ambos criados com características próprias com essa nova visão — incluem soluções de segurança da informação e baterias intercambiáveis, que chegam a totalizar até 20 horas de duração.

A Samsung, por sua vez, acabou de apresentar ao mundo o Galaxy S4, smartphone top da marca e principal concorrente da linha iPhone, da Apple. Além de processadores cada vez mais potentes e maior armazenamento, o celular tem tela de 5 polegadas e traz recursos de tradução para nove línguas (inclusive o português). Com características especiais, os aparelhos transformam-se em ferramentas de trabalho sempre à mão e conectados.

O diretor da Ledcorp, empresa de soluções em logística da informação, José Lúcio Balbi de Mello, explica que, normalmente, os empresários compram o equipamento escolhido pelos funcionários e, por meio de acordo, estabelece que no prazo de um ano o gadget será dele. Se o profissional sair antes, paga uma parte do valor do aparelho. Poder escolher o próprio equipamento traz satisfação ao profissional e consequentemente uma maior produtividade.

Mello conta que há várias vantagens nesse sistema, como uma maior vida útil dos equipamentos. “O colaborador toma mais cuidado com o PC, porque é dele”, explica. O principal benefício, contudo, é a mobilidade: permite o acesso, independentemente do local e do horário, das informações corporativas em tempo real. Além disso, o Byod reduz os custos em infraestrutura tecnológica para as empresas. É preciso menos espaço físico e cabeamento. “Ele evita que tenha que duplicar o número de equipamentos — comprar desktops para o escritório e tablets para tarefas externas”, destaca.

Se por um lado há uma redução das despesas de infraestrutura, é preciso garantir a segurança da informação corporativa. Adequações na arquitetura tecnológica e de governança dos processos são essenciais e há programas específicos para isso. Primeiro, é necessário estabelecer um horário de trabalho adequado ao colaborador da empresa. Os workaholics (viciados em trabalho) estão soltos por aí e ninguém quer que um funcionário trabalhe todos os dias até as 4h de casa. Aplicativo instalado no notebook, o Time Sheet permite controlar a frequência de horas trabalhadas e extras. “Depois das 18h, não se consegue atender o ramal da empresa no smartphone”, exemplifica.

Rastreamento
Para assegurar que os dados da empresa não sejam extraviados, há um limite da visualização de informação dos dispositivos do colaborador. Do tablet, ele consegue acessar os pedidos de compra de um dia, mas não do ano todo. “A própria característica desses equipamentos móveis impossibilitam o becape de grande volume de dados”, esclarece o diretor.

Há ainda o rastreamento do gadget, recursos VoIP (que transfere ligações de um telefone para outros aparelhos) e gestão de agendas (tarefas do dia). Com o sistema de rastreamento pessoal, é possível saber onde está cada funcionário. “Se tem uma obra, quer que a pessoa bata ponto do lado do buraco e não na secretaria, você pode verificar isso”, brinca o diretor. Mais do que controle, o recurso pode ser utilizado como gestão da logística de pessoal.

Mello acredita que o próprio mercado consumidor vai estimular o Byod. “As empresas estão sendo forçadas a migrar para plataformas móveis. Aos poucos vai ficar mais caro ter PCs e data centers nas empresas do que armazenar tudo na nuvem”, afirma. O risco para o sucesso da novidade é a insegurança dos patrões em relação aos preciosos dados corporativos. Por isso, as fabricantes começam a lançar tablets e notebooks com soluções de segurança.
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