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Informática

Brasília com a cara do futuro

Jovens apresentam ideias inovadoras e põem a cidade no cenário tecnológico do país. Já são 105 empreendedores digitais impulsionados pela inovação. Programa estatal e iniciativas particulares estimulam os novos empresários

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postado em 02/04/2013 19:00 / atualizado em 02/04/2013 13:25

Sarita González

Não é segredo para ninguém que Brasília é a capital dos concursos públicos. Entretanto, a cidade tem cedido espaço para outro fenômeno: o empreendedorismo digital, a partir de jovens de 20 a 30 anos que, sozinhos ou em equipe, formam as chamadas startups, empresas inovadoras de base tecnológica. Segundo dados da Associação Brasileira de Startups (ABS), já são mais de 105 empreendedores do ramo em Brasília e 28 empreendimentos do tipo, que chamam a atenção para o potencial intelectual de quem nasceu na capital do futuro. Aliás, esses números já garantiram a inclusão do DF no top 10 do ranking de cidades com mais negócios desse tipo no Brasil.

Tomás Duarte, cofundador e conselheiro da ABS, explica que Brasília representa um polo tecnológico em plena expansão. “A cidade tem empreendedores com qualidade e iniciativas para a inovação”, destaca. Segundo ele, quem deseja empreender no setor deve ter maturidade. “Muitos querem simplesmente entrar na onda do momento, pois acreditam que vão enriquecer rapidamente”, alerta.

Em Brasília, a procura de startups pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) cresce, principalmente, na fase de elaboração do modelo de negócio. De acordo com Cristina Sá, gerente da Unidade de Atendimento Coletivo de Serviços do Sebrae no DF, os empreendedores digitais buscam consultoria financeira, jurídica e de marketing. “Cada vez mais, eles vêm desenvolvendo aplicativos e sites de compras coletivas, por exemplo”, revela.

Para Marina Moreira, professora do curso de administração da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em empreendedorismo e inovação, membros de startups devem investir em conhecimento. “Por melhor que seja a ideia, quem vai validá-la é o mercado. Conversar com o público é fundamental”, atesta.

Para estimular os empreendedores, associações promovem eventos em Brasília. Em 25, 26 e 27 de abril, por exemplo, a capital vai receber a primeira edição do Brazilian Applications Seminar (Brapps) (www.brappsbrasil.com), que fala sobre tecnologia mobile e empreendedorismo, no Opera Hall. Os participantes terão palestras, feira de exposição e ações na área de negócios digitais. De acordo com os organizadores, a ação tem foco em networking e compartilhamento de conhecimento.

Já conhecido na cidade e com o intuito de estimular empresas digitais em fase inicial, o Startup Weekend (brasilia.startupweekend.org) deve ganhar uma edição no segundo semestre deste ano. “No início, achávamos que quase ninguém teria interesse, mas o evento fica lotado em todas as edições, e temos até mesmo lista de espera”, comemora o engenheiro e empreendedor Roberto Braga, responsável pela organização do evento. Qualquer pessoa pode participar, contanto que queira fazer com que uma ideia de negócio vire uma startup. O evento já ocorreu em mais de 400 cidades do mundo.

Governo
Em novembro do ano passado, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou o programa Start-Up Brasil, com o objetivo de estimular empresas de base tecnológica. Também foram anunciadas, em fevereiro, as nove aceleradoras — empresas de qualquer natureza jurídica com ou sem fins lucrativos —, que vão impulsionar as startups por meio de investimento e capacitação dos empreendedores.

O coordenador de serviços de Tecnologia da Informação do ministério, Rafael Moreira, explica que cada startup receberá R$ 200 mil em recursos federais para o desenvolvimento do negócio em até 12 meses. “O Brasil tem uma veia empreendedora e o governo quer colocar o país na economia do conhecimento”, torce. No último dia 21, o MCTI anunciou edital para selecionar até 100 startups que receberão recursos públicos e privados e terão o apoio das aceleradoras já escolhidas.

Antes de desenhar o programa, o governo brasileiro fez uma varredura em outros países, que já adotam o modelo. O diretor executivo do Start-Up Chile, Horacio Melo, comemora a iniciativa do Brasil e explica que a nação conseguiu se posicionar como polo de inovação emergente. “Ficamos felizes em receber a delegação brasileira. A ideia é apoiar outros países e tornar o Chile referência na América Latina”, planeja.
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