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Correio Braziliense

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Os jovens prodígios

Prevenir sequestros, indicar restaurantes, ajudar turistas: empreendedores de Brasília desenvolvem aplicativos de smartphones para resolver problemas da sociedade e melhorar a comunicação entre as pessoas. Conheça as ideias que estarão no mercado

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postado em 02/04/2013 19:00 / atualizado em 02/04/2013 13:25

Adauto Cruz
Formadas por gente que sempre teve vontade de empreender, startups de Brasília reúnem pessoas diferentes, mas com características em comum: aversão à estabilidade que os concursos públicos oferecem e vontade de fazer diferença na vida das pessoas. Os “startupeiros”, como são chamados, desenvolvem ideias inovadoras ao mesmo tempo em que cuidam de suas carreiras, e até tiram dinheiro do próprio bolso para colocarem os sonhos em prática. Em Brasília, a criação de aplicativos para smartphones vem ganhando destaque no cenário do empreendedorismo digital.

Amigos desde 2007, quando cursaram a faculdade de desenvolvimento de sistemas para internet, Rafael Lôbo, 26 anos, e Rafael Torquato, 30, juntaram-se para montar um modelo de negócio baseado na indicação de restaurantes, com o nome Indique-me. “A ideia surgiu a partir de um comportamento natural do consumidor de pedir informações sobre onde comer, já que é muito comum procurar amigos que possam indicar restaurantes”, explica Lôbo.

 

Para Torquato, filho de funcionários públicos, não havia caminho melhor do que arriscar. “Sempre quis empreender para ter liberdade de criar e ter uma coisa minha”, revela. Em 2012, Torquato e Lôbo participaram do Startup Weekend Brasília, e o Indique-me ficou entre as 10 melhores ideias apresentadas, além de ser apoiada pela chef e proprietária do restaurante Universal Diner, Mara Alcamim e pelo professor Altino Moraes, do Ibmec.

Para que a startup ganhasse força, passaram a fazer parte da equipe o publicitário Márcio Rosa, 24, e Bruno Oliveira, 25, que largou o curso de geografia na UnB para se entregar à paixão por tecnologia. Márcio e Bruno já eram sócios e cofundadores de uma agência de publicidade. “A união do grupo foi fundamental, pois ninguém faz nada sozinho”, considera Bruno. Entre reuniões formais e informais, o quarteto decidiu mudar o nome original para Onddy (onddy@onddy.com) e a ideia final: um aplicativo mobile de busca social por indicações de estabelecimentos gastronômicos, que utiliza uma rede de contatos e ultrapassa o círculo de amizades. “O nome mudou porque sugere melhor a ideia do software, já que as pessoas costumam perguntar ‘onde tem um lugar bacana para comer hoje?’”, justifica Lôbo.

Atualmente, os quatro empreendedores dividem a ansiedade de concretizar o aplicativo e já dão dicas para quem também quer empreender. “Aprendemos diariamente a importância de saber lidar com pessoas diferentes para o andamento do processo”, comenta Márcio. “É preciso arriscar. Desde a ideia, já perdi namorada, larguei trabalho e vendi meu carro, mas tudo porque a paixão pelo que faço fala mais alto”, vibra Lôbo.

 

Segurança
Preocupados com a falta de segurança pública, Karen Alberti, Lucas Caixeta, Fabricio Brandão, Lucas Cosso, Tulio de Almeida, Cássio Gomes e Rafael Quintino desenvolveram um aplicativo antissequestro, o HelpMeNow. Em caso de sequestro relâmpago, o aplicativo avisa a família e os amigos de confiança de que ela está em perigo. O usuário deve configurar as zonas que ele considera de segurança e também as regiões não seguras. Caso a pessoa passe muito tempo nessas últimas, o programa envia três vezes uma solicitação para verificar se ela está bem. Caso não haja resposta, automaticamente, o softeare remete uma mensagem SMS para os contatos da possível vítima, cadastrados no sistema. “O objetivo foi criar um app que pensa pela pessoa em um momento de perigo”, conta Rafael Quintino, 29 anos.

O grupo desenvolveu a ideia durante a participação no Startup Weekend Brasília, no mês passado. “É importante estar nesse tipo de evento e investir conhecimento no que gosta”, afirma Fabrício Brandão, 31 anos. Karen Alberti conta que o grupo já foi convidado para uma reunião com a Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam), da Polícia Militar, que se declarou parceira da ideia. “As pessoas em Brasília têm que empreender. Nosso propósito representa uma vontade que todos têm de mudar o mundo de alguma maneira”, expõe.

Para ela, ainda faltam investidores para as startups executarem as ideias. “Aqui, não há a cultura do investidor porque não existe o hábito do empreendedorismo”, destaca. Cássio Gomes, 22, está no quarto semestre do curso de administração e decidiu participar do grupo com membros mais experientes. “Na minha turma, infelizmente, pouca gente sabe o que é uma startup”, lamenta.


Quem pode ajudar

Associação Brasileira de Startups

As startups podem se associar gratuitamente à ABS pelo site www.abstartups.com.br. Os associados recebem benefícios na rede de marketplace, que oferece desconto em serviços de suporte para a infraestutura da empresa, como hospedagem de site, curso de formação empreendedora e espaços de coworking.

Associação de Startups e Empreendedores Digitais
A associação (http://asteps.org) foi criada para apoiar startups desde o inicio até a independência. Por meio de cursos, workshops, palestras, viagens, mentorias e networking, a organização quer fazer um ambiente propicio a este apoio.


Top 10

Número de startups no Brasil
1. São Paulo     287
2. Rio de Janeiro     106
3. Minas Gerais     69
4. Rio de Grande do Sul     61
5. Pernambuco     58
6. Santa Catarina     46
7. Paraná     43
8. Distrito Federal     28
9. Bahia     24
10. Goiás     25

Fonte: Bizstart, dados referentes a janeiro de 2013


Dicas

  • Buscar conhecimento em cursos, eventos, palestras e livros sobre o assunto;
  • Arriscar ideias nas quais acredita;
  • Pensar na viabilidade de execução da ideia;
  • Reconhecer as habilidades dos membros do grupo;
  • Não ter medo de errar durante a formação da ideia.

 

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