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Cidadania

Pelos direitos dos autistas

No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, alunos da 111 Sul fazem manifestação pela inclusão de cinco colegas em atividades extracurriculares na escola parque da região. A ação foi enfeitada por balões azuis, já que a maioria dos portadores é do sexo masculino

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postado em 03/04/2013 19:00 / atualizado em 03/04/2013 12:42

Gustavo Moreno
No começo da manhã de ontem, cerca de 100 crianças da Escola Classe 111 Sul fizeram uma passeata pela quadra com balões azuis nas mãos e fitas da mesma cor nos braços. Lideradas pelos professores, exigiam o direito de cinco colegas: “111 Sul hoje veste azul! Escola Parque inclusiva tem que ter autista! Inclusão, direito conquistado do futuro cidadão”, bradavam.

O motivo da primeira movimentação popular da criançada — exatamente no Dia Mundial de Conscientização do Autismo — é a falta de conteúdo extracurricular para os autistas na Escola Parque 308 Sul. Segundo o diretor da Escola Parque, Paulo César Valença, existem apenas quatro professores capacitados para atender 170 alunos com necessidades especiais e 15 com síndromes mentais mais severas. “A escola pública sofreu um aumento da demanda para os autistas, porque é a única que os atende. Precisamos de pelo menos o dobro de profissionais”, apontou.

“A lei já existe. Precisamos discutir como o aluno vai para essa aula”, argumentou a diretora da Escola Classe, Juciane Melo Cipriano. Quanto à capacitação, a cada duas semanas a Regional do Ensino oferece cursos para orientar de que forma os professores e funcionários devem lidar com os autistas.
A professora Cláudia Vanelli, de 43 anos, trabalha unicamente com alunos com o transtorno há 16 anos. “Trabalhei no primeiro ano em que a Secretaria de Educação começou a incluir esses alunos nas escolas. Na época, era uma dificuldade convencer os professores. Hoje, as escolas estão procurando profissionais especializados, estão interessadas”, comemora.

Cláudia é tutora de Brayan Vieira, de 7 anos, em fase de alfabetização. O garoto frequentava a Escola Parque em 2012 e, com a instituição fechada para alunos como ele, uma vez por semana ele fica sozinho no colégio. Os pais do garoto, a dona de casa Lorrane Marques, de 24 anos, e o segurança Adarlan Gonçalves, de 27, lamentam: “Ele sente falta das atividades, especialmente da natação. Esperamos que as autoridades se sensibilizem” lamentou a mãe.

Em nota, a Secretaria de Educação garantiu que vai criar uma portaria para regulamentar a situação e disponibilizar salas nas escolas parques para atendimento dos estudantes com autismo.

Sede própria

Representantes de associações de auxílio aos autistas, como a Associação Brasileira de Autismo, Comportamento e Intervenção e o Movimento Orgulho Autista Brasil, reuniram-se ontem com autoridades do governo em sessão solene na Câmara Legislativa.

Entre relatos emocionados, foi cobrada a criação da sede da Associação dos Amigos dos Autistas do Distrito Federal. A ideia é construir um espaço de convivência e de tratamento especializado. De acordo com a coordenadora de Doenças Raras na Secretaria de Saúde, Maria Teresinha Cardoso, o projeto é indispensável. “Eles enfrentam grandes dificuldades na vida madura”, apontou

A diretora da associação no DF, Hélcia Maria Araújo Dourado, relatou a própria experiência. “É muito difícil ter um autista adulto em casa. Se ele está com fome, joga o prato no chão. Se não quer que o pai vá trabalhar, ele rasga a roupa dele”, descreveu. Estima-se que existam cerca de 500 mil pessoas com a síndrome no país, e que ela ocorra uma vez a cada 88 nascimentos.

Pouco contato visual
O autismo é uma síndrome com níveis de gravidade e, geralmente, é diagnosticado entre 2 anos e 3 anos. O distúrbio do comportamento mental e físico é caracterizado por comunicação verbal limitada, falta de interação social e padrões ritualizados de conduta. Veja algumas aracterísticas:

» Indica suas vontades conduzindo as pessoas

» Ri sem motivo

» Se irrita, chora e se entristece sem motivo

» Parece não ouvir os outros

» Mantém pouco contato visual

» Conversa pouco e balbucia palavras repetidamente

» Tem dificuldades de interagir socialmente

» É hiperativo ou muito quieto

» Tem apego a objetos

» Tem conduta motora repetitiva

» É indiferente a dor

» Não tem noção ou medo de perigos

» É resistente a amizades

Onde buscar orientação

Associação dos Amigos dos Autistas do Distrito Federal (Ama-DF)
Av. Sucupira, Instituto de Saúde Mental, Riacho Fundo I
Telefone: 3399-4555
Informações: www.ama-df.org.br
E-mail: contato@ama-df.org.br

Associação Brasileira de Autismo, Comportamento e Intervenção (Abraci/DF)
Telefone: 3877-3156
Informações: abracidf.blogspot.com
E-mail: aabracidf@yahoo.com

Movimento Orgulho Autista Brasil (Moab)
Informações: orgulhoautistadf.blogspot.com.br
E-mails: moabdiretoria@gmail.com e movimentoorgulhoautistabrasil@gmail.com
Grupo no Facebook: www.facebook.com/groups/228507773896452

Associação Brasileira de Autismo (Abra)
Rua do Lavapés, 1.123; Cambuci , São Paulo (SP)
Telefone: (11) 3376-4400
Informações: www.autismo.org.br. 

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