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Tecnologia

Para viciados em Facebook

Mark Zuckerberg apresenta plataforma que transforma a rede social na tela inicial de smartphones. Batizada de Home, a novidade busca deixar as pessoas ainda mais conectadas ao site

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postado em 05/04/2013 19:00 / atualizado em 05/04/2013 11:23

Marcela Ulhoa

Facebook na tela inicial, na de descanso e em praticamente todas as interfaces de seu celular. Para quem tem um aparelho com o sistema operacional Android, do Google, essa pode ser a realidade dentro de alguns dias. Mark Zuckerberg, presidente executivo da maior rede social do planeta, lançou ontem o Home, um pacote de programas que, segundo ele, está “centrado em pessoas e não em aplicativos”. A novidade substitui a tela inicial do celular — normalmente recheada de ícones — e apresenta de cara o que está acontecendo na rede social. As notificações, as mensagens recebidas e as fotos dos amigos passam a ser o fundo de tela do usuário, que pode interagir com a rede ao mesmo tempo que realiza ligações, mexe em outros aplicativos ou navega pelos mais diversos sites na internet.

“Não estamos construindo um telefone ou um sistema operacional, estamos construindo algo que é muito mais profundo do que um aplicativo”, afirmou Zuckerberg durante encontro na sede da companhia, no Vale do Silício. De acordo com a empresa, a novidade poderá ser baixada gratuitamente pelo Google Play a partir de 12 de abril nos Estados Unidos e estará disponível no Brasil “nas próximas semanas”. Durante o lançamento, o Facebook divulgou também a parceria com a fabricante de Taiwan HTC, que venderá o primeiro smartphone com o Home já instalado e otimizado, por US$ 100. “O First é o único telefone que tem a tela inicial do Facebook pré-carregada e otimizada”, disse o diretor da HTC, Peter Chou, ao lado de Zuckerberg no evento. “A tecnologia móvel é fundamentalmente social, tudo consiste em conectar-se às outras pessoas”, defendeu.

Na demonstração do funcionamento do aparelho, Zuckerberg começou a mexer no Facebook ainda na tela inicial do telefone. Navegou, avançou e retrocedeu entre os habituais aplicativos de celular, enquanto, simultaneamente, enviava e recebia mensagens por meio de chat heads (abas de bate-papo) que apareciam soprepostas à tela.

A princípio, o programa rodará apenas em alguns modelos de celular Android, como o HTC One X, HTC One X+, Galaxy S3 e Galaxy Note2 (os dois últimos da Samsung), mas em breve será estendido aos tablets e aos aparelhos HTC One e Galaxy S4. Ao abrir o aplicativo-padrão do Facebook instalado em um desses modelos, o usuário encontrará um anúncio convidando-o para o Home. Ele terá a possibilidade então de usá-lo apenas uma única vez para testá-lo ou realizar a instalação direta.

Em evidência
A grande novidade do Facebook, na opinião de Marcelo Ramos, CTO na Kinetics Mobile, é o desenvolvimento de um launcher, um tipo de aplicativo específico do Android “responsável por chamar outros aplicativos”. Normalmente, é conhecido entre aqueles que gostam de personalizar o celular, mudando a interface das telas iniciais que contém ícones, wallpapers, atalhos e widgets. Todas essas configurações podem ser personalizadas com os launchers, que são pequenos softwares baseados na estrutura open-source do sistema Google. “Tem launcher para o Android que imita a interface do iPhone, por exemplo. O do Facebook também vai servir para chamar outros aplicativos, mas a tela principal é preparada para rodar a rede social. Como o launcher é a porta do aparelho, o Facebook consegue, com isso, evidenciar o programa”, acrescenta Ramos.

O ícone principal do Home aparece no canto inferior da tela e resume-se à foto do perfil que o dono do celular mantém no Facebook. É ali que o usuário precisa teclar para abrir aplicativos do telefone ou ler mensagens. Quando recebe um recado direto, a foto do remetente aparece no canto superior direito da tela, mesmo que o usuário esteja usando outra função do telefone no momento. Para responder, basta tocar na foto do amigo e iniciar o chat.

Para o CTO na Kinetics Mobile, o aplicativo faz sentido para quem usa muito o Facebook a partir do celular, pois facilita ainda mais a interação com a rede. E esse número não é pequeno, conforme os dados da própria rede social: mais da metade de seus usuários acessam o site dos celulares. Além disso, as pessoas costumam gastar 20% de seu tempo nos smartphones na invenção de Zuckerberg.

“Para o Facebook, o Home é interessante porque mantém o usuário na rede. A grande mudança de paradigma deles é conseguir replicar o sucesso na web no mundo mobile, muito mais difícil de monetizar, ou seja, de fazer dinheiro”, avalia Ramos. Ele acredita que, na hora em que virar a tela principal dos celulares, a rede terá mais facilidade de inserir propagandas que se reverterão em lucro. Segundo a empresa de pesquisas eMarketer, os gastos no mercado de publicidade móvel nos Estados Unidos cresceu 178% no ano passado, somando US$ 4,11 bilhões, uma cifra que representou o triplo do ano anterior.

O Facebook customizou o Home para smartphones que usam a plataforma Android porque o sistema operacional disponibilizado gratuitamente pelo Google pode ser abertamente adaptado por desenvolvedores de hardware, ao contrário do estrito controle que a Apple mantém sobre os aplicativos do iPhone. Apesar de restrito a um único sistema operacional, Zuckerberg foi cuidadoso ao não fazer desafios abertos aos concorrentes. “Temos um ótimo relacionamento com a Apple”, disse. “Nós nos comprometemos a fazer o nosso melhor em cada plataforma”, emendou.

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