Dados da Prova Brasil desafiam hackers

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 15/04/2013 10:45 / atualizado em 15/04/2013 11:07

Grasielle Castro /Correio Braziliense

Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press
Durante o fim de semana, 30 experts em informática, divididos em oito equipes, mostraram o que podiam fazer com os dados da educação brasileira. Eles participaram do primeiro Hackathon Dados da Educação Básica, organizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC), em parceria com a Fundação Lemann.

Os hackers tiveram 48 horas, entre a noite de sexta-feira e domingo, para criar mecanismos que permitam à população ter fácil acesso — por meio de laptops, tablets e smartphones —aos dados da Prova Brasil 2011. É com base nessa avaliação, feita a cada dois anos, que o MEC subsidia as políticas públicas da pasta. As três turmas que desenvolverem os melhores aplicativos serão premiadas. A equipe vencedora ganhará R$ 5 mil.

A intenção de hackers como Thiago Marques, 24 anos, é revelar para a população a foto do ensinobrasileiro. “Temos muitos dados brutos, que são importantes e que pais, professores e estudantes não têm a menor ideia de que existem”, explica. Entre as possibilidades de criação está um aplicativo para que os pais vejam o desempenho da escola onde o filho estuda, ou um software capaz de listar a formação dos professores e onde estão os melhores alunos em cada disciplina. Os hackers podem usar os dados para criar sites, softwares, aplicativos e gráficos interativos, por exemplo. “As possibilidades são livres, depende da criatividade de cada um”, destaca o diretor executivo da Fundação Lemann, Denis Mizne, um dos organizadores do evento.

No caso deThiago, o interesse em participar surgiu da importância social do tema. “Eu e dois integrantes da minha equipe gostamos muito dessa ideia de transparência da informação. E, por se tratar de educação, ficou ainda mais relevante se inscrever. Também trabalhamos para que as informações sejam ainda mais atrativas para pessoas com deficiência”, disse ele, já adiantando a área de atuação que a equipe dele pretende explorar.

O diretor executivo da Fundação Lemann espera que os hackers criem algo capaz de ajudar gestores e pais na hora de tomar alguma decisão. “Temos muitas informações, mas elas não chegam aos atores da educação”, alerta. O cientista político, especialista em educação e coordenador da Campanha Nacional pela Educação, Daniel Cara, acredita que propostas como essa mobilizam a sociedade em torno de informações valiosas.

Ele ressalta que o mais importante é pensar que o Brasil quer, efetivamente, abrir a caixa-preta dos dados educacionais. “É uma oportunidade para se debruçar sobre esses dados e oferecer para a população o que ela precisa saber. É a primeira iniciativa que se tem, no Brasil, na área de educação, que dá oportunidade para estudantes muito jovens extrair da Prova Brasil um conteúdo que gere informação. Será possível responder questões como o que falta para uma escola ou, ainda, por que as escolas não são boas”, destaca.
Tags: