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Correio Braziliense

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Projetos ganham vida

Impressoras 3D ajudam a montar maquetes de grandes obras da engenharia e evitam gastos desnecessários durante a construção ou a manutenção. Site estimula a criação de objetos

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postado em 16/04/2013 11:15 / atualizado em 16/04/2013 11:17

Shirley Pacelli /

Beto Magalhães
Construir um prédio de uma nova usina de mineração não é das tarefas mais fáceis. É preciso pensar em como peças de metal de grandes dimensões, pesando toneladas, serão retiradas do local para a manutenção ou a troca. A fim de dimensionar obras como essa e evitar gastos errôneos, surgem os protótipos em impressão 3D. Por meio de maquetes inteligentes, com perfeição de detalhes e escala, técnicos avaliam o projeto antes de colocá-lo em prática.

A empresa EPRO3D, focada nesse segmento, tem uma mineradora de grande porte como cliente. O diretor de Desenvolvimento, Arley Costa, 29 anos, conta que o empreendimento surgiu simultâneamente à popularização das máquinas de impressão em três dimensões, em 2011. “A tecnologia é nova. Apesar da divulgação, só começou a ser utilizada nos últimos dois anos”, ressalva Costa.

A EPRO3D tem, atualmente, três máquinas de médio porte que utilizam ABS plástico (o mesmo dos painéis de carro), material de alta resistência, para a produção das peças. “As maquetes podem cair no chão e não quebram. Além disso, colocamos cor”, conta Costa. O diretor explica que, no início, usavam impressoras 3D pessoais, vendidas hoje por R$ 6 mil, mas trocaram à medida que a empresa cresceu.

Os softwares para a modelagem dos projetos ficam a gosto do freguês: SmartPlant, Autocad, Micro Stage... A empresa oferece ainda simulação 4D, que inclui a linha do tempo do projeto a ser implantado. O responsável pela obra poderá visualizar em que etapa será feita a fundação do prédio, por exemplo.

Apesar da evolução das impressoras 3D, simular um distribuidor de polpa de minério, com 5cm de altura (o real chega a ter 5m), pode levar até seis horas de impressão. No entanto, o dono da empresa garante que vale a pena, porque a máquina é fundamental para os projetos. “É aí que entramos em cena”, afirma Costa. A EPRO3D tem sete profissionais, entre projetistas sêniors e engenheiros mecânicos, civis e elétricos. Ela não atende só a alta indústria — é possível prototipar uma casa, por exemplo, e simular uma reforma.

Pitacos
Na verdade, por meio da impressão 3D, é possível prototipar uma infinidade de objetos. Partindo disso, e pensando em canalizar as ideias que surgem de mentes inventivas por aí, surgiu o site Estilo Vivo (estilovivo.com.br), comunidade criativa de produtos. Um deles, por exemplo, é uma caneca com USB, que mantém o café quentinho ao ser plugada no computador. O projeto está em fase de design.

O Estilo Vivo entrou no ar em outubro do ano passado e está em fase beta. Atualmente, são mais de 600 usuários, 10 mil visitas diárias e 210 projetos cadastrados. Walter Rodrigues Júnior, 38, cofundador do portal, conta que o projeto foi baseado no site norte-americano Quirky (www.quirky.com), feito para criar produtos para a comunidade. “A página é uma adaptação para o mercado brasileiro; há muitos problemas que são só nossos. Ele coloca as impressoras 3D a serviço dos consumidores”, ressalta. Segundo ele, a ideia de um plugue sextavado e uma extensão elétrica modular são alguns dos exemplos de impasses enfrentados somente pelo Brasil, após o novo padrão de tomadas adotado.

No site americano, os comentários ficam só na aprovação ou na desaprovação dos produtos. Mas os brasileiros dão pitaco nas invenções. “No Brasil, as pessoas gostam de ser técnico de futebol e também engenheiro de produtos”, brinca Júnior. Outro ponto que difere do Quirky é que o Estilo Vivo premia os usuários antes mesmo do lançamento das criações. O melhor ganha R$ 3 mil e o inventor ganha R$ 500.

Walter explica que a indústria gasta bastante dinheiro com máquinas para produzir modelos de novas peças e de produtos. Com as impressoras 3D, é possível fazer protótipos e verificar o que realmente é válido ou não para a produção em larga escala. “A tecnologia está sendo usada, de fato, não por hobby, mas para criar produtos diferenciados”, destaca. A Estilo Vivo deve fazer, primeiramente, os modelos de testes de cada ideia aprovada, mas por integrar um grupo grande de soluções de impressão 3D, a comunidade consegue entregar o produto pronto, com circuitos elétricos e acabamento de qualidade.
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