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Cultura

Protesto em vez de espetáculo

No Dia Internacional da Dança, estudantes do IFB fazem manifestação para cobrar do governo o reconhecimento da atividade, diálogo com discentes e profissionais, além da recuperação do espaço público destinado a ensaios

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postado em 30/04/2013 12:54 / atualizado em 30/04/2013 12:57

Isabela de Oliveira /

Carlos Vieira
No Dia Internacional da Dança, em lugar de um espetáculo, um grupo de 50 estudantes do Instituto Federação de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB) fez uma manifestação, por volta das 15h, diante da Secretaria de Cultura, para exigir mais reconhecimento da atividade na capital. O coletivo batizado de Brasília tem dança reivindica mais diálogo com a pasta, que, segundo o grupo, mantém obscuro o destino do Centro de Dança do Distrito Federal.

“Há boatos de que o centro será demolido para dar lugar a um prédio de 16 andares, e isso não é desmentido pela secretaria. Outros dizem que está prevista uma reforma nesse espaço, que é muito bom e essencial para trabalhar, além de ser um bem público”, disse Sinnara Barros, 28 anos, aluna no 4º semestre do curso. Os integrantes do Brasília tem dança compareceram com faixas e cartazes à secretaria, onde foi realizada uma performance silenciosa de dança contemporânea.

A diretora presidente do Fórum de Dança do DF, Mônica Bernadinelli, ressalta que a atividade move muito dinheiro no Distrito Federal. “Estamos desenvolvendo quatro grandes espetáculos na cidade com artistas renomados, como Ana Botafogo e Jaime Arôxa. Alguém precisa ver que Brasília tem dança de qualidade, com bailarinos de todas as estéticas”, disse. Ela destaca que a cidade não possui uma escola nem companhia oficial de dança. Mônica reclama ainda que a secretaria não reponde às demandas dos dançarinos profissionais. Segundo ela, há 15 companhias de dança que funcionam ininterruptamente na capital.

Reivindicação
O movimento entregou um documento com mais de 200 assinaturas ao secretário adjunto Miguel Batista Ribeiro. Em vez de uma audiência, ficou acertado apenas que órgão entrará em contato com o grupo para decidir quando será possível um encontro com o secretário Hamilton Pereira da Silva. “Se até a próxima semana não formos recebidos,vamos ocupar o prédio da secretaria”, ameaçou uma das ativistas, Lidiane Silva Ramos, aluna do 6º semestre. Depois, o grupo seguiu para o Centro de Dança do DF, onde deu um abraço coletivo.

Os estudantes de dança reivindicam a inclusão de um representante do segmento no Conselho de Cultura do DF,  formado por 12 integrantes que se reúnem mensalmente. Hoje, além dos estudantes, há profissionais que discordam da presença da bailarina e coreógrafa Paula Sayão no conselho. “Eu não sei quem representa a dança e quem é a nossa voz. Não há diálogo e não foi uma indicação direta”, disse João Carlos Correa, bailarino profissional. Paula foi escolhida com mais dois outros profissionais para compor a lista tríplice, e acabou sendo a indicada pelo governador Agnelo Queiroz.

“O conselho se reúne para deliberar sobre o Fundo de Apoio à Cultura e aí o que eu faço é defender as propostas enviadas, para que a classe seja contemplada de forma mais transparente possível”, diz Paula Sayão. Segundo ela, é atribuição da Secretaria de Cultura administrar a reforma do Centro de Dança. “As reuniões são abertas e todos os artistas têm direito de participar e procurar o conselheiro representante. No entanto, o assunto não foi levado ao conselho pela classe e eu não fui procurada”, garantiu Paula.

De acordo com subsecretário de Patrimônio Artístico e Cultural, José Delvinei, o espaço de 207m² usado para ensaios, montagens, oficinas e cursos em todas as áreas dessa arte está fechado desde o início do ano. “O centro precisa ser restaurado, e há um laudo que comprova isso. As obras ainda não foram licitadas, mas devem ser iniciadas no segundo semestre e, eu espero, concluídas até março de 2014”, explicou Delvinei. Ele afirmou que a estrutura do prédio da Centro de Dança coloca em risco a integridade física dos artistas, sem contar que há problemas nas instalações elétricas e o espaço não tem alvará de funcionamento. “As rachaduras estão cada vez maiores, o que compromete toda a construção”, explicou.

Os manifestantes reclamam que  o centro não tem uma diretoria. Porém, Delvinei informou que servidor de carreira ocupa a administração do local. O subsecretário disse ainda que todas as pessoas que usavam as salas do Centro de Dança foram remanejadas para o Espaço Renato Russo, na 508 Sul, onde ocorrem os ensaios. Ele rebateu a acusação de a secretaria não dialoga com os profissionais. Lembrou que o laudo sobre os danos existentes no Centro de Dança, que não é um patrimônio tombado, foi mostrado aos frequentadores.

Projetos

Reformas previstas para 2013 na área de cultura

» Cine Brasília

» Centro de dança do DF

» Museu de Arte de Brasília

» Espaço Cultural Renato Russo

» Casa do Cantador

» Memorial dos Povos Indígenas

» Polo de Cinema

» Concha Acústica

» Museu Vivo da Memória Candanga 

 

 

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