SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Tecnologia

Brincadeira que pode salvar vidas

Criado por brasileiros, jogo para computador que ajuda médicos a atender melhor os pacientes diabéticos representará o país em competição internacional no próximo mês

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 06/05/2013 18:00 / atualizado em 06/05/2013 11:30

No próximo mês, estudantes universitários de todas as partes do mundo se encontrarão em São Petersburgo, na Rússia, para participar de uma das maiores competições de inovação tecnológica do mundo, a ImagineCup. E o Brasil estará representado por Leandro Arthur Diehl e Rodrigo Martins de Souza, os criadores de um jogo de computador criado para facilitar o trabalho de médicos no tratamento do diabetes. Chamado de InsuOnline, o software foi vencedor na categoria Cidadania Mundial na etapa brasileira da competição, o que garantiu a presença na etapa mundial. Outros dois projetos brasileiros ainda podem ser selecionados para o evento (leia abaixo).

Médico endocrinologista, Diehl elaborou o jogo durante o doutorado em biotecnologia nas Faculdades Pequeno Príncipe, de Curitiba. Para torná-lo realidade, contou com a parceria de Souza, diretor da Divisão de Games da Oniria Softwares. A ideia do game surgiu após a sugestão de um orientador ainda durante o curso de medicina na Universidade Estadual de Londrina e se consolidou quando ele começou a trabalhar no serviço público. “Na rede pública de Londrina, notei que os clínicos- gerais que atendiam os pacientes diabéticos tinham muitas dificuldades com relação ao tratamento adequado, especialmente com o uso de insulina”, conta.

Diehl explica que a maioria dos diabéticos é tratada por clínicos-gerais, e não por especialistas. “Mais da metade desses pacientes vão acabar precisando de insulina em algum momento do tratamento. Portanto, se o clínico-geral não estiver apto a iniciar ou ajustar a insulina adequadamente, podem haver um controle ruim da doença e várias complicações sérias”, explica o criador do jogo.

O InsuOnline foi criado para ser usado em PCs, laptops ou aparelhos móveis. No game, o jogador assume o papel de um jovem médico que, de repente, se torna responsável pelo atendimento dos pacientes com diabetes em uma unidade básica de saúde, porque o médico mais experiente vai tirar férias. Assim, o jovem se vê obrigado a aprender como administrar a insulina corretamente. “O objetivo do jogador é atender todos os pacientes do game e tomar as decisões mais adequadas com relação ao ajuste de insulina em cada caso. O jogo é montado com uma série de pacientes. Cada um deles é um nível do jogo, começando dos mais simples até as situações mais complexas”, explica Diehl. Para isso, o jogador conta com a ajuda do médico mais experiente e da enfermeira da unidade, que dão dicas sobre as decisões dele, explicando por que ele errou e parabenizando quando ele acerta.

Depois de vencer a fase nacional do ImagineCup, em abril passado, o médico faz alguns ajustes para a etapa internacional. “O game já está funcionando, mas queremos levá-lo perfeitamente, impecável, para que possamos ter condições de brigar seriamente pelo título. Afinal, os competidores brasileiros têm a tradição de ficarem muito bem colocados nessa competição, tanto que foram vencedores em várias categorias nos últimos cinco anos”, destaca. O InsuOnline ainda não tem um valor definido, mas o criador adianta que ele será uma opção de baixo custo. “Com certeza, esse game será uma alternativa barata de educação médica continuada.”

Novidades bem-vindas
Recursos tecnológicos que facilitam o controle do diabetes têm sido criados frequentemente no campo tecnológico e são mais que bem-vindos, segundo Daniel Benchimol, neurologista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Jogos como esse são um recurso interessante, que auxilia a área de tratamento da doença. Hoje, temos muitos aplicativos que ajudam os pacientes a se alimentarem adequadamente, apontando as calorias de cada refeição e alarmes que lembram a hora de tomar os remédios”, menciona.

Para Benchimol, o InsuOnline é uma ferramenta muito útil, por dar conhecimento a médicos de todas especialidades, já que, muitas vezes, no atendimento de saúde pública, um endocrinologista nem sempre está disponível para esses pacientes. “Por ser um tratamento diário, os diabéticos acabam relaxando e não tomam a dose certa do medicamento. O que pode ser agravado caso ele seja atendido por um médico que não sabe como proceder para regular uma dose de insulina consumida erroneamente. Orientar médicos nessa área é de vital importância”, avalia o especialista.

Autismo e conceitos da física
A etapa brasileira da ImagineCup premiou outros dois projetos. Porém, por terem vencido nas categorias Inovação e Game, os inventos, que também se tratam de jogos para computador, não garantiram presença na etapa mundial automaticamente e aguardam a avaliação da Microsoft, organizadora do evento.

Criado por alunos da Universidade Federal da Paraíba (UFP), o Can Game busca ajudar crianças com autismo, melhorando o desenvolvimento cognitivo e reduzindo a agressividade e a agitação. “Utilizamos a tecnologia do Kinect. Por meio dele, a criança é monitorada pela câmera e precisa realizar movimentos para melhorar o sistema motor”, explica Rodolfo Soares, 18 anos, estudante de ciências da computação e um dos criadores do software, vencedor da categoria Inovação.

O terceiro premiado na etapa brasileira foi o Twinkle, desenvolvido para PCs e Xbox 360. O game estimula o raciocínio dos jogadores, que precisam mover planetas no espaço para solucionar quebra-cabeças, sempre levando em conta conceitos da física. “Além da diversão, prezamos por realizar exercícios que trabalhassem bem os conceitos da mecânica, para que o jogador, além de se distrair, aprenda algo”, diz Marcel Barbosa, 20 anos, aluno de design da Universidade Estadual Paulista (Unesp). (VS)

INFORMÁTICA »

Importante passo para a computação quântica

Uma equipe australiana, liderada por pesquisadores da Universidade de New South Wales, alcançou um importante passo na ciência quântica que torna mais perto da realidade uma rede de computadores quânticos ultrapoderosos conectados por meio de uma internet quântica. Esses computadores prometem alcançar uma potência de processamento muito acima da de máquinas convencionais usando um único elétron ou núcleo de átomo como unidade básica de processamento — o chamado bit quântico, ou qubit.

Em um qubit, a informação é armazenada na rotação ou orientação magnética do elétron ou núcleo. Devido a uma propriedade quântica conhecida como superposição, a rotação pode ser não apenas para cima ou para baixo, mas em ambas as direções ao mesmo tempo. Usando esse princípio, a computação pode se tornar muito mais rápida e eficiente.

Para produzir um qubit funcional, os cientistas devem ser capazes de controlar ou alterar o estado de spin e, em seguida, detectar, ou “ler” isso. O estudo publicado na edição mais recente da revista Nature detalha o trabalho da primeira equipe do mundo a detectar a rotação ou o estado quântico de um único átomo por meio da combinação de uma abordagem ótica e elétrica. A proeza técnica foi atingida com um único átomo de érbio — elemento raro comumente usado em comunicações — embutido no silício.

Aplicações
Ao realizar vários cálculos ao mesmo tempo, os computadores quânticos deverão ter aplicações na modelagem econômica, pesquisas rápidas em banco de dados e modelagem de materiais quânticos, moléculas biológicas e drogas, além da criptografia e da descriptografia de informações.

O principal autor do estudo, Chunming Yin, disse à imprensa que a nova abordagem abre a possibilidade de usar a luz para unir os átomos, ou qubits, para formar um computador quântico. “Usar a luz para transferir informação no estado quântico é mais fácil do que fazê-lo eletricamente. Em última análise, isso vai levar à comunicação quântica a longas distâncias”, disse Yin. Os pesquisadores calculam que será necessária, pelo menos, mais uma década antes do potencial da computação quântica ser plenamente realizado.

Usar a luz para transferir informação no estado quântico é mais fácil do que fazê-lo eletricamente. Em última análise, isso vai levar à comunicação quântica a longas distâncias”
Chunming Yin, principal autor do estudo

 

 

Tags:

publicidade

publicidade