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Tecnologia

Sistema permite digitar no relógio

Mecanismo criado por estudantes norte-americanos torna possível escrever mensagens em telas sensíveis ao toque de apenas uma polegada

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postado em 15/05/2013 11:33 / atualizado em 15/05/2013 11:44

Roberta Machado

A expectativa que antecipa o lançamento dos smart-watches (relógios inteligentes) levantou diversas questões sobre as funções que serão oferecidas nos acessórios tecnológicos de empresas como Microsoft, Samsung e Apple. Enquanto o iWatch ainda é tratado como lenda da internet, o Nexus, modelo esperado do Google, é alvo de diversas especulações, segundo as quais o dispositivo seria apresentado nesta semana em um evento para desenvolvedores em São Francisco. O principal ponto levantado por especialistas e consumidores é como a tela minúscula dos dispositivos poderá abrigar o acesso a internet, e-mails, vídeos e textos. Um desafio ainda maior é a interação com o aparelho: fica difícil imaginar como acessar aplicativos, digitar números de telefone ou escrever mensagens em um espaço de uma polegada.

Um grupo de alunos de computação da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, acredita ter encontrado a solução para esse impasse. Eles desenvolveram um sistema que possibilita o manuseio de botões em telas de apenas uma polegada. Projetado para um teclado que exibe quase 30 teclas na parte inferior do visor, o ZoomBoard permite que os dedos consigam escrever frases completas usando apenas as teclas em miniatura. A invenção recebeu menção de melhor trabalho apresentado na Conference on Human Factors in Computing Systems, em Paris.

A ideia se baseia num conceito de dois toques: primeiro o usuário clica naturalmente no botão pequenino, mas a letra ainda não é digitada. O gesto, na verdade, aumenta a visão da área em que se encostou, dobrando as teclas daquela região de tamanho. Com as letras maiores, quase iguais às de um smartphone comum, a pessoa pode apertar com precisão o caractere desejado, que aparece na linha de escrita. O teclado volta ao tamanho reduzido, e o processo é repetido para todas as teclas.

O processo parece trabalhoso, mas seus criadores garantem que é funcional. “Podemos colocar um teclado inteiro na área de uma moeda. Digitar três vezes, como em telefones antigos, requer muito mais toques”, compara Chris Harrison, um dos inventores do ZoomBoard, referindo-se aos teclados telefônicos tradicionais, que dividem o alfabeto entre os nove botões numéricos.

Voluntários que testaram o layout atingiram a velocidade de 9,3 palavras por minuto, depois de algum treinamento. O índice ainda está bastante abaixo da média registrada na tela do iPhone (33 verbetes no mesmo espaço de tempo), mas ele ainda se equipara ao rendimento dos digitadores mais lentos num dispositivo de tamanho comum. “Embora smartwatches, provavelmente, não venham a substituir smartphones ou tablets, em breve, nós poderemos fazer mais tarefas nos relógios em momentos de necessidade”, aponta Stephen Oney, estudante de doutorado da Carnegie Mellon que também participou do projeto.

Familiar
O modelo ainda usa outros artifícios para economizar espaço, como a substituição de alguns botões por comandos de movimento. Arrastar o dedo para a direita, por exemplo, faz surgir um espaço na linha, e a ação contrária apaga a última letra digitada. Um toque para cima abre um segundo teclado, com números e caracteres de pontuação. Para escrever em maiúsculas, basta segurar o botão por um momento. Os desenvolvedores pretendem economizar ainda mais toques com um mecanismo que sugere possíveis palavras com base nas primeiras letras escritas.

A simplicidade da proposta de Harrisson e seus colegas de doutorado parece dispensar soluções mirabolantes, como projetores, sensores de movimento ou mesmo o controle de voz, adotado pelo Google Glass. “A utilidade dessas tecnologias, particularmente em situação de mobilidade, é ruim. Não acredito que sejam alternativas viáveis para a entrada de texto. Obviamente o stylus (ponteira) é uma solução ideal para melhorar a precisão do toque. Em contrapartida, é um artefato a mais que precisa ser armazenado”, analisa Bruno Merlin, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), e especialista em interação homem-computador.

A iniciativa também pode ser mais bem recebida pelo público por usar o tradicional modelo Qwerty (leia Para saber mais), em vez de apelar para teclados mais compactos e menos familiares. “Acredito que, por sua simplicidade, mantendo a base do teclado Qwerty e dos toques simples, o usuário conseguiria aprender a usar o teclado com uma relativa simplicidade, sendo usuário frequente de teclados virtuais ou não”, avalia Merlin. A performance, ressalta o especialista, deve ser prejudicada pelo tempo de observação necessário entre o zoom e o toque no botão virtual.

O grupo idealizador do Zoomboard revela que algumas companhias já mostraram interesse no sistema, mas ainda não adianta qual marca deve adotar a ideia. “Se der tudo certo, devemos ver o ZoomBoard em um dispositivo em mais ou menos um ano”, limitou-se a dizer Harrison.

O teclado aumentado pode ser útil também em celulares, servindo de boa opção para os menos habilidosos, que veem o ato de enviar uma mensagem no celular como um verdadeiro exercício de paciência. Muitos que estão acostumados aos botões “de verdade” sofrem ao mirar as teclas virtuais e acabam escrevendo na base da tentativa e erro e do nem sempre confiável corretor ortográfico.

“ZoomBoard poderia funcionar em telas sensíveis a toque como as usadas em smartphones atuais. Uma das melhores coisas sobre ele é que não requer nenhum hardware especial”, ressalta Stephen Oney. O sistema poderia ser oferecido em qualquer modelo de telefone como uma função opcional e configurável, que poderia ser programada para aumentar os níveis de zoom com dois ou três toques. Dessa forma, os digitadores frustrados não teriam de trocar telefones que cabem no bolso por modelos de dimensões maiores, nem abrir mão do serviço SMS.


"Embora smartwatches, provavelmente, não venham a substituir smartphones ou tablets, em breve, nós poderemos fazer mais tarefas nos relógios em momentos de necessidade”

Stephen Oney,
estudante de doutorado da Carnegie Mellon que participou do projeto

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