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Tem até jogo

A nova versão do console de games da Microsoft, o Xbox One, busca ser um verdadeiro centro multimídia caseiro, que permite acessar a internet, ligar a televisão e ouvir música a partir de um só equipamento

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postado em 22/05/2013 18:00 / atualizado em 22/05/2013 11:24

Roberta Machado


O console será vendido com um Kinect de série mais potente e um controle sem fio com resposta de movimento (Nick Adams/Reuters) 
O console será vendido com um Kinect de série mais potente e um controle sem fio com resposta de movimento

Foi-se o tempo em que videogames serviam apenas para brincar. Ao apresentar seu novo console, o Xbox One, a Microsoft transformou o aparelho em um verdadeiro centro de entretenimento familiar, que une televisão, internet, música e jogos em um único equipamento. Essa é a terceira plataforma da multinacional, que desde o começo apostou nos gráficos realistas e conseguiu se consolidar com o lançamento do sensor de movimentos Kinect, há três anos. Agora, contudo, o foco no aspecto multimídia é tão grande que os games parecem até ter ficado em segundo plano.

Na tarde de ontem, a empresa fundada por Bill Gates reuniu jornalistas e blogueiros em um pequeno auditório na sede de Redmond, em Washington. A companhia marcou pontos contra a Sony ao mostrar de cara o console e os acessórios, que ainda não têm data nem preço de lançamento definidos. O novo aparelho é grande e tem um design simples e quadradão. Ele será vendido com um Kinect mais potente de série, além de um controle sem fio que vem com bateria integrada e resposta de movimento no controle analógico.

O sensor de movimentos foi aperfeiçoado para detectar com mais precisão a força,
o equilíbrio e a profundidade do jogador. Com uma capacidade de 30 frames por segundo, o sistema tem uma câmera de 1080p em alta definição. Ele funciona em ambientes escuros, detecta o simples girar de um pulso e pode até mesmo monitorar batimentos cardíacos. “Isso é coisa no nível de ciência de foguetes”, resumiu Marc Whitten, gerente-geral da Xbox.

O microfone também foi aperfeiçoado para a introdução de uma série de comandos de voz, que prometem aposentar de vez o controle remoto. Yusuf Mehdi, vice-presidente da área de entretenimento da Microsoft, demonstrou para o público como o Xbox Live responde às ordens e gestos universais. “Xbox, on”, ordenou Mehdi, para ligar o aparelho. Depois, trocou de canal e acessou o guia da televisão, abriu a internet, conversou pelo Skype com um amigo, viu o novo filme do Star Trek e acessou seu último jogo salvo — tudo com comandos de voz.

Para retornar à tela Home, ele fechou as mãos e as uniu, num gesto teatral digno dos aparelhos de Tony Stark, o Homem de Ferro. “Esse é o começo da nova era de games e entretenimento. Esse é o começo da verdadeira tevê inteligente”, afirmou Mehdi.

Toda essa variedade de conteúdo parece ainda mais avassaladora no Snap Mode, opção que coloca mais de uma mídia aberta ao mesmo tempo, num modelo que lembra o visual do Windows 8. Toda vez que é aberta, a tela preserva as últimas atividades usadas pelo jogador e ainda oferece opções no menu Trendy, em que são mostrados os conteúdos mais acessados por amigos e outras pessoas cadastradas no Xbox. Os aplicativos ainda podem ser controlados pelo sistema SmartGlass, que já integrava tablets e a tevê no modelo anterior, o Xbox 360.

Entretenimento


 
"Isso (a tecnologia empregada) é coisa do nível de ciência de foguetes" Marc Whitten, gerente-geral da Xbox
O sistema reconhece o usuário automaticamente e detecta os movimentos do controle, abrindo um novo leque de possibilidade para a interação entre jogo e usuário. “Empresas podem usar a criatividade para fazer jogos legais com isso, mas a Microsoft deixou claro que não é esse o foco”, observa Fabio Vinicius Binder, coordenador dos cursos de jogos digitais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Para o especialista, o foco do Xbox no entretenimento multimídia familiar não é um desvio inesperado. “O Xbox começou como uma promessa de ser videogame para gamers, mas no meio do caminho mudou para uma experiência de entretenimento. Agora, continua essa tendência, de que o Xbox seja mais do que um game”, avalia Fabio.

Entre os jogadores, a reação geral foi mesmo de que os jogos ficaram em segundo plano. A empresa parece ter se limitado a esticar as intermináveis franquias de jogos de esportes, corrida e tiros em primeira pessoa, que ainda não mostraram como vão usar o potente novo Kinect. “Mostraram os jogos de sempre. Mais Call of duty, mais Fifa, mais Madden”, reclamou Leonardo Prunk, programador da empresa de jogos brasiliense Behold Studios. “Como uma empresa indie, sempre sentimos falta de falarem dos independentes, sempre falam de grandes empresas. É um gráfico realista, mas é o mesmo jogo. É o que vende”, lamentou Prunk.

Os gráficos hiper-realistas vão ficar por conta de um sistema robusto com 8GB de memória RAM, processador de oito núcleos e um HD de 500GB. Os jogos e o sistema Xbox Live vão funcionar com uma junção de três programas operacionais: o próprio modelo do Xbox, o Windows e um terceiro, que fará os dois trabalharem juntos. A empresa também confirmou a expectativa de uma nova função para gravar os jogos, além da mudança para a mídia Blu-Ray, tecnologia que se popularizou mais do que o superado HD DVD.

Fora do evento, a Microsoft Xbox Live revelou à midia norte-americana que o console não terá compatibilidade com os jogos das gerações anteriores do Xbox. Isso significa que os jogadores que quiserem continuar jogando as versões antigas de Fifa e Halo, por exemplo, terão de manter o velho Xbox 360 conectado à televisão. O mesmo aconteceu com o PlayStation 4, que mudou a arquitetura para a nova geração. No entanto, a Sony prometeu que a plataforma vai permitir o jogo de títulos antigos no futuro, por meio da nuvem.


Mistério
O PlayStation 4 foi revelado ao público em fevereiro, mas pouco do videogame foi realmente visto pelo público na ocasião. A apresentação decepcionou ao não mostrar o console e apenas adiantar algumas das especificações técnicas. Na última segunda-feira, a Sony publicou um teaser-vídeo com imagens desfocadas e detalhes que pouco dizem sobre o aparelho. O PS4 deve ter um processador com arquitetura x86, 8Gb de memória RAM e um HD interno, além de um modelo mais moderno de controle, o Dualshock

Games, séries e Steven Spielberg

Spielberg em vídeo apresentado no evento: a série assinada pelo diretor será baseada no game Halo (Nick Adams/Reuters) 
Spielberg em vídeo apresentado no evento: a série assinada pelo diretor será baseada no game Halo

Os títulos revelados na apresentação do Xbox One apostam mais uma vez na riqueza de gráficos e na dinâmica realista que já se tornaram os maiores trunfos do console. A grande novidade parece ser a introdução dos jogos intermídia, que misturam séries de tevê com os games. O trailer do exclusivo Quantum break deixou o público curioso, por intercalar cenas interpretadas por atores reais com momentos interativos que influenciam a história. Outra estratégia que procura fazer do Xbox um centro único de entretenimento é uma série de tevê baseada no jogo Halo, que será assinada por Steven Spielberg. O diretor participou do evento ontem em Washington por meio de um vídeo, no qual descreveu o universo do game como “uma oportunidade incrível para produzir algo realmente avassalador”.

A Microsoft fez apresentações bastante limitadas sobre o que esperar para o Xbox
One, pois a maior parte das informações sobre os novos games será divulgada apenas em junho, quando ocorre a E3, a maior feira de videogames do mundo, em Los Angeles. Somente lá, a companhia deve mostrar com detalhes a jogabilidade dos títulos. Mas a empresa já mostrou que continua a investir nos títulos autorais, com 15 jogos exclusivos programados para chegar ao mercado até o fim do ano — incluindo oito novas franquias.

O já aguardado Call of duty: Ghosts foi confirmado para o novo console. A sequência do jogo de primeira pessoa coloca o jogador no papel de um soldado que luta na selva, em construções urbanas e até mesmo em um ambiente submarino. O game promete gráficos impressionantes, mira mais precisa e uma resolução de 60 quadros por segundo, num pacote que deve aproveitar toda a capacidade do novo console. A novidade que rendeu mais comentários, no entanto, foi a apresentação de um cachorro que acompanha o herói nas missões. O título tem previsão de lançamento para 5 de novembro nos Estados Unidos, e também será lançado para a plataforma PlayStation 4.

Atletas
A parceria com a EA Games deve dar continuidade a títulos esportivos de sucesso, com as sequências Fifa 14, Madden NFL 25 e NBA Live 14. A empresa também entrou de cabeça no lucrativo filão do MMA com o EA Sports UFC. O vice-presidente da desenvolvedora, Andrew Wilson, ressaltou que as continuações das franquias foram melhoradas com quatro vezes mais cálculos por segundo e mais detalhes na animação, o que deve resultar numa experiência de jogo mais dinâmica e imersiva. Todos os títulos devem chegar ao mercado no próximo ano e terão conteúdo exclusivo para a plataforma da Microsoft. O lançamento do console também deve ser acompanhado pelo jogo de corrida Forza Motorsport 5. (RM)

 

 

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