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Correio Braziliense

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Violência

Medo na escola francesa

Três bandidos se envolvem em briga com estudante na parte externa do colégio, localizado na 708/908 Sul, e voltam armados e com mais dois homens para acertar as contas. Episódio mobiliza a polícia e assusta pais de alunos, que reclamam de insegurança na área

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postado em 24/05/2013 10:47 / atualizado em 24/05/2013 10:50

Saulo Araújo

Bruno Peres
Pais e alunos da Escola Francesa François Miterrand estão assustados com a violência. Na tarde da última quarta-feira, um estudante franco-brasileiro, de 17 anos, acabou rendido por três homens cerca de 100 metros da instituição, localizada na 708/908 Sul. O adolescente reagiu. Após alguns momentos de briga, a vítima conseguiu se desvencilhar e retornar correndo para o estabelecimento de ensino. Minutos depois, os bandidos voltaram para a porta do colégio acompanhados de dois comparsas, um deles estaria armado. Os criminosos esperavam a saída do jovem para acertar as contas.

Diante da ameaça, a direção da escola fez contato com a Embaixada da França. Esta, por sua vez, acionou o Batalhão Barão do Rio Branco, no Lago Sul. A unidade da Polícia Militar é composta por praças e oficiais especializados em prestar assistência aos organismos internacionais com sede em Brasília. A chegada das forças de segurança afugentou o grupo. Apenas um garoto de 16 anos acabou apreendido. Na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), ele confessou ter participado da tentativa de assalto.

Segundo pais de estudantes, o episódio não pode ser encarado como um fato isolado. Ocorrências de roubos e de furtos são comuns nas redondezas, principalmente nos horários de saída. O funcionário público Luiz César Gasser, 52 anos, relata que o filho de 17 anos teve de entregar o telefone celular a criminosos no ano passado. “Foi em plena luz do dia, com movimento de pessoas e em via pública. É evidente que a quantidade de policiais nessa região não é capaz de atender a demanda de alunos”, observou Gasser. A professora Luciana Teixeira Doneda, 38 anos, tem três filhos matriculados na Escola Francesa e também sente a falta da polícia. “Nunca aconteceu comigo, mas seria bom se tivesse mais policiamento ostensivo”, avaliou.

A tentativa de assalto fez a Escola Francesa enviar um comunicado aos pais. Por e-mail, a direção narrou o ocorrido e orientou os responsáveis a adotarem algumas medidas de segurança. “Para os próximos dias e por medida de precaução, pedimos que evitem deixar seus filhos irem ou voltarem da escola sozinhos”, informa o texto (leia íntegra). O Correio tentou contato com os gestores na própria instituição, mas eles se recusaram a comentar o assunto.

Ontem, circularam rumores de que forças de segurança francesas teriam sido deslocadas da Embaixada para a escola, mas o conselheiro de imprensa da representação estrangeira no Brasil, Stephane Schorderet, tratou de desmentir os boatos. “A polícia francesa não tem competência alguma para atuar em solo brasileiro. A nossa ação se deu no sentido de pedir uma intervenção do Batalhão Rio Branco para que a escola se mantenha sob forte esquema de vigilância, propiciando tranquildade aos a pais, funcionários e alunos”, esclareceu Stephane.

Controle

O comandante do Batalhão Escolar, tenente-coronel Fábio Sousa Lima, admitiu ser difícil cobrir com eficiência toda a região onde fica a Escola Francesa em virtude do grande número de instituições de ensino no local. Segundo ele, uma alternativa para melhorar a segurança da comunidade escolar seria as escolas liberarem os estudantes em horários diferentes. “Quando uma massa de alunos sai exatamente na mesma hora, dificulta o controle da polícia. Se houvesse um intervalo de meia hora entre uma e outra, facilitaria bastante”, sugeriu o oficial, que iniciou o diálogo com os gestores dos colégios a fim de tentar implementar a medida.

Souza Lima acrescentou que os policiais do Batalhão Escolar atuam num perímetro de 100 metros do estabelecimento de ensino e costumam acompanhar alguns alunos aos pontos de ônibus. Ele ressaltou que, em 2013, houve intensificação no policiamento ostensivo nas redondezas das escolas do Plano Piloto. No ano passado, das cerca de mil ocorrências registradas pela unidade em todo o DF, “boa parte” delas aconteceu nos dois bairros nobres. “Em virtude desse aumento de crimes de menor potencial ofensivo, passamos a dar uma atenção especial às instituições situadas nas asas Sul e Norte”, destacou o tenente-coronel.

Íntegra do comunicado

“Prezados pais, hoje (quarta-feira), por volta das 14 horas, no estacionamento principal da escola, aconteceu uma briga entre um aluno da nossa escola e três agressores externos. Em momento algum, os jovens entraram na escola. A polícia foi chamada, interveio e a saída dos alunos foi feita em plena segurança até as 18h. A Embaixada da França tomou as medidas de segurança necessárias para que a escola conte com a presença da polícia na frente da escola até o fim da próxima semana. Para os próximos dias e por medida de precaução, pedimos que evitem deixar seus filhos irem ou voltarem da escola sozinhos, sem a companhia de um adulto e peçam a eles que almocem na escola ou na Aliança Francesa (ao lado)”.

 

 

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