SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

TECNOLOGIA »

Relógio do coração

Médico israelense cria aparelho de pulso que mede os batimentos cardíacos e a quantidade de oxigênio no sangue do usuário. Se há risco de infarto, o próprio equipamento envia um pedido de socorro ao serviço de emergência. A tecnologia, contudo, não substitui tratamento médico

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 05/06/2013 18:00

Um relógio que não mostra as horas, mas pode salvar vidas. Assim pode ser definido o aparelho de pulso criado pelo israelense Leon Eisen. Desenvolvido especialmente para pacientes com problemas cardíacos, o equipamento deixa de lado a medição do tempo para monitorar os batimentos do coração e o nível de oxigênio no sangue do usuário. Caso haja alguma alteração preocupante, um pedido de socorro é enviado automaticamente, por meio de um aplicativo de celular, para o médico ou o hospital, permitindo um atendimento mais rápido, o que pode reduzir as mortes por infarto.

Eisen conta que teve a ideia de criar o dispositivo, batizado de Oxitone, quando ainda era um estudante de medicina e assistiu a uma morte súbita causada pela falta de atendimento clínico imediato. O triste episódio mostrou a necessidade de uma ferramenta que agilizasse o processo de socorro. “No hospital, há uma maneira para monitorar continuamente vários parâmetros, simultaneamente. Mas não existe uma solução a longo prazo, móvel e confortável, para o lar”, explica o médico.

O protótipo desenvolvido pelo israelense assemelha-se a um relógio de pulso, mas contém sensores capazes de captar com precisão satisfatória o batimento cardíaco e diferentes parâmetros sanguíneos, que são exibidos constantemente na tela. “Desenvolvemos uma solução ótica única, que nunca foi explorada anteriormente, chamada sensor de fotopletismografia (exame que mede a variação de volume sanguíneo). Ela é projetada de uma forma que detecta a mesma quantidade de informações fisiológicas oferecidas pelas sondas convencionais (usadas no dedo, em UTIs)”, explica.

Na opinião de Eisen, a principal vantagem do invento é não ser invasivo nem limitar os movimentos do paciente, que só precisa mantê-lo preso ao pulso. “Nosso relógio resolve os problemas por poder ser conectado confortavelmente a qualquer hora, em qualquer lugar e para receber ajuda médica imediata em situações de emergência”, destaca Eisen.

Outro diferencial é o envio das informações por meio de um aplicativo feito para celulares e computadores. “A aplicação ligada ao bluetooth passa as informações e alerta o médico ou o call center da unidade de saúde para situações de emergência. Um aplicativo de painel destaca as tendências no perfil de saúde diária do paciente, que é enviado para um armazenamento em nuvem e arquivado com seus registros pessoais. A informação pode ser partilhada pelo paciente de um modo conveniente e oportuno”, detalha o inventor.

Depois de alguns testes, o aparelho deve passar por aprimoramentos antes de chegar ao mercado, o que deve ocorrer em cerca de um ano e meio. A expectativa de Eisen é de que o custo do relógio cardíaco fique entre US$ 200 e US$ 600. O público-alvo serão pessoas com doenças pulmonares e cardíacas crônicas, que necessitam de monitoramento constante. O criador também busca empresas parceiras que possam auxiliar em seu desenvolvimento. “Esperamos chegar ao mercado em 2015, mas isso depende de quanto capital nós vamos levantar na próxima rodada de investimentos”, complementa.

Outras opções
Problemas de coração são uma preocupação global. Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), feito em 2008, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo entre as doenças não transmissíveis, provocando 17 milhões de óbitos anualmente. Em seguida, aparecem o câncer (7,6 milhões de mortes anuais), doenças respiratórias (4,2 milhões) e diabetes (1,3 milhão). De acordo com dados do Ministério da Saúde, o Brasil registra uma média anual de 70 mil mortes por infarto. Grande parte dessas vidas é perdida por falta de socorro médico.

É essa realidade que faz com que especialistas busquem soluções de monitoramento como o Oxitone. Um deles, criado em 2011, é o AngelMed Guardian. Desenvolvido por médicos norte-americanos, o dispositivo é um monitor do mesmo formato que o marca-passo, a ser implantado no coração e já testado com sucesso, inclusive no Brasil.

O aparelho examina o órgão para detectar isquemias (falta de suprimento sanguíneo para um tecido orgânico devido a coagulação) e batimentos irregulares, tudo em tempo real, 24 horas por dia. Diante de alterações, ele emite alertas vibratórios e, por meio de outros aparelhos, avisa o paciente sobre a necessidade de procurar um médico. Hoje, já pode ser comprado pela internet, a partir da indicação de um especialista. Existem no mercado também oxímetros portáteis, que funcionam como as sondas de dedo dos hospitais, mas em versão caseira. No entanto, para uma medição constante, o paciente precisaria ficar com ela o tempo todo pendurada no dedo.

Segundo profissionais de saúde, o uso de aparelhos desse tipo pode ser benéfico em casos de emergência, mas servem somente como complemento para o tratamento. “Acho essas ferramentas muito interessantes, mas precisamos destacar que pessoas que sofrem de problemas cardíacos precisam passar por acompanhamento médico frequentemente, indo ao consultório e fazendo uma série de exames rigorosos. Os aparelhos têm importância para alertar casos de emergência”, ressalta Rafael Munerato, cardiologista do laboratório Exame.

Munerato também alerta para um risco que o aparelho pode causar se não for utilizado de maneira correta. “Devemos tomar cuidado para que esses dispositivos não criem ansiedade no paciente, que pode ficar muito preocupado com as informações e, assim, ter a saúde prejudicada”, complementa.

 
"Devemos tomar cuidado para que esses dispositivos não criem ansiedade no paciente, que pode ficar muito preocupado com as informações e, assim, ter a saúde prejudicada”

Rafael Munerato,
cardiologista

 

Tags:

publicidade

publicidade