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Lado B da Copa

Exposição do jornalista Renato Alves mostra muito além dos jogos do Mundial de 2010, na África do Sul

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postado em 06/06/2013 12:27 / atualizado em 06/06/2013 12:32

Renato Alves
 
Renato Alves

Há muito mais por trás de uma Copa do Mundo do que a agitação que toma conta dos torcedores dentro do estádio. Desconfiado de que o melhor do mundial estaria nos meses que antecediam o evento e no cotidiano de um país prestes a receber a maior competição de futebol do planeta, o jornalista Renato Alves, repórter do Correio Braziliense, embarcou para a África do Sul 30 dias antes do primeiro jogo. “A ideia era fazer o lado B da Copa, fazer matérias sobre política, economia, comportamento, coisas que ninguém estava fazendo”, conta. Para acompanhar o texto, o próprio repórter realizou as fotos que, agora, compõem a exposição Antes da bola rolar, em cartaz, a partir de amanhã, no Shopping Casa Park.

Sob curadoria de Zuleika de Souza, repórter fotógráfica do Correio, as 38 imagens têm o foco nos torcedores e narram um pouco do clima de Copa do Mundo que surpreendeu Alves. Apesar da dolorida história de segregação e dos atuais desníveis entre a população negra e branca, Renato Alves encontrou um povo empenhado em superar as diferenças por amor e reverência à arte de tocar a bola. “A única vez que flagrei um negro e um branco se abraçando foi na abertura da Copa”, conta o repórter, que também ficou encantado ao ver os negros torcerem para a Holanda no jogo que desclassificou o Brasil da competição. Alves lembra que quem implantou o apartheid na África do Sul foram os holandeses.

No rosto dos torcedores fotografados pelo repórter está o mosaico de culturas e diferentes origens que formam a população de uma Copa do Mundo. A alegria, a tensão, a tristeza, o medo e até um pouco de humor aparecem nas atitudes e expressões dos torcedores, que também traduzem o clima de confraternização instalado no país durante o evento. As imagens, Alves avisa, também carregam um pouco da história da África do Sul. O apartheid foi implantado como política de estado a partir de 1948. A segregação confinou os negros em favelas, impediu os casamentos mistos, restringiu o acesso à saúde pública e instaurou um sistema educacional empenhado em mantê-los afastados da qualidade do ensino, destinado aos brancos. Na década de 1970, quando os negros perderam a cidadania, teve início uma série de levantes contra a segregação.

O regime perdurou até os anos 1990, quando a violência se acirrou e obrigou os líderes brancos a darem início às discussões que encerraram o appartheid. No entanto, as cinco décadas de segregação deixaram um legado de diferenças sociais e econômicas que ainda hoje encontra reflexos na sociedade sul-africana. “Se as pessoas tiverem um pouco dessa noção, vão perceber isso nas fotos”, avisa Renato Alves. “Nos estádios, por exemplo, durante os jogos, quase não tinha negros. Eles estavam mais nos eventos públicos.”

Renato Alves
O jornalista aponta ainda a infraestrutura do país para receber os mais de 3 milhões de torcedores que assistiram aos jogos. “Os estádios foram entregues a tempo e eles têm aeroportos que não temos”, repara. “A infraestutura do país para receber a Copa é muito melhor que a nossa. A gente só está pensando nos estádios, mas precisamos mostrar que existe uma coisa antes do estádio.” Alves passou três meses na África do Sul e realizou cerca de 3 mil imagens, boa parte delas dedicadas às reportagens elaboradas para o Correio.

 

Antes da bola rolar
Exposição de fotos de Renato Alves. Curadoria: Zuleika de Souza. Abertura hoje, às 19h30 (somente para convidados), no Casa Park (SGCV Sul, Lote 22, Guará). Visitação até 23 de junho, de segunda a sábado, das 10h às 22h, e domingo, das 12h às 20h.

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