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A adesão dos universitários

Durante a Marcha do Vinagre, a estimativa de líderes estudantis é de que 4 mil alunos da UnB tenham se juntado ao movimento. Mas, amanhã, a participação deve aumentar no Acorda, Brasília

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postado em 19/06/2013 14:00 / atualizado em 19/06/2013 10:40

Manoela Alcântara

Breno Fortes
 

Os universitários vão engrossar o público das próximas manifestações a serem realizadas no Distrito Federal. Até o último protesto, intitulado Marcha do Vinagre, a predominância era de estudantes do ensino médio, que decidiram ir às ruas para mostrar indignação contra os gastos com a Copa das Confederações em detrimento à saúde, educação e ao transporte público. Os alunos de ensino superior encorparão a massa que cresce a cada dia. No último sábado, foram 2,5 mil manifestantes; na segunda-feira, o número aumentou para 10 mil. O evento marcado para amanhã, chamado Acorda, Brasília, tinha, até o fim da tarde de ontem, 26 mil pessoas confirmadas pela rede social.

A concentração para o protesto começa às 16h, em frente ao Museu da República, e segue para o Palácio da Alvorada. Os participantes confirmados somam 10 mil a mais do que as 16 mil pessoas confirmadas para a Marcha do Vinagre pela internet. Para incentivar a participação dos universitários, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade de Brasília (UnB) iniciou uma campanha de mobilização pela internet e vai confeccionar material impresso. “Estimamos entre 3 mil e 4 mil estudantes da UnB na Marcha do Vinagre. Esse número deve aumentar para o Acorda, Brasília.” A entidade representativa pretende realizar uma assembleia geral, amanhã, para decidir a atuação dos estudantes da universidade em nível nacional.

Eleitos com a proposta de voltar a gestão para assuntos internos da UnB, antes de participar da Marcha do Vinagre, os representantes do DCE fizeram uma enquete para saber se os alunos gostariam de aderir aos protestos. Em um resultado parcial, 90% votaram a favor. “É um movimento sem vínculo partidário. Decidimos participar diante da importância. Vamos apoiar os pedidos de melhoria no transporte, na educação e contra a corrupção”, afirmou o coordenador-geral do DCE, Nicolas Powidayko.

Por volta das 11h, outro grupo incentivava os jovens da universidade. Com microfone em mãos, integrantes da Assembleia Nacional de Estudantes-Livre (Anel) convidavam os que passassem pelo Minhocão para decidir qual será a posição dos alunos da UnB nos movimentos. Eles pretendem ter uma lista de reivindicações definida para representar a instituição de ensino dentro das manifestações.
Uma das organizadoras da Marcha do Vinagre e integrante das discussões dos novos protestos, Georgiana Calimeris, 39 anos, acredita que todo apoio é válido, mas faz uma ressalva. “Não gostaríamos que ninguém usasse nome de partidos políticos para convocar novos membros. Isso não será verdade. Somos apartidários”, ressaltou.

 

Pauta

As manifestações por todo o Brasil nortearam as discussões entre os estudantes da UnB. Ontem, era difícil passar por um grupo de amigos e não ouvir diferentes opiniões sobre os protestos. “Quando acabou a aula, por volta das 16h de segunda-feira, os estudantes se uniram, pegaram um ônibus e foram protestar. Juntei-me até com gente que nem conhecia. Temos que mostrar nossa indignação”, afirmou a estudante do 2º semestre do curso de Serviço Social da UnB Carolina Reis, 18 anos.

Segundo a universitária, alguns professores liberaram os alunos mais cedo para participar da marcha. Quem não contou com essa cooperação, esperou a aula acabar para ir à Esplanada. “Mais gente vai aderir ao próximo. Eu vou. Porém, acredito que o movimento precisa ter uma liderança. Nada de partidos políticos, mas alguém que coordene os atos para um resultado efetivo. Vamos protestar contra a PEC 37 (que tira poderes do Ministério Público nas investigações), aumento de passagens e outros”, complementou.

Também estudante da UnB, o diretor da União Nacional dos Estudantes do DF (Une-DF), André João Costa, ressaltou que, até o fim da semana, a entidade terá uma pauta específica para os movimentos. Por enquanto, eles aderiram a movimentos como a Marcha do Vinagre. “Vamos nos mobilizar para lutar pela reforma política, melhoria do transporte e pelo passe livre. Os estudantes não podem ter apenas 54 passes de ônibus por mês. Precisa ser ilimitado”, afirmou.

Pneus queimados
Os protestos começaram na última sexta-feira, com o movimento Copa para Quem? Cerca de 250 ativistas queimaram pneus no Eixo Monumental, a poucos metros do Estádio Nacional Mané Garrincha, indignados com os gastos com a Copa das Confederações e a Copa do Mundo de 2014. Segundo a polícia, a maioria era integrante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). No sábado, 2,5 mil pessoas voltaram para a frente da arena para protestar. Eles são de um movimento diferente, formado por jovens, e apartidário. Houve confusão com a Polícia Militar e pelo menos 30 pessoas ficaram feridas. 

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