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De carona nos protestos

Apesar de não manter ligação com nenhum partido político, a mobilização promovida por estudantes em Brasília atrai a simpatia de legendas e entidades de classe. Os manifestantes, no entanto, rejeitam o apoio

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postado em 19/06/2013 11:32 / atualizado em 19/06/2013 11:42

Ronaldo de Oliveira
O movimento oriundo da mobilização dos jovens brasilienses, que se intitula, até o momento, apartidário, atraiu a atenção de diversas entidades sindicais e de partidos políticos que planejam se aliar aos manifestantes. As instituições alegam a convergência da pauta de reivindicações, que inclui desde a melhoria do transporte público, saúde e educação até a rejeição da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 37 — que retira do Ministério Público o poder de investigação criminal.

O primeiro episódio de articulação política em manifestações organizadas por estudantes ocorreu no último sábado, na abertura da Copa das Confederações. Dezenas de militantes do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU) tentaram participar do protesto como forma de apoiar os protestos na capital paulista a respeito que cobram a redução da tarifa do transporte público. A militância foi vaiada pelos manifestantes brasilienses que exigiram a retirada das bandeiras da legenda. Apesar dessa resistência, os integrantes da sigla pretendem participar das próximas manifestações em prol da democracia.

O presidente do PT no Distrito Federal (PT-DF), o deputado federal Roberto Policarpo, acredita que a extensa pauta de reivindicação vai exigir a legitimação de uma entidade representativa. “A mudança começa por meio da participação política, não adianta ir às urnas e votar nulo. Em algum momento, os manifestantes serão obrigados a eleger um partido com uma pauta próximo ao interesse dos protestantes, como é o caso do PT”, disse.

De acordo com Toninho do PSol, presidente do Partido Socialismo e Liberdade no DF (Psol), o apoio da sigla aos protestos é total. “Estamos do lado dos jovens que estão sendo criminalizados pelo governador. Isso é mais um motivo para que nós estejamos mobilizados em defesa dos manifestantes que tenham ou não vinculação com o PSol”, afirmou.

A Ordem dos Advogados do Brasil no DF descreveu os protestos como consolidação da democracia. O presidente da instituição, Ibaneis Rocha, informou que, a partir de agora, os eventos serão seguidos por dois observadores da entidade. “Isso vai evitar os abusos. Além disso, vamos disponibilizar cinco advogados para acompanharem os inquéritos que forem abertos a fim de garantir transparência”, destacou.

O Sindicato dos Policiais Federais no Distrito Federal (Sindipol-DF) divulgou que, na próxima terça-feira, em assembleia da categoria pretende votar o apoio e participação dos filiados nas manifestações programadas para ocorrer em Brasília. “Essa é uma decisão regional, mas é possível que entidades de outros estados também façam um ato parecido. A pauta é convergente com a do sindicato, como a não aprovação da PEC nº 37”, explicou o presidente do Sindipol-DF, Flávio Werneck Meneguelli.

Já a Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT-DF) preferiu se eximir de opiniões sobre a partidarização do movimento popular. “A CUT entende que o movimento brasiliense se organiza a partir de questões individuais e por solidariedade ao que acontece em São Paulo, por isso, não vamos intervir ou apoiar, visto que a nossa entidade atua pelo bem coletivo”, afirmou o secretário de Juventude da CUT-DF, Douglas Cunha.
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