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A holografia mais perto da sala de estar

Nova técnica deixa as projeções 3D mais baratas e eficientes, o que pode levar a uma nova geração de equipamentos de vídeo

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postado em 21/06/2013 18:00 / atualizado em 21/06/2013 10:13

Roberta Machado


A holografia é ainda uma tecnologia cara: estima-se que a imagem do rapper Tupac Shakur (D), em show do ano passado, tenha custado até R$ 800 mil  (Kevin Winter - 15/4/12) 
A holografia é ainda uma tecnologia cara: estima-se que a imagem do rapper Tupac Shakur (D), em show do ano passado, tenha custado até R$ 800 mil


Hologramas parecem fazer o vídeo saltar das telas para a realidade, causando espanto a um público que demora a se acostumar com a tecnologia. O ar de ficção científica que continua a cercar as projeções em três dimensões deve-se à verdadeira fábula que é cobrada por uma exibição holográfica: estima-se que a aparição póstuma do rapper Tupac Shakur, em um concerto no ano passado, tenha custado algo entre de R$ 200 mil e R$ 800 mil. O preço foi cobrado por uma empresa hollywoodiana de efeitos especiais, que pediu falência poucos meses depois da apresentação de sucesso.

Não bastasse o custo, outra razão de a tão esperada televisão holográfica ainda não ter chegado às salas de estar do mundo é que a holografia ainda deixa a desejar, e só tem efeitos realmente realistas com vídeos digitais retocados à exaustão. O show com a projeção de Tupac, por exemplo, levou quatro meses para ser preparado. Isso acontece porque a quantidade de informação visual projetada em um holograma pede uma quantidade de pixels muito maior do que uma simples TV de tela plana. Um volume de pontos de imagem difícil de ser reproduzido nos complexos sistemas de reflexão necessários para manter a luz colorida pairando no ar e ainda chegar a um resultado limpo e bonito.

Uma pesquisa publicada nesta semana na revista Nature propõe mudar esse modelo, tornando-o mais acessível, simples e eficiente. O artigo descreve o trabalho desenvolvido no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) como um tipo de projetor que permite a produção de vídeos com maior sensação de profundidade e visíveis a partir de diferentes ângulos. O novo tipo de modulador de luz também seria mais fácil de fabricar e resultaria numa imagem colorida de maior qualidade do que a gerada pelos equipamentos atuais.

O projeto teve início em 2005, como parte de um trabalho de doutorado no MIT. De acordo com os criadores, a tecnologia poderia ser implantada em “qualquer lugar onde tenha um display de vídeo”. “Não só para entretenimento mas também para imagens médicas ou visualização de dados”, exemplifica Michael Bove Jr., um dos autores do trabalho. O modelo mais avançado de projetores existente hoje usa um material chamado dióxido de telúrio, um cristal muito caro e difícil de se fabricar. Já o chip utilizado no novo equipamento de hologramas custa apenas US$ 10.

Outra vantagem do protótipo é que ele tem uma velocidade de atualização de imagem razoável, de cerca de 30 mudanças por segundo. O valor é um pouco acima da taxa de 24 frames usada nos filmes comuns, portanto o suficiente para criar a ilusão de movimento. “Isso tem o potencial de ser uma grande mudança, e estou falando sério. É um feito enorme”, anima-se, em um texto do site do MIT, Pierre Blanche, pesquisador de vídeos holográficos da Universidade do Arizona.

Cristal e laseres
O novo holograma usa um cristal de propriedades elétricas e mecânicas chamado niobato de lítio, que cria as cores do vídeo a partir de raios de laser nas cores verde, vermelha e azul. A química das luzes é feita por ondas acústicas inaudíveis que viajam pela superfície do material. “A luz entra polarizada, viaja nesse guia de onda e fica confinada, como em uma fibra ótica. O sinal acústico guia essa luz em diferentes direções”, explica Alaide Pellegrini Mammana, diretora do Capítulo Latino-Americano da Society for Information Display (SID). “É um sinal mais limpo, porque, quando faz a difração no espaço, tem ordens de superposições e menos ruídos. A qualidade da imagem é maior”, avalia.

Cada uma das ondas induzidas no cristal poderia criar toda uma fatia da imagem projetada, e não um pixel apenas. Isso permite a fabricação de projetores mais compactos e aumenta a qualidade do vídeo. O realismo dos hologramas é medido pela largura de banda espacial, como é chamada a proporção entre o número de pixels e a frequência espacial do vídeo. “Estamos procurando por um grande número de pixels muito pequenos. Ter muitos pixels não é muito útil se eles forem grandes”, apontou Blanche em seu comentário. A largura de banda espacial do novo projetor é cerca de 500 vezes maior que a de outros equipamentos.

O modelo funcionaria bem em modelos gerados por computador, como filmes animados, mas também com câmeras especialmente criadas para registrar o volume de cenas e objetos. “Podemos usar uma câmera de telemetria como o Kinect para medir a distância para cada pixel e gerar hologramas de cenas reais dessa forma”, explica Bove Jr. A tecnologia, como aponta o pesquisador, já existe. Isso poderia ser o início de filmes e até mesmo televisores equipados com a holografia.
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