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Correio Braziliense

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Em Brasília, a insatisfação do país

Pauta ampla de reivindicações, que vai da redução da tarifa do transporte público ao fim do voto secreto, dificulta acordos e reação do Estado

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postado em 21/06/2013 11:54 / atualizado em 21/06/2013 12:02

Étore Medeiros

Breno Fortes/CB/D.A Press
As tarifas de ônibus caíram no Rio de Janeiro, em São Paulo e em dezenas cidades brasileiras, mas as manifestações não cessaram país afora. Pelo contrário, vêm ganhando cada vez mais as ruas e descambando para o lado do vandalismo. O que começou, na semana passada, com um protesto contra o aumento nas passagens do transporte público da capital paulista se expandiu para uma revolta generalizada, com diversas bandeiras e motivos de reclamações.

Os brasileiros protestam contra o preço da passagem de ônibus e as condições do transporte, mas também contra a corrupção, os gastos com a Copa do Mundo, a falta de investimentos em setores como saúde e educação e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 37 — que limita os poderes de investigação do Ministério Público em matérias criminais. Os manifestantes também pedem a reforma política, a saída do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) da presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara e o fim do voto secreto, entre outras demandas. Ontem à noite, integrantes do movimento protocolaram no Senado uma pauta de reivindicações (leia ao lado).

Nas ruas, milhares de brasileiros carregavam faixas para externar a motivação da revolta, nas mobilizações que tomaram conta do país. Na Esplanada dos Ministérios, a enfermeira Márcia Pereira dos Santos, 50 anos, reclamava do setor em que atua. “Vim aqui para agradecer as manifestações nacionais, que defendem a saúde pública, e para protestar contra o caos na saúde do Distrito Federal, onde o paciente e o trabalhador sofrem”, disse Márcia.

Um grupo gritou em frente ao Congresso palavras de ordem contra a votação fechada no Congresso. “Voto secreto, não! Eu quero ver a cara do ladrão”, repetiam os manifestantes. Um dos cartazes dizia: “Saúde? Educação? NÃO! Aqui é tudo Copa”. Em outro, estava escrito: “Veja só que horror: o salário do Neymar é maior que o do doutor”.

Questão indígena
Um grupo de 30 índios, de diversas etnias, protestava contra a PEC 215, que pretende transferir para o Congresso a decisão final sobre a homologação de terras indígenas. Embora a pauta não esteja entre as mais lembradas pelos manifestantes, o grupo foi ovacionado enquanto saía da multidão. A diretora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Sônia Guajajara, 38 anos, conta que a luta indígena é antiga. “Estamos aqui pedindo agilidade nas demarcações de terra. O governo cede aos interesses do agronegócio, que acaba ditando o ritmo das demarcações. Essa luta não é novidade. Tudo o que os povos indígenas conquistaram foi à custa de muita luta, pelos territórios, pelo respeito e pelo não retrocesso aos direitos indígenas garantidos pela Constituição.”

Perfil
Os advogados Níldson Rodrigues, 37 anos, e Gutemberg de Oliveira, 43, que, na década de 1990, estiveram no movimento “Fora, Collor!”, analisaram o perfil dos protestos atuais. “A manifestação está desorganizada, sem foco ou liderança, o que é prejudicial ao movimento”, disse Rodrigues.

Para Gutemberg, a pauta difusa não tira a legitimidade dos manifestantes. “Esse movimento é diferente do ‘Fora, Collor’ e das Diretas Já, essencialmente pela falta de foco. Naquele tempo, havia uma bandeira uníssona, que era a saída do Collor da Presidência. Hoje, as manifestações não têm uma objetividade, o que não as descredencia. A manifestação popular, a voz das ruas, deve servir para alertar a classe política quanto ao basta à corrupção, que deveria ser o foco dessas manifestações”, opinou.

O que eles querem
Confira as reivindicações dos manifestantes
 
» Melhorias no transporte público. Além da revogação do aumento nas tarifas, os manifestantes querem serviço de qualidade e o passe livre.

» Mais investimentos em educação e saúde pública.

» Reforma política: os manifestantes querem o fim do voto secreto no Congresso.

» Contra a corrupção: transparência dos políticos e punição para quem desviar dinheiro público

» Contra a violência policial na repressão a manifestações e também no cotidiano das cidades e do campo.

» Contra a PEC 37: pela manutenção do poder de investigação do Ministério Público.

» Contra o Ato Médico: a medida, aprovada nesta semana, determina que apenas médicos podem emitir diagnósticos. Enfermeiros e psicólogos são contra a lei.

» Contra o dinheiro gasto na Copa: além de reclamarem dos exorbitantes valores empregados para a realização do evento esportivo, os manifestantes querem auditoria e transparência nas contas.

» Os protestos também pedem que políticos como a presidente Dilma Rousseff e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), além de tradicionais parlamentares e governadores de diversos estados deixem o poder.

» Livre orientação sexual: contra o projeto da “cura gay” e a favor do PL 122, que criminaliza a homofobia.
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