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Protesto em repúdio à PEC 37

A mobilização foi organizada pelas redes sociais e, ao longo do trajeto, incorporou outras pautas, como a luta pelo fim do foro privilegiado para parlamentares. Grupos mais radicais ocuparam o espelho d%u2019água em frente ao Congresso Nacional

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postado em 24/06/2013 08:00 / atualizado em 23/06/2013 17:04


A manifestação contra a proposta que tira o poder de investigação do MP começou pacífico. Mas, no fim do dia, houve um princípio de confusão e três pessoas foram detidas pela PM com seis coquetéis molotov (Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press) 
A manifestação contra a proposta que tira o poder de investigação do MP começou pacífico. Mas, no fim do dia, houve um princípio de confusão e três pessoas foram detidas pela PM com seis coquetéis molotov

Três dias depois de 35 mil pessoas ocuparem a Esplanada dos Ministérios na marcha batizada de Acorda, Brasília!, um grupo estimado em 3,5 mil manifestantes voltou a protestar em frente ao Congresso Nacional. A mobilização, marcada pelo Facebook, tinha por objetivo protestar contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 37, que tira poderes do Ministério Público em investigações. Durante a marcha, outras pautas foram incorporadas.

Antes da passeata, os organizadores debateram estratégias para denunciar vândalos aos policiais, como sentar no gramado quando algum ato violento fosse iniciado. Mesmo assim, dois adolescentes e um adulto foram encaminhados à 5ª Delegacia de Polícia (Setor Central), por carregarem seis coquetéis molotov. Segundo os investigadores, eles pretendiam atirar os artefatos contra os 750 PMs que faziam a segurança do local. Assim como na última quinta-feira, grupos mais radicais ocuparam o espelho d’água em frente ao Legislativo.

Jovens mais exaltados jogaram água contra a tropa, posicionada em linha para proteger a entrada do Congresso. A situação ficou tensa quando vândalos arremessaram bombinhas na direção dos PM’s. Baderneiros e ativistas quase entraram em confronto. Os primeiros queriam usar métodos violentos, enquanto a maioria tentava manter o caráter pacífico do ato.

Por volta das 17h, o grupo seguiu em direção ao Congresso Nacional, cantou o Hino Nacional e voltou para a Rodoviária do Plano Piloto. Com o aumento no número de adesões, os manifestantes percorreram o início do Eixão Norte e chegaram ao Setor Bancário Sul. Às 19h, a multidão desceu novamente o Eixo Monumental até se estabelecer no Congresso.

 (Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press) 

Na pauta de reivindicações, eles pediam a aprovação da lei que torna a corrupção crime hediondo, a retirada de tramitação da PEC 37, a revisão de foros privilegiados (para que deputados e senadores sejam julgados pela justiça comum), a cassação do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e de mensaleiros como o deputado José Genoíno (PT-SP). Eles divulgaram a intenção de montar um site, o www.indignacaobrasil.com.br, para promover os temas de destaque.

Emmanuela Carvalho, 15 anos, estava com o irmão Rhaniel Mesquita, 13, e o pai Agripino Napomuceno Mesquita, 47. A estudante estava com um nariz de palhaço e o pai, com uma bandeira do Brasil no corpo. “Esse movimento devia ter acontecido antes. Estamos cansados da corrupção no nosso país, é com o futuro dos nossos jovens que a gente tem que se preocupar. Do jeito que está, não tem como continuar. Queremos emprego e dignidade para nossas famílias”, exigia o técnico em eletrônica. Mesquita relembra que participou do Diretas Já, quando todos estavam de branco e foram expulsos da Esplanada com cachorros e bombas.

Um grupo segurava uma faixa escrita “Dia do Basta”. Amanda de Oliveira Caetano, 18 anos, explicou que o dia acontece em várias cidades do mundo e o de Brasília está marcado para a próxima quarta-feira. A estudante de direito declarou ser contrária à Proposta de Emenda à Constituição 37. “O Ministério Público representa a sociedade e apenas 10% dos inquéritos da polícia civil são concluídos. É um projeto que não pode passar”, defendeu.


"Esse movimento devia ter acontecido antes. Estamos cansados da corrupção no nosso país, é com o futuro dos nossos jovens que a gente tem que se preocupar"
Agripino Napomuceno Mesquita, 47 anos, técnico em eletrônica
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