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Polícias e órgãos de inteligência do governo trabalham em estratégias para identificar e punir os grupos ou pessoas que promovem ações de vandalismo no país

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postado em 24/06/2013 12:02 / atualizado em 24/06/2013 12:18

Amanda Almeida , Leandro Kleber

Iano Andrade
Atingidos por rojões, os policiais militares posicionados em frente ao Congresso Nacional, na última quinta- feira, observavamos agressores, sem reagir.A aparente passividade é uma das estratégias para o que, agora, tornou se uma prioridade para os órgãos de segurança pública: concentrarem-se na identificação dos vândalos e mostrar que eles não ficarão impunes pelos atos durante os protestos por todo o país. A meta é que os casos solucionados se tornem exemplo e, assim, espantem os “arruaceiros” dos movimentos, como a presidente Dilma Rousseff os definiu, no discurso em cadeia nacional de rádio, na sexta-feira.

A PolíciaMilitar doDistrito Federal usou câmeras durante a manifestação na Esplanada dosMinistérios para tentar gravar os atos de violência. Assim, ainda que pudessem deter os agressores, os policiaisemação preferiram não agir. Comreceio de que as prisões fizessem com que os manifestantes pacíficos se voltassem contra a polícia e também partissem para a agressão, ou que falhas sem no momento de captura dos agressores, os agentes, estrategicamente, ficaram de braços cruzados diante dos rojões atirados, enquanto os rostos dos arruaceiros eram filmados.

O chefe do centro de comunicação da PM-DF, coronel Zilfrank Antero, disse que as filmagens foramfeitas para que sejam planejadas as ações dos policiais nos próximos protestos. “Vamos ver se a nossa atuação foi eficaz, como podemos melhorar ecomoos manifestantes agiram”, relata o coronel. As imagens servirão para outro fim também. Foramenviadas à Secretaria de Segurança Pública do DF, que, a partir delas, já identificou pelo menos sete suspeitos de atos de vandalismo.

É uma das ações das equipes de investigação. Além das imagens gravadas pela própria PM, os policiais terão acesso também às cenas gravadas por um avião não tripulado que sobrevoou a Esplanada durante o protesto de quinta-feira passada. O aparelho é de uma empresa particular, cujo nome não foi informado pela Polícia Militar, que se ofereceu para filmar as manifestações e fornecer as gravações para a polícia. A intenção da empresa é vender uma dessas aeronaves à corporação, que não informou se tem interesse na compra.

Os investigadores usarão também imagens publicadas pela imprensa para identificar os agitadores. Esse procedimento de usar gravações e fotos das manifestações repete-se em órgãos de investigação de todo o país como principal método de identificaçãos dos autores de ações violentas. As polícias usarão também cenas capturadas por câmeras fixas das administrações públicas e estabelecimentos comerciais, colocadas para monitorar o trânsito e a segurança das cidades. As autoridades reafirmam em discursos e entrevistas coletivas que os arruaceiros serão punidos.

Exemplo

Para o professor de ciências sociais da PUC Minas e especialista em segurança pública, Luís Flávio Sapori, é preciso ter exemplos de coibição da violência. “A polícia precisa focar na prisão dos vândalos. A prisão deles pode ser muito pedagógica”, avalia. É a mesma opinião do ex-secretário nacional de Segurança Pública, coronel JoséVicente da Silva Filho. “Estamos falando em dano doloso (quando o autor prevê o resultado de sua ação). É um crime. Essas pessoas precisam entender que serão punidas.”

Para o coronel, o trabalho preventivo dos PMs está comprometido pela falta de preparação e de efetivo das corporações, além da ausência de liderança para negociações, como o trajeto das manifestações. Ele avalia que houve erro dos órgãos de inteligência do Executivo. “Está muito claro que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) falhou enormemente. Não conseguiu identificar o movimento e alertar as autoridades para que elas tomassem decisões antecipadamente”, critica.

Surpreendida pela extensão dos protestos, a Abin estruturou às pressas uma equipe para monitorar a internet, em especial as redes sociais. Facebook, Twitter e Instagram estão sendo vigiados por oficiais de inteligência. Nas cidades da Copa das Confederações, os agentes tentam classificar os objetivos dos movimentos
e suas possíveis lideranças.

Para o delegado aposentado da Polícia Federal Daniel Sampaio, embora não haja uma liderança aparente dos movimentos, não se pode descartar, durante as investigações, a hipótese de que hajam ações orquestradas (com objetivos de derrubar a ordem social). Ele diz que as primeiras identificações podem levar a outras a partir dos interrogatórios.
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